Stefanos
Eu tinha voltado da sede da alcateia a algumas horas, mas ainda não podia ir ver Nuria. Precisa terminar de ajustar os detalhes e as proteções, tudo para evitar que a Eclipse tivesse uma nova chance.
Como se eu já não tivesse inimigos o bastante, não é, Deusa?
O mapa sobre a mesa estava manchado de anotações.
Círculos vermelhos. Linhas riscadas. Nomes de aliados que viraram inimigos. De traições enterradas sob sorrisos.
E eu ali.
No centro do tabuleiro.
Cada movimento que eu fazia podia custar um pedaço da minha alcateia. Da minha Luna. Do meu império.
Respirei fundo, tentando acalmar o lobo dentro de mim que ainda rugia desde o ataque. Ele não dormia. Não desde que sentiu o cheiro do sangue da minha fêmea espalhado pela enfermaria.
"Nós vamos achar todos eles," murmurei, mais pra mim do que pra qualquer outro. "Cada traidor. Cada desgraçado que ousou tocar no que é meu."
A porta se abriu com um leve rangido, e a voz contida de Teodora cortou o silêncio:
"Senhor… chegou essa carta para o senhor. Direto da sede central."
Levantei os olhos, e no instante em que peguei o envelope em mãos, soube.
O brasão em cera vermelha… o lobo e a lança.
O selo do Supremo.
A palma da minha mão ardeu.
Literalmente.
"Obrigado," murmurei, e ela saiu em silêncio, como se sentisse o peso daquilo também.
Com o envelope ainda fechado, caminhei até minha mesa e me sentei, esperando que aquele pedaço de papel não fosse mais uma bomba disfarçada.
Rompi o selo.
Um convite.
Formal. Elegante. Como um soco envolto em veludo.
"Stefanos Varkas,
É com imenso prazer que o convidamos a comparecer à cerimônia de honra e celebração da unidade entre as Alcateias, com a presença dos principais Alfas e membros do Conselho. Sua presença, e a de sua Luna, é não apenas esperada, mas necessária."
Um baile.
Na mansão do Supremo.
Para apresentar minha companheira ao mundo.
Uma celebração, eles diziam.
Mas tudo em mim sabia: isso era política. Era teste. Era armadilha.
Recusar… seria declarar guerra.
Aceitar… seria entrar de cabeça no campo deles.
Fechei os olhos por um segundo. E tudo que vi foi ela.
Aquela garota que gritou meu nome antes de desmaiar nos meus braços.
Aquela que suportou o corte, a dor, o medo… e ainda assim, acordou sorrindo.
Minha Ruína.
Soltei o ar e saí da sala sem dizer uma palavra. Os guardas abriram caminho, e em minutos eu já estava na ala médica, os passos pesados ecoando pelo corredor.
Mas quando entrei…
A maca estava vazia.
O coração falhou um compasso.
"Nuria?" chamei.
"Alfa," uma enfermeira apareceu. "A Luna recebeu alta há pouco. Está no quarto de vocês. Jenna a levou. Ela pediu privacidade e… bom, parecia forte o bastante."
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