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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 131

Nuria

Já se passaram três dias desde o ataque.

O corte ainda doía, especialmente quando o corpo cansava de fingir que estava tudo bem. Mas a dor… era o de menos.

Stefanos permanecia em estado de alerta, embora um pouco mais calmo. A raiva ainda vivia em seus olhos, mas agora ela era controlada. Direcionada. Ele não baixou a guarda nem por um segundo. E eu? Eu estava fazendo o mesmo.

Sentada na poltrona do quarto, com um roupão felpudo envolvendo meu corpo, encarei o vapor do chá à minha frente. Três dias de silêncio interior, de pensar demais, de tentar entender as mudanças em mim, físicas, emocionais, espirituais.

Três dias para perceber que, mesmo frágil, eu estava me tornando algo novo.

Um bater leve na porta me arrancou dos pensamentos.

"Pode entrar," respondi, ajeitando o roupão com mais firmeza.

Jenna apareceu com um sorriso discreto. "A estilista chegou com os vestidos. Quer que eu mande ela entrar?"

Suspirei. "Pode mandar."

Segundos depois, a porta se abriu novamente, revelando a mulher esguia, de salto alto, lábios pintados de vermelho e um coque firme demais pra quem trabalha com leveza. Ela entrou empurrando uma arara cheia de vestidos, cada um mais bordado e reluzente que o outro.

"Trouxe diversas opções," ela anunciou com superioridade, "mas sei exatamente qual modelo será o ideal. Às vezes, é preciso ajudar quem não tem olhar estético, não é?"

"Acha que eu não tenho um olhar, estético, querida?" falei me levantando e olhando os modelos.

"Ah... apenas quis dizer que suas origens não lhe deram a sensibilidade necessária para ocasiões como esta, Senhorita Castiel.

Minha sobrancelha arqueou.

"Senhora Varkas, você quis dizer." meus dedos corriam pelos tecidos, e ela já começava a puxar os modelos mais sensuais.

"Oh, me desculpe. Às vezes me esqueço que nosso Alfa se uniu a você." ri sentindo minha loba se rebelar.

"Claro, tão difícil para alguém como você, aceitar alguém como eu como sua Luna, não é?" meus olhos a queimara, e ela sustentou por um momento, antes de abaixá-los.

"Então, eu escolhi..."

"Ah, claro.... Nada menos de você...Um vestido minúsculo e vulgar como aquele que você me entregou na festa de apresentação..." falei, com um sorriso educado e afiado.

Ela travou.

"É… aquele foi um erro de avaliação do momento, mas..."

"Pode parar." Parei em sua frente. "Eu mesma escolherei. Quando tiver decidido, te chamo para os ajustes."

"Mas Luna, se me permitir..."

"Não permito." Cruzei os braços. "Pode sair."

Ela hesitou, abriu a boca, depois fechou. Jenna abriu a porta com a satisfação de quem esperava por esse momento há tempos.

A mulher bufou e saiu, os saltos ecoando pelo corredor como um protesto inútil.

"Você fez o que todos sempre quiseram fazer," Jenna comentou, rindo ao fechar a porta. "Aquela mulher é a treva. Ainda é capaz de dizer que você a destratou"

"Ela quis me menosprezar." Olhei a arara. "Mas eu não sou mais a loba que ela conheceu naquele dia."

Começamos a olhar os vestidos. Alguns eram sensuais demais, decotados demais, com cortes ousados demais, um convite ao julgamento das alcateias. Um deles parecia feito apenas de tiras e cristais.

"Esse parece mais uma armadilha do que um vestido," murmurei, afastando-o.

Até que vi o azul.

Um azul profundo como o céu da noite antes da tempestade. Pequenos cristais costurados à mão reluziam como estrelas. Era de manga longa, mas as mangas se abriam em fendas duplas até se prenderem nos punhos, revelando o braço com elegância. A saia fluía com leveza, mas tinha estrutura. Era poder em forma de tecido.

"Esse," sussurrei.

"Esse é perfeito pra você," Jenna disse, se aproximando. "Quer ajuda?"

Assenti. Tirei o roupão com cuidado, sentindo o toque do ar na pele. Jenna me ajudou a vestir a peça. Quando ela se ajoelhou para ajustar a barra, sua expressão mudou.

A cicatriz ainda estava ali, vermelha. Marcante.

"Você acha que vai desaparecer?" ela perguntou, tocando de leve a pele marcada.

131.  O reflexo da Luna 1

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