Nuria
"Prima…?"
A palavra saiu da minha boca como um sussurro, como se minha mente não tivesse processado o suficiente para dar voz ao resto.
“Eu… não sabia que o Alfa Supremo tinha uma filha,” completei, engolindo em seco. “Muito menos que usava o sobrenome Castiel.”
Verônica sorriu. Era um sorriso elegante, afiado. O tipo de sorriso que não mostra os dentes, mas crava as presas mesmo assim.
“Ele não gosta que eu use,” disse com leveza, como se falasse de uma flor que murchou no jardim. “Mas eu não ligo.”
Senti Stefanos se mover ao meu lado. O braço dele se tensionou sutilmente, o corpo numa postura defensiva. Estava pronto para o ataque.
“Já estávamos de saída,” ele disse, a voz cortante como uma lâmina. “Se quer dar recado do seu pai, diga logo. Não temos tempo para jogos.”
Verônica deu um passo para trás e riu, baixinho, como quem achava graça de uma criança teimosa.
“Se eu fosse vocês… também estaria saindo,” disse com um tom quase casual. “Metade dessa festa quer ver vocês mortos.”
Meus olhos se arregalaram. “O que você está dizendo?”
“O que vocês entenderam,” respondeu, encarando-nos com um brilho sombrio nos olhos. “Se forem espertos, não bebam nem comam nada. Há uma trama em andamento. E ela é... bem entrelaçada. Muitos convidados estão rastreando o caminho de vocês e esperando o momento certo para dar o bote.”
O sangue gelou nas minhas veias.
Stefanos rosnou, e eu ouvi o som abafado do lobo sob sua pele. Ele deu um passo à frente.
“Não acredito em uma palavra sua,” disse com frieza. “Você é filha daquele manipulador. Provavelmente está só repetindo o jogo sujo dele.”
Verônica deu de ombros.
“Eu tenho meus próprios planos,” disse. “E gostaria de tratá-los com vocês. Mas não aqui.”
Meus olhos se estreitaram. “Você acha mesmo que somos tão idiotas a ponto de cair numa armadilha assim? O que está tramando?”
Ela arqueou uma sobrancelha, sem se abalar.
“Se eu quisesse vocês mortos, já teria feito isso,” disse com uma naturalidade assustadora. “Vocês estão na minha casa. Em um corredor deserto. Sem testemunhas. Pensem nisso.”
Stefanos avançou meio passo. Eu estiquei a mão e segurei a dele, apertando seus dedos. Precisávamos de calma. E de respostas.
“Então diga logo o que quer,” falei, tentando manter a voz firme mesmo com o coração batendo no peito como um tambor de guerra.
“Quero conversar,” respondeu. “De verdade. Mas não aqui. As paredes… têm ouvidos.” Ela olhou para cima, para um ponto qualquer na tapeçaria do corredor. “Me convidem para um café da tarde, de preferência amanhã. Em público. Na frente de todos. Para que meu pai não possa recusar.”
Eu e Stefanos nos entreolhamos. Eu não conseguia ler o que ele pensava, e suspeitava que ele também não tinha ideia do que pensar.
“Depois, finjam que vão para a sacada…” Verônica continuou, caminhando em nossa direção. Passou entre nós, como se não houvesse ameaça alguma no ar. “E saiam pela porta dos fundos.”
Virou o rosto sobre o ombro.
“Deixarei o caminho livre para vocês.”
E então, desapareceu pelo corredor, como se nunca tivesse estado ali.

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