Stefanos
Voltamos para o salão como dois generais atravessando um campo minado. Cabeça erguida, olhos afiados, e o peso do mundo nos ombros.
Mas bastaram poucos passos para sentir: todos os olhares estavam cravados em nós.
Antes, era curiosidade.
Agora… era tensão.
Expectativa.
Como se cada sorriso educado escondesse uma lâmina prestes a ser desembainhada.
Minha mão repousava na cintura de Nuria com firmeza. O calor do corpo dela, o perfume amadeirado da pele, o som ritmado da respiração… tudo me mantinha ancorado.
Mas o meu lobo?
O meu lobo estava em pé de guerra.
Observando. Farejando. Calculando a melhor hora para dilacerar.
Inclinei o rosto para o dela, sem desviar o olhar da multidão.
"Vamos dançar," sussurrei, baixo e rouco.
Ela ergueu uma sobrancelha, surpresa.
"Você... dança?"
Sorri de lado.
"Hoje eu danço, luto... e, se precisar, mato."
Levei-a para o centro do salão. A música era lenta, uma valsa arrastada, ensaiada para esconder as intenções políticas dos pares.
Posicionei sua mão na minha e deslizei a outra por sua cintura.
Dançávamos, mas cada giro era um mapeamento. Cada passo, uma estratégia.
"Três Alfas nos observando perto da entrada lateral," murmurei, com os olhos fixos nos lustres do teto.
"Quatro perto do bar. Um deles é o mesmo que nos seguiu quando saímos mais cedo." A voz de Nuria era baixa, precisa. A fêmea perfeita para um lobo em guerra.
"O beta do supremo está perto da porta de entrada e não tira os olhos de nós.
"Seu lobo está inquieto," ela comentou, os olhos brilhando ao me encarar.
"Ele não gosta de armadilhas. E esse salão é a pior delas."
Giramos outra vez.
Foi então que ela apareceu.
Verônica.
Vestido verde esmeralda, passos calculados, a postura de quem nasceu para o palco e aprendeu a manipular as cortinas. O sorriso nos lábios era discreto, quase gentil… mas nos olhos havia jogo. Estratégia. Segredos não ditos.
Ela deslizou até o pai com a leveza de quem conhece todos os movimentos do tabuleiro. E então, se inclinou. Sussurrou algo em seu ouvido. Algo que fez o olhar dele mudar, como se uma nova peça tivesse acabado de entrar em cena.
Quando a música terminou, ele se aproximou.
E o salão, mais uma vez... silenciou.
"Alfa Stefanos. Luna Nuria." A voz dele era doce demais para ser real. "Permitam-me apresentar minha filha."
Engraçado ela só aparecer agora, bufei irritado.
"Esta é Verônica Didone. Princesa do meu legado. E futura Luna de um dos lobos que souber honrar nossa linhagem." Ele olhou ao redor. "Todos os presentes aqui estariam dispostos a qualquer coisa para tê-la ao seu lado. Mas... eu só entregarei minha filha ao melhor." Notei quando ele não usou o sobrenome de família para se referir a ela.
A mão que repousava na cintura de Nuria se firmou.
Verônica revirou os olhos com discrição.


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