Nuria
A manhã passou devagar. Lenta demais para o meu gosto.
E, ainda assim, meu coração parecia correr como se algo estivesse prestes a explodir.
Eu estava nervosa. Não como nos tempos de Solon, quando o medo era paralisante.
Mas sim como alguém que sentia no ar o peso de uma mudança inevitável.
Verônica Castiel viria para um café da tarde.
Na frente de todos.
Com a bênção do próprio pai.
Mas algo me dizia que o que ela realmente traria… era guerra.
Vesti um conjunto leve, em tons neutros, elegante o suficiente para manter a aparência de anfitriã, confortável o bastante para o caso de precisar fugir ou lutar.
Stefanos também estava inquieto.
Ele tentava parecer calmo, mas os olhos… os olhos dele estavam escuros.
Atentos.
Em estado de guerra.
“Todos estão a postos,” ele disse, ajeitando o colarinho da camisa. “Rylan está com os guardas na retaguarda. O perímetro foi reforçado. Se qualquer coisa sair do controle, não vamos pensar duas vezes.”
Assenti.
Não havia mais espaço para ingenuidade.
Já eram duas e cinco quando ouvimos o som dos carros se aproximando do portão.
O coração saltou no peito.
A tensão tomou o ambiente como uma névoa pesada.
Jenna apareceu na porta.
“Ela chegou.”
Desci as escadas ao lado de Stefanos, os olhos atentos a cada canto da casa.
"Pronta?" ele falou parando a frente da porta e me olhando.
"Tenho escolha?" ele sorriu se inclinando para me dar um beijo.
"Não." ele riu e eu também e abriu a porta.
Nos posicionamos na frente da casa, enquanto os carros paravam.
Verônica saiu do carro como uma princesa de guerra.
Cabelos presos num coque baixo, vestido elegante e sóbrio, maquiagem impecável.
Atrás dela, vinha o general, um homem alto, olhar frio, andar calculado.
Mas... havia algo no jeito como ele olhava para ela. Algo que não consegui definir.
“Seja bem-vinda,” disse Stefanos, com frieza polida.
“Que bom ver vocês em ambiente mais... civilizado.” Ela sorriu, como se estivéssemos em uma reunião social qualquer.
"Digamos que nossa saída ontem deve ter dado o que falar." Stefanos falou ao apertar sua mão.
"Vocês não fazem ideia." ela riu de lado. "Meu pai e seus apoiadores estão até agora tentando entender como..." Apertei a mão de Stefanos, sentindo algo bom vindo dela.
“Vamos ao escritório?” perguntei, e ela assentiu com um aceno leve.
O general deu dois passos à frente, pronto para acompanhá-la.
Stefanos ergueu uma sobrancelha.
“O que ele vai fazer ali dentro?”
Verônica nem piscou. “Ele vai comigo.”
Stefanos hesitou, mas então abriu caminho, seu olhar grudado no do homem.
Eles se analisavam como dois lobos alfa prestes a medir forças.
Ao chegarmos no escritório, a porta foi fechada com cuidado.
E o mundo pareceu mudar.
Verônica suspirou… e deixou a postura cair.
“Graças à Deusa...” tirou os sapatos com um gesto quase infantil. “Eu não aguentava mais fingir.”
O general permaneceu tenso, quase desconfortável.
Ela se virou e o abraçou, apoiando a cabeça no peito dele com a intimidade de quem conhece aquele coração desde sempre.
“Relaxa,” disse ela, sem olhar pra gente. “Tenho certeza que estamos entre amigos.”
Stefanos deu um passo à frente, o corpo em alerta, como se aquilo fosse uma provocação.
“Você vai me explicar isso, ou espera que eu adivinhe?”
“Ajuda,” ela disse, simples. “Quero fugir desse acordo antes que ele me sacrifique por completo. E vocês são as únicas pessoas que meu pai não pode controlar.”
Stefanos deu uma risada curta. Sem humor.
“Você não conhece o suficiente sobre mim, então.”
“Conheço sim,” ela rebateu. “Conheço o suficiente pra saber que você nunca abaixou a cabeça pra ninguém. E que só há uma coisa no mundo que você protegeria com a própria vida…”
Ela olhou pra mim.
“…a Luna que a Deusa te deu.”
Senti o olhar de Stefanos pesar sobre mim. Um calor estranho subiu pela pele, mesmo com a tensão me deixando gelada por dentro.
"E posso garantir que ela está em perigo. Meu pai confidenciou ao Mark, que já tem um plano em andamento para uma morte acidental." Stefanos rosnou e olhou para o General.
"O que exatamente ele disse?"
"Que sua Luna é um contratempo fácil de ajustar. Que as pessoas certas já estão cuidando de tudo e logo você volta para a coleira." meu ar saiu dos pulmões, e me apoiei em Stefanos.
“Qual sua proposta?" Stefanos estava ainda mais afiado.
“Quero liberdade.” Verônica disse com firmeza. “E também… quero fazer o que meu pai não espera: quero construir alianças com quem ele teme.”
Stefanos se aproximou lentamente, seu olhar preso no dela como se tentasse atravessá-la por dentro.
"E quais garantias eu tenho se me aliar a vocês?"
"Mark está sempre dentro de todas as reuniões, é um confidente tanto do Alfa quanto do Beta." ela olhou para ele com cuidado. "Nos estamos correndo tanto risco quanto vocês. O que pedimos é que nos ajudem a acabar com isso, e daremos o trono do supremo para você."
Ela se levantou, olhou para o general, depois para nós.
"Não quero poder, só quero viver ao lado de quem a Deusa me destinou."
"Vamos pensar a respeito disso." Stefanos falou, agitado.
“Podem me ajudar… ou podem me ignorar e esperar o próximo golpe do meu pai cair sobre vocês. Porque vai cair.” A voz dela endureceu. “Esse casamento que ele propôs entre nós era só o início. Ele quer Boreal. Quer o que vocês representam. E se não me ajudarem agora... talvez não tenham escolha depois.”
Ficamos em silêncio. Todos. Por um segundo longo demais.
Stefanos passou a mão pelo queixo. Seu olhar estava distante. Analisando. Calculando.
E então ele disse:
“Você tem até o fim da tarde pra nos convencer de que isso não é uma armadilha.”
Verônica sorriu, e havia algo cruel naquele brilho, mas não contra nós. Contra tudo o que ela também queria destruir.
“Ótimo. Porque no fim da tarde... começa a guerra que meu pai não vai conseguir controlar.”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Capturada pelo Alfa Cruel