Stefanos
As duas saíram da sala com passos lentos, como se já dividissem um segredo. Verônica se virou uma última vez e sorriu de canto, aquele tipo de sorriso que sempre me deixa em alerta. Nuria passou por mim, seus dedos roçando de leve os meus, e sussurrou:
"Estamos juntos, não faça nada que eu não faria."
Assenti com um grunhido e fechei a porta devagar.
Agora era apenas eu e o General.
Mark.
O homem que servia o Alfa Supremo com lealdade cega. Que agora dizia proteger Verônica como se fosse sua própria vida. E, talvez... fosse mesmo.
Caminhei até o bar do cômodo e servi duas doses de bourbon.
"Você bebe?" perguntei, entregando uma das taças.
Ele me observou por um segundo longo demais, antes de aceitar.
"Hoje, bebo."
Encostei na borda da mesa, cruzando os braços após um gole.
"Vamos ser diretos, general. Eu não confio em você. E sei que você também não confia em mim. Já dividimos espaço demais sem trocar uma palavra, e isso diz muito. Então vou poupar formalidades: se você não for convincente agora, vai sair desta casa nos braços de alguém. E não vai ser andando."
Mark não se alterou. Nem um músculo do rosto se moveu. Ele apenas sustentou meu olhar com a frieza de quem já enfrentou guerras internas maiores que batalhas externas.
"Justo," respondeu com simplicidade. "Também não me sinto à vontade deixando Verônica sozinha com a sua Luna."
Soltei uma risada seca, sem humor.
"Então temos algo em comum." Me aproximei devagar, o olhar afiado. "Mas há uma diferença gritante entre nós, Mark. A minha mulher acabou de sobreviver a um atentado. Foi esfaqueada dentro da minha própria casa, cercada por traidores. E a sua princesa? Está perfeitamente intacta. Intocada." Me inclinei ligeiramente para ele.
"Por enquanto," ele rebateu, dando um gole. "Mas isso pode mudar a qualquer momento."
Ficamos em silêncio por um tempo, apenas o tilintar leve do gelo contra o vidro preenchendo o espaço.
"Você a ama." Não foi uma pergunta.
Ele assentiu.
"Desde antes de saber que era minha companheira destinada. Desde que a vi pela primeira vez e soube que ela não pertencia ao mundo que o pai dela queria construir."
"E mesmo assim, continua servindo o Alfa Supremo?"
"Continuava. Não mais. Ele só não sabe."
Arqueei uma sobrancelha.
"E é por isso que você veio aqui despejar planos e segredos no meu colo?"
Ele se inclinou para a frente, como quem conta um segredo.


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