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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 139

Nuria

“Às vezes, quem mais carrega poder… é quem mais aprendeu a esconder a dor.”

O corredor parecia maior agora. Mais frio. Mais silencioso.

Verônica andava com as mãos nas costas, observando os detalhes do lugar como se memórias perdidas tentassem lhe dizer algo.

"Você parece… confortável demais aqui," comentei, cruzando os braços.

"Você também." Ela sorriu de lado, me lançando aquele olhar afiado que eu já começava a entender como uma defesa. "A diferença é que eu passei a vida fingindo conforto. Você… está aprendendo a transformar dor em postura."

"Isso é um elogio ou uma provocação?"

"Ambos," respondeu com um suspiro e se recostou na estante. "A verdade tem sempre dois lados."

Caminhei devagar até a janela, tentando colocar em ordem tudo o que ela me dissera. As palavras, os planos, os riscos.

"Quando começou a desconfiar que havia algo errado?"

"Aos 13 anos. Mas só entendi o que isso significava de verdade quando fui levada para uma reunião do Conselho como 'observadora'." Ela fez aspas com os dedos e revirou os olhos. "Era só um pretexto para me moldar. Eles achavam que eu não entenderia metade do que falavam. Mas eu entendi."

"Falavam sobre mim?"

"Não diretamente. Mas falavam de uma loba sobrevivente. De uma herdeira do sangue antigo que havia escapado da última purificação. Eles estavam debatendo se ainda valia a pena manter a caçada." Verônica suspirou. "Foi ali que tudo mudou. Porque, naquele dia, um dos anciãos disse: 'Se essa menina for quem pensamos que é, o trono já está perdido. E o Supremo sabe disso.'"

Me virei para encará-la, sentindo um frio no estômago.

"E mesmo assim, só agora apareceu?"

"Porque só agora tenho voz. Antes, eu era apenas um símbolo. A filha moldada. Treinada pra sorrir, pra obedecer. Um peão."

"Mas você ainda o chama de pai."

"Porque ele é." Verônica respirou fundo, sua expressão suavizando por um segundo. "Mas também é o homem que tentou te apagar da história. Que ordenou o sacrifício da sua linhagem. E que, se pudesse, me mataria só pra manter o trono intacto."

Seu tom mudou. Ficou mais seco. Mais denso.

"Quando eu era pequena, ele levou uma comitiva até a casa do meu tio. Seu pai." Ela abaixou os olhos. "Eles brigaram feio. Eu era criança demais pra entender, mas… lembro da raiva. Do silêncio depois. Do cheiro de sangue no ar, mesmo que ninguém estivesse ferido. Seu pai estava… renunciando. Abrindo mão de tudo, de nome, de poder, de status… só pra manter vocês a salvo. E mesmo assim, não foi o suficiente. Por isso, eu sei que pra nós… também não vai ser."

O silêncio pesou por um segundo.

"E é por isso que o primeiro a cair precisa ser Solon," ela continuou. "Ele está obcecado. Louco. Acreditando nas promessas do meu pai como um cão faminto esperando as migalhas da Deusa. Enquanto ele estiver solto, será o braço armado dessa guerra."

"Depois dele?" perguntei, sentindo meu coração acelerar.

"Depois, destruímos cada alcateia que participa do sequestro de fêmeas. As que alimentam esse ciclo de dor e poder com o aval do Supremo. E por fim…" ela parou em frente a mim. "Tiramos meu pai do trono."

"Não garanto nada."

Caminhamos de volta para o escritório. A porta se abriu com um rangido sutil.

E lá estavam eles.

Mark, de pé, ao lado da janela. Stefanos, sentado em sua cadeira, a expressão ainda dura… mas os ombros menos tensos.

Verônica parou, observou por um segundo e disse:

"Vou dar privacidade a vocês."

Ela puxou Mark pelo braço com naturalidade. Eles saíram em silêncio, e o ambiente ficou apenas para nós.

Fechei a porta, caminhei até Stefanos e me sentei no colo dele, devagar.

Ele me envolveu nos braços, respirando fundo como se só ali pudesse finalmente descansar.

"Então?" murmurei, acariciando sua mandíbula. "O que você acha de tudo isso?"

"Eu acho que estou vivendo um dia absolutamente normal… sabe, minha Luna descobriu uma prima herdeira, o trono está em guerra, e eu estou prestes a fazer aliança com o general do inimigo. Tranquilo. Só faltou o bolo de casamento da Verônica pra completar a festa."

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