Nuria
Ficar ali, no colo de Stefanos, com seus braços em volta de mim, era como voltar a respirar. Depois de tudo que ouvimos… depois de tudo que ainda viria… aquele toque calmo, firme, era o lembrete de que eu não estava sozinha.
Ele apoiou o queixo no meu ombro e murmurou, com a voz baixa e rouca:
"Você confia nela?"
Demorei um segundo para responder. Meus dedos brincavam distraidamente com o colarinho da camisa dele.
"Não totalmente. Mas confio nos olhos dela. E confio em mim o suficiente pra saber quando alguém está mentindo."
"Não me importa se ela está mentindo. Me importa que você não sangre no processo."
"Já sangrei por menos."
Ele não riu. Apenas apertou meus quadris com uma leveza que só quem já me segurou no meio do caos saberia fazer.
"Você não tem ideia do que é pra mim ver você aqui. Inteira. Depois de tudo."
"Não estou inteira," sussurrei, inclinando meu rosto até os lábios dele roçarem os meus. "Mas estou voltando a ficar. Com você."
Ele me beijou devagar. Sem urgência. Como se aquele momento fosse mais importante que qualquer guerra do lado de fora.
Como se tudo o que importasse… fosse aquilo. Eu e ele. Ali. Ainda respirando.
Quando os lábios dele se afastaram dos meus, ficamos em silêncio por alguns segundos. Apenas sentindo o toque da pele. O som abafado da casa. O resto do mundo em suspensão.
"Você acha que devemos aceitar a proposta deles?" perguntei, ainda com a testa encostada na dele.
Ele não respondeu de imediato.
"Sinceramente?" Seus olhos se abriram devagar. "Eu queria dizer não. Que não confio, que não quero correr o risco de te ver no meio desse tabuleiro mais uma vez. Mas..."
"Mas?" sussurrei.
"Eu vi o olhar dela. E vi o dele. Mark pode ser o braço armado do inimigo… mas a forma como ele olha pra Verônica é a mesma forma que eu olho pra você."
Meu coração apertou.
"Isso não torna tudo seguro, Stefanos. Só torna mais perigoso se for mentira."
"Eu sei." Ele roçou o nariz no meu. "Mas a gente já está no meio do fogo. Fingir que dá pra sair sem se queimar é a parte que mata mais."
Fechei os olhos. Respirei fundo.
"Então a gente entra nesse plano."
"Com as nossas regras."
Assenti. "E se eles mentirem…"
"Se eles mentirem," ele me interrompeu, a voz firme, "eu juro pela Deusa que o pai dela não vai ser o único a sangrar. Eu arranco esse trono dos escombros, Nuria. Mas não deixo ninguém enterrar você de novo."
Toquei o rosto dele, meus dedos deslizando pela barba cerrada, sentindo a tensão que se acumulava em cada linha do maxilar.
"Não vamos cair de novo. Não do mesmo jeito. Agora a gente tem a vantagem. Eles estão se revelando."
Ele assentiu, me puxando mais pra perto.
"Solon tem que ser o primeiro." Minha voz saiu baixa, quase um pensamento.
"Já era o plano." Ele bufou. "Mas agora é pessoal. Pra todos nós."
"Depois… a Eclipse."
"Você acha que eles estão envolvidos no tráfico de fêmeas?" ele perguntou.
"Parece perfeito para eles. Diana só estava atrás de informações e conseguiu."
"Então começamos por Solon, depois a Eclipse, depois o Conselho... e por fim, o rei no trono."
"Se ele ainda estiver sentado nele."
A lista era longa.
As apostas, mais ainda.
A paz do toque dele durou poucos segundos, mas foi o suficiente para me lembrar que ainda estávamos aqui.
Respirando.

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