Jenna
O beijo me pegou como uma explosão silenciosa, daquelas que não fazem barulho, mas deixam tudo em ruínas.
Foi como se algo dentro de mim... algo que eu vinha sufocando há dias... finalmente tivesse encontrado espaço para existir.
Não lutei.
Dessa vez… eu quis sentir.
Quis cada toque.
Cada suspiro.
Cada traço da boca dele moldando a minha com fome, reverência e um desejo antigo demais pra ser negado.
A mão dele estava enrolada na minha trança, puxando com leveza, como se guiasse meu corpo ao dele com um domínio natural demais pra ser aprendido.
A outra repousava em meu rosto, com uma delicadeza absurda para um guerreiro.
Era firme, mas carinhosa.
Segura, mas gentil.
Como se ele tivesse medo de me quebrar… ou de se quebrar junto comigo.
O calor do corpo dele colado ao meu apagava todos os avisos da minha mente e acendia cada instinto da minha loba.
Ela não apenas se agitava. Ela uivava.
Como se tivesse esperado a vida inteira por isso.
Por aquele toque.
Por aquele beijo.
Por aquele lobo.
Não era só o desejo que queimava entre nós.
Era a tensão de tudo o que não dissemos.
Era o eco de noites mal dormidas e olhares desviados.
E ali, presa entre a escultura de mármore e o peito quente dele, tudo dentro de mim gritava uma única verdade:
Eu estava cansada de fugir.
Cansada de fingir que aquele beijo não morava na minha memória.
Cansada de lutar contra algo que, mesmo não sendo certo, era intensamente… real.
As mãos dele desceu para minha cintura me segurando com firmeza e cuidado.
Como se reconhecesse meus limites, mas ainda assim quisesse ultrapassá-los, com calma, com intenção.
E quando nossos lábios finalmente se afastaram, senti meu corpo ainda tremendo.
Mas o olhar dele…
Ele ainda me segurava como se o mundo lá fora não importasse.
"O que vai fazer agora a noite?" ele disse, a voz baixa e rouca. "Você já terminou seu turno, não terminou?" olhei para ele, sem saber o que falar.
"Eu...eu já...eu só vou pro meu quarto...eu acho...." minha mente não parecia processar as coisas corretamente.
"Vem para minha casa... posso cozinhar algo para nós..." Ele falou com aquele tom de ordem que não era exatamente uma ordem. Era convite a tentação.
Meu corpo deu um passo pra frente.
Mas minha mente… recuou.
Minha expressão endureceu. Era isso que ele pensava sobre mim?
"Não," falei, baixinho. "Não vou ser mais uma."
Ele franziu o cenho, mas não perdeu o sorriso. Um daqueles que mistura paciência e desafio.
"Não é isso, Jenna. A gente não pode mais conversar como antes, lembra? Na enfermaria era de um jeito, agora… isso tudo é palco de guerra. E eu queria conversar com você. Sem interrupções, como quando você cuidou de mim."

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