Jenna
Entrei no quarto batendo a porta com mais força do que deveria.
Teodora. Às vezes ela conseguia me tirar do sério de um jeito quase maternal. O problema era que aquele jeito maternal parecia ter parado no tempo.
Ela era boa. Era. Mas também era antiquada. Como se nenhuma loba com menos de cinquenta anos pudesse saber o que é desejo. Como se só as escolhidas pudessem sonhar com algo que vai além da obrigação.
Resmunguei comigo mesma, caminhei até o espelho e parei de frente.
Meus olhos ainda estavam brilhando.
A pele corada.
E os lábios... inchados.
"Ótimo." murmurei. "Ele me deixou devastada com apenas 5 minutos."
O problema é que eu sabia a verdade. Sabia que aquilo que sentia por ele não era mais só uma curiosidade boba. Ou uma atração física qualquer.
Já estava… enraizado.
Grudado no coração.
Presente nos meus sonhos e agora, nos meus dias também.
Mas o que Rylan sentia?
Aquilo era só desejo? Um jogo divertido com a criada do Alfa?
Ou havia alguma verdade por trás dos toques, dos olhares e daquele beijo que me deixou tremendo até os dedos dos pés?
Soltei um suspiro e me sentei na beirada da cama, apertando os lençóis com força entre os dedos.
Eu podia ir e descobrir o que ele realmente queria.
Ou podia ficar.
E fingir que aquele momento no corredor… nunca aconteceu.
Mas só de pensar nisso, meu peito doeu.
Me levantei, fui até o banheiro e tomei um banho longo, deixando a água quente escorrer pelas costas.
Soltei as tranças devagar, e no instante em que toquei a base do couro cabeludo, senti o arrepio.
Ali.
Exatamente onde ele me segurou.
— Droga, Rylan... Assim fica difícil de resistir, beta...
Eu não era inocente.
Sabia o que acontecia entre casais. Sabia o suficiente para entender que aquilo não era só uma brincadeira. Mas também… eu nunca tive um namorado. Nunca fui o tipo de loba que chamava atenção.
Alguns beijos na escola. Uns olhares curiosos.
Nada… que me tivesse marcado.
Nada como ele.
Me enxuguei e vesti a única calça jeans decente que eu tinha, junto com uma blusa branca simples. Me olhei no espelho e suspirei. Sem graça. Sem sal.
"O que será que um lobo como ele viu em mim?"
Encostado no muro, Rylan estava com as mãos nos bolsos, o corpo inclinado casualmente como se estivesse ali só observando as estrelas. Mas os olhos… estavam em mim.
"Você estava me esperando?"
"Achei que estaria escuro." Ele deu de ombros. "E que você poderia precisar de proteção."
"Eu..." minha voz falhou. "Eu só estava tentando sair sem... sem levantar suspeitas."
Ele ergue uma sobrancelha, e o sorriso brincalhão apareceu.
"Suspeitas é tudo que você levanta com esse disfarce ridículo." ele se desencostou e caminhou em minha direção.
"Acha melhor eu tirar?" perguntei olhando para os lados.
"E acabar com a graça?" ele riu, parando a minha frente. "Deixe para eu te desembrulhar em minha casa." minhas bochechas coraram. "Mas, vá na frente... Não quero estragar sua reputação. Você ainda tem cara de quem acredita em contos de fadas."
"E você tem cara de quem acaba com eles" rebati, mas sorri. Por dentro e por fora.
"Pois é... acho que sou o lobo mau da história." Ele chegou mais perto, e o mundo pareceu diminuir em volta. "Mas talvez essa história seja diferente."
Fiquei ali, parada, com o coração batendo tão alto que eu podia jurar que ele ouvia.
E mesmo que fosse loucura…
Parte de mim queria acreditar.
Que naquela noite…
Eu não estava apenas correndo um risco.
Eu estava, enfim, escolhendo um.

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