Rylan
Eu devia ter parado antes.
Devia ter me afastado quando percebi que estava falando demais.
Mas era impossível não sentir demais também.
Ela ainda estava ali, sentada no meu sofá, com os cabelos soltos por minha causa, e um brilho no olhar que me fazia esquecer qualquer protocolo, hierarquia ou senso de autopreservação.
Respirou fundo.
E eu soube que não era só eu.
Ela também estava sentindo.
Mas ao invés de me aproximar… eu me levantei.
“Vou terminar o jantar,” murmurei, quase como uma desculpa para salvar a pouca sanidade que me restava.
Ela assentiu, cruzando as pernas no sofá, e desviando os olhos como se também tentasse retomar o controle. Mas o perfume dela... o som da respiração... tudo ainda estava em mim.
Meu lobo se agitava de um jeito novo. Como se aquela garota, aquela pequena loba de olhos atentos e alma inquieta, fosse a coisa mais valiosa que ele já viu.
Nem com a minha antiga companheira eu me senti assim. E isso… me deixava a um passo de estar fodido.
Voltei pra cozinha, verificando as panelas, os tempos e os temperos. Tudo estava onde deveria. O jantar pronto, quente, perfumado.
Mas então, ouvi seus passos suaves se aproximando.
“Posso arrumar a mesa?” ela perguntou, com a voz baixa.
Assenti, me virando para ela.
Peguei os pratos e as taças com cuidado e fui entregando um por um.
Nossos dedos se esbarraram, e foi como se um choque passasse por mim. Meu lobo rosnou internamente, querendo mais. Querendo a boca dela de novo. A pele. A entrega.
Respirei fundo.
Foco.
Foco no frango, Rylan. Nas batatas. No molho de vinho.
Ela colocou os talheres com capricho, ajeitou os guardanapos, e depois veio até a cozinha pra pegar o vinho. Nesse meio tempo, começou a contar sobre um desastre culinário na mansão envolvendo um pão de ervas, farinha demais e Jenna tentando salvar a massa às escondidas.
Soltei uma risada.
Autêntica.
“Eu vi esse pão,” comentei. “Tinha gosto de pedra encantada.”
“Era uma obra-prima moderna,” ela rebateu, erguendo o queixo com indignação fingida.
Ri de novo, e o clima no ar parecia tão leve… tão longe da tensão da guerra que pairava sobre nossas cabeças todos os dias.
Mas então ela soltou:
“Teodora me disse para não me aproximar de você.”
Parei por um segundo, virando lentamente para encará-la.
“Eu ouvi,” respondi com simplicidade, observando a reação dela.
Ela arqueou uma sobrancelha. “Estava bisbilhotando?”
Dei de ombros. “Sabia que não teria como esconder o meu cheiro em você. Achei melhor saber o que ela te diria antes que tentasse envenenar sua cabeça.”
Ela mordeu o lábio inferior e desviou o olhar.
Merda.
Não faz isso, pequena.
“Vai se sentar,” pedi, a voz mais baixa. “Eu já levo tudo.”
Ela obedeceu, e coloquei os dois pratos à mesa como um verdadeiro chef. Frango no ponto, batatas douradas, o aroma do molho invadindo o ambiente.
Ela me olhou surpresa.
“Rylan, isso está lindo.”
“Fui treinado pra liderar exércitos e sobreviver no meio do nada. Cozinhar é parte do pacote,” comentei, servindo o vinho nas taças de cristal.
Ela pegou a taça, cheirou o conteúdo e franziu o nariz.
“Nunca bebi vinho.”

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