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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 148

Nuria

O sol mal começava a se infiltrar pelas cortinas, tingindo o quarto com um tom dourado suave, e meu corpo... ainda doía.

Mas era uma dor boa.

Uma dor cheia de lembranças.

Cada músculo parecia me lembrar da noite anterior. Das mãos dele, da boca dele, do peso do corpo dele sobre o meu como uma promessa antiga sendo cumprida a cada toque.

Nunca pensei que seria assim. Nunca achei que um lobo como ele teria tamanha entrega. Por mais que eu visse o amor dos meus pais, ele renunciou a tudo por nós. Já Stefanos era a força, era o poder e ainda assim se entregava ao que tínhamos sem reservas.

Me mexi devagar, soltando um suspiro abafado ao sentir o braço dele ainda jogado sobre minha cintura. Pesado. Possessivo. Mesmo dormindo, Stefanos me segurava como se o mundo pudesse tentar me levar a qualquer instante.

Virei um pouco o rosto.

Ele dormia de lado, os cabelos bagunçados, a barba sombreando a mandíbula forte e a boca entreaberta, como se estivesse no meio de um sonho. O peito subia e descia com lentidão, sem aquela tensão constante que o dominava em vigília.

Era raro vê-lo assim.

Sorri. De leve. Com preguiça e amor na mesma medida.

Meus dedos deslizaram lentamente por seu braço até alcançar os fios do cabelo. Passei por eles com carinho, brincando de traçar mapas secretos sobre a pele dele.

"Tá me acordando ou tentando me enfeitiçar de novo?" a voz dele veio rouca, arrastada, completamente embriagada de sono.

"Talvez as duas coisas."

Os olhos dele se abriram devagar, prateados à meia-luz, e o sorriso veio logo depois, preguiçoso, perigoso, letal.

"Você quer guerra logo cedo, é isso?"

"Depende." Me estiquei, beijando de leve o ombro dele. "Se toda guerra terminar como a de ontem, que venham mais batalhas."

Ele soltou um riso baixo, deslizando a mão da minha cintura até o quadril, onde apertou com força suficiente pra me arrancar um suspiro e me fazer ronronar de desejo.

"Eu tô destruído," ele confessou, a voz rouca. "Mas foi a melhor destruição da minha vida."

"Drama antes das oito da manhã?" provoquei, rindo contra o peito dele.

"Não é drama. É constatação." Ele virou de lado, me puxando para o centro da cama, e colou a boca na minha orelha. "Ontem você me deu paz... e me quebrou inteiro ao mesmo tempo."

"Você merecia. Os dois. Não é só de estratégia que se vive um lobo."

"Claro que não. Antes eu não sabia disso, mas agora..." seus dedos roçaram minha pele, fazendo pequenos arrepios. "Você tem minha total atenção, Luna."

"Você diz isso agora... mas daqui a pouco vai estar rosnando pra algum beta que entregou um relatório atrasado."

"Possivelmente." Ele sorriu contra minha pele, com aquele tom arrogante que era só dele. "Mas nenhum deles toca Vivaldi em lingerie."

"Stefanos!" bati de leve no braço dele, e ele me virou na cama num movimento só, ficando por cima com os antebraços apoiados ao meu lado.

"Ruína," ele disse, com aquele olhar prateado que parecia lamber minha pele. "Você não faz ideia das fotos mentais que tirei ontem à noite... se pudesse, mandava emoldurar e pendurar uma em cada parede. De tão absurdamente gostosa que você estava."

"Você está se referindo ao concerto..." arqueei uma sobrancelha, jogando meus braços sobre seus ombros e brincando com seu cabelo, "ou à parte em que você implorou em silêncio e fingiu que não era nada?"

"Ambos." Ele desceu os lábios até meu queixo, roçando a barba ali só pra me provocar. "E ainda estou levemente magoado por você não ter aparecido com o violino logo depois do meu primeiro sonho. Isso foi negligência emocional, sabia?"

"Ah, claro." Rolei os olhos, lutando contra o riso. "Me perdoe, Alfa Varkas. Da próxima vez que você tiver um sonho erótico envolvendo instrumentos clássicos, pode me mandar uma notificação formal."

"Já estou escrevendo mentalmente." Ele beijou meu ombro, com a tranquilidade de quem tinha planos de passar o dia inteiro ali. "Inclusive... tenho umas ideias com piano também."

148. Depois do café 1

148. Depois do café 2

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