Stefanos
Já estava sentado à mesa quando ela entrou.
Nuria.
Cabelos soltos, sorriso leve, e um brilho no olhar que me fazia esquecer por um instante que o mundo lá fora ainda estava em guerra.
Ela caminhou até mim com passos suaves, me beijou no canto da boca e se sentou à minha direita, como se a noite anterior ainda estivesse nos envolvendo.
"Conseguiu tirar as informações que queria?" questionei, apoiando o cotovelo na mesa e observando cada detalhe do seu rosto.
"Sim, mas ela está frustrada," respondeu, divertida. "Rylan é uma incógnita e vou querer que me conte o que o fez se tornar assim."
"Hum, não sei se sou a pessoa certa para isso." ela ergueu a sobrancelha.
"Tão ruim assim?" ela pegou um pão e concordei.
"É complicado..."
Antes que eu pudesse dizer o que eu realmente sabia, a porta da frente se abriu e Rylan entrou, como se soubesse que era o assunto da mesa.
Cumprimentou com um aceno breve, como sempre fazia, mas seu olhar encontrou o de Nuria por um segundo... e ele soube que ela já sabia de tudo.
"Beta," disse em tom neutro. "Venha se juntar a nós. Ainda tem café fresco."
Rylan hesitou por um segundo, mas se aproximou.
Assim que se sentou a frente de Nuria, ela cruzou os braços e se inclinou levemente para ele, com uma expressão leve... mas traiçoeira.
"Tenho só um pequeno recado pra você," disse com um tom doce demais.
Rylan a encarou. Tenso. O suficiente para se inclinar sutilmente, como se já esperasse uma ameaça.
Nuria não decepcionou.
"Se você magoar a Jenna," começou, com um sorrisinho afiado, "eu vou arrancar seu brinquedinho e dar para os porcos comerem."
Rylan ficou branco.
Eu não aguentei.
A gargalhada saiu forte, sincera, ecoando pela sala.
"Você devia escutar a Luna," disse entre uma risada e outra, pegando minha xícara de café. "Ela tem experiência em cumprir ameaças."
Rylan se ajeitou na cadeira, tentando recompor a dignidade.
"Eu não tenho intenção de brincar com os sentimentos dela," disse, firme. "Jenna é... diferente."
Notei que Nuria estreitou os olhos, ainda observando cada detalhe do rosto dele, como se medisse a sinceridade.
"Eu estou tentando me abrir pra algo," ele continuou, "mas também fui honesto com ela. Não prometi nada. Ainda mais com a tensão entre as alcateias e essa guerra que pode explodir a qualquer momento."
Nuria não disse nada. Mas seu olhar... ainda era afiado.
"Eu quero vê-la bem," ele acrescentou. "Ela me disse que tem o sonho de estudar, de ser enfermeira. Se você permitir, Alfa... eu gostaria de financiar isso. Que ela comece o quanto antes."
Silêncio.
Eu olhei para Nuria.
Ela o encarava com uma mistura de surpresa e orgulho nos olhos.
"Se é o que ela quer, por mim está mais do que aprovado," ela respondeu antes de mim. "Ela vai ficar muito feliz com isso."
Assenti, dando meu aval com um leve aceno de cabeça.
Rylan soltou um suspiro discreto, e pela primeira vez em dias... o ambiente estava leve.
Tomamos o café tranquilamente, conversando sobre trivialidades. O tipo de manhã que parecia impossível dentro da rotina que levávamos. Era raro. Quase sagrado.
Mas paz demais… sempre vem com preço.
A porta se abriu e Jenna entrou.



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