Jenna
A porta do escritório se fechou atrás de nós com um estalo seco.
O mundo ainda estava de cabeça pra baixo.
Rylan caminhava ao meu lado em silêncio. A mão ainda repousava na minha cintura, quente, firme… como se ele fosse meu único alicerce num chão que ameaçava desabar a cada passo.
Meus olhos continuavam úmidos. A garganta, apertada. E a mente… completamente embaralhada.
Como alguém podia ser arrancada das estrelas e jogada no inferno em questão de horas?
Nada fazia sentido.
Mas bastava olhar pra ele… pra saber que eu não era a única tentando juntar os cacos.
A tensão nos ombros dele era visível. O maxilar cerrado. O lobo sob a pele, inquieto. E mesmo assim, ele me mantinha perto. Como se, no meio do caos, eu fosse a única coisa que ele se recusava a soltar.
Paramos no corredor lateral, e eu finalmente respirei um pouco mais fundo.
"Você está bem?" ele perguntou, a voz baixa, firme.
"Não sei. Sinceramente… não sei." Encostei minha testa em seu ombro, e os dedos dele se enfiaram nos meus cabelos, num carinho ritmado que quase me desmontou.
"Prometo achar o desgraçado que fez isso com ela..." A voz dele era baixa, mas o ódio que carregava por trás era puro aço.
Ficamos em silêncio por alguns segundos.
Até que ele soltou:
"Fica comigo."
Ergui o rosto, surpresa.
"Onde?"
"Na minha casa. Por uns dias." O olhar dele era sério. Sem rodeios. "Não gosto da ideia de você andando sozinha pela mansão depois do que aconteceu. Mesmo com toda a segurança… não quero correr o risco. Se Teodora era o alvo, você pode ser também. Ainda mais agora. Sendo amiga íntima da Luna e..." Ele parou antes de terminar a frase.
Meu coração disparou, mas meu senso de dever foi mais rápido.
"Eu preciso ajudar os empregados. Muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo. Teodora sempre cuidou de tudo, e agora... Agora todo mundo vai precisar de mim. Não posso falhar com eles, Rylan. Teodora esperaria isso de mim."
Ele inspirou fundo, assentindo devagar.
"Eu sei que ela significa muito pra você. E que a Nuria também é parte disso."
"Elas são tudo o que tenho de mais próximo de uma família."
"Eu entendo," ele murmurou. "Só queria estar por perto. Cuidar de você."
Baixei o olhar. Parte de mim queria. Queria muito.
Mas a outra… ainda tremia.
"Rylan..." comecei, hesitante. "A gente ainda está se conhecendo. Não somos nada um do outro. Não oficialmente. E eu nem sei se você quer mesmo isso ou se é só..."



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