Stefanos
O silêncio se instalou assim que a porta se fechou.
Jenna e Rylan já estavam no corredor, mas eu e Nuria permanecemos no escritório, como se cada segundo a mais ali fosse necessário para retomar o fôlego. A pressão no peito ainda era latente. O bilhete, a imagem de Teodora ferida... tudo latejava dentro de mim como um lembrete do que estava em jogo.
Puxei Nuria para um abraço apertado, inalando seu cheiro, para tentar acalmar a fera que queria rasgar meu peito e arrastar o infeliz que ousou profanar minha casa.
Apenas ela tinha o poder de me mantar são. Apenas ela conseguia controlar o meu lado destrutivo.
"Acho melhor você ficar no quarto por enquanto," falei, me afastando e afagando seu rosto. "E quero que fique em alerta total. Não importa o que aconteça, ataque primeiro, pergunte depois."
"Deveríamos ter continuado com as aulas de defesa." meu lobo rosnou incomodado com a minha falta de cuidado.
"Algo que pretendo resolver o quanto antes, minha Luna." olhei em seus olhos azuis profundos, mas não encontrei medo, e sim cuidado. Ela me olhava de uma forma como se eu fosse a coisa que ela mais prezava.
"Sei que dará conta, meu Alfa. Se você não conseguiu prever isso, quem iria?" ela deslizou sua mão por meu peito e a segurei, levando aos meus lábios.
"Acho que estou perdendo um pouco o foco. Meus planos meio que mudaram nos últimos meses." ela riu fraco e a beijei de leve.
"Não quero ser sua distração..."
"Não é só isso...mas agora, tenho que resolver tudo de uma vez. Vou colocar em prática a reintegração de Johan e tentar eliminar pelo menos um dos nossos inimigos."
Ela soltou o ar, tensa.
"Tenho medo que Johan o desafie e você se puna depois."
Assenti com um peso que doía até no osso.
"Já pensei nisso. Mas não temos escolha. Quero que ele ache que está ganhando espaço, que está conquistando minha confiança. Se ele ainda tiver qualquer laço com Diana ou com a Eclipse... ele vai acabar nos levando até eles."
"E se for uma emboscada para ele também?" ela perguntou, com a voz calma, mas carregada de receio.
"Eu o defenderei," respondi. "Por mais que ele tenha feito merda... ainda é meu sobrinho. Ainda acredito que, no fundo, ele vai ter que escolher de que lado quer estar."
Nuria ficou em silêncio por um instante, avaliando minhas palavras com a precisão de quem já passou por muita coisa ao lado de alguém que nem sempre mostrou suas cartas.
"Está bem," ela disse, por fim. "Mas assim que resolver isso, quero ir até o hospital ver a Teodora." ela suspirou. "Deveríamos ter mantido o posto médico aqui." falou chateada.
"Claro," murmurei, aproximando meu corpo do dela. "Me espere que a levo. Você não vai sair sozinha sem a minha companhia ou a de Rylan. Não confio em mais ninguém."
Ela assentiu, mas seus olhos buscaram os meus.
"Você acha que ela era o alvo?"
Neguei com firmeza.
"Não. Acho que foi oportunidade. Uma falha na segurança. Uma brecha... usada com crueldade. É por isso que quero que você fique atenta. E mais..." soltei um suspiro pesado. "Quero que a Jenna fique com você. Pelo menos por enquanto. Vocês duas podem cuidar uma da outra."
O silêncio me invadiu por completo, e a ausência dela parecia arranhar por dentro.
Mas não havia tempo para isso agora.
Peguei o celular, digitei rápido e enviei a mensagem:
“Traga Johan. Agora. E garanta que não haja nenhum problema a partir do momento que ele estiver solto.”
Caminhei até a estante, onde mantinha os documentos de segurança da casa. Revi os planos da ala onde Johan ficaria livre. Um ambiente limitado, mas suficiente para ele acreditar que estava sendo reintegrado.
Alguns minutos depois, passos firmes ecoaram no corredor.
A porta se abriu.
Rylan entrou com Johan à frente. O rosto do garoto estava neutro, mas seus olhos… denunciavam tudo.
Ele ainda acreditava que podia vencer alguma coisa aqui.
Rylan o colocou no centro da sala, fez um leve aceno para mim e se retirou, fechando a porta atrás de si.
Agora éramos só eu e ele.
E a hora da verdade estava prestes a começar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Capturada pelo Alfa Cruel