Stefanos
O silêncio entre nós era quase físico.
Johan entrou na sala com o rosto limpo, o cabelo bagunçado e aquele olhar de quem ainda acha que pode manipular o mundo com meia dúzia de palavras. Rylan fechou a porta atrás dele sem dizer nada, como já havíamos combinado.
Agora éramos só nós dois.
Sobrinho e tio.
Alfa e futuro problema.
Ele ficou de pé no meio da sala, os olhos me desafiando com a mesma insolência de sempre.
"Então é isso?" ele provocou, com um sorriso torto. "Fui reintegrado ao paraíso ou só promovido ao inferno com tapete vermelho?"
Caminhei até a mesa e me sentei na borda, as mãos firmes apoiadas no tampo de madeira fria. O olhar fixo, inabalável. O tom da minha voz? Neutro. Calculado. Mas tudo em mim gritava controle.
"Você nunca deixou de ser parte desta casa, Johan. Só precisou de... um tempo pra refletir sobre algumas decisões ruins."
Ele riu. Seco.
"Ah, claro. Reflito melhor trancado em uma cela, enquanto você marca a prisioneira como sua Luna e finge que isso tudo é normal."
Minhas sobrancelhas se ergueram.
A flecha foi direto ao ponto.
E como sempre, Johan não tinha freios na língua.
"Você quer falar sobre a Nuria?" perguntei, com a voz baixa e precisa. "Ou quer que a gente continue fingindo que sua tentativa de sabotagem não teve nada a ver com ciúmes mal resolvidos?"
Ele cerrou os punhos. Mas não recuou.
"É verdade, então? Você a marcou?"
Me levantei devagar, com o tipo de calma que precede o estouro de uma tempestade.
"A Nuria é minha companheira destinada. Não foi uma escolha, Johan. Foi a vontade da Deusa."
"Conveniente," cuspiu. "Justo a loba mais rara de toda essa guerra podre que você lidera… cai no seu colo como presente divino. Aposto que até a Deusa tem seus favoritos."
"Isso não é sorte. É um fardo," respondi, a voz cortante. "Você acha que é fácil protegê-la? Escolher entre o amor e o dever enquanto minha alcateia sangra pelas beiradas? Enquanto tentam arrancar dela tudo o que tem de mais puro, usando os meios mais cruéis e vis que eu já vi?"
"Você parece apaixonado," ele provocou, sorrindo de lado. "Quase... humano."
Cruzei os braços, observando cada músculo tenso no rosto dele.
"Você quer me provocar, Johan, mas tudo o que consegue é mostrar o quanto ainda está perdido. Você acha que a Nuria é o problema. Que ela roubou algo seu. Mas a verdade..." me aproximei devagar. "É que você nunca precisou disputar por essa atenção."
"Eu era o futuro herdeiro da Boreal. O seu sucessor!"
"Você ainda pode ser muito mais do que isso," cortei. "Mas se continuar tentando destruir tudo o que construímos... vai acabar sendo só mais um lobo frustrado que ninguém vai lembrar."
Ele me encarou por longos segundos.



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