Nuria
Andei pelos corredores com os sentidos em alerta, os olhos atentos a cada lobo, a cada movimento estranho, mesmo sabendo que Stefanos tinha reforçado a segurança. Ainda assim... algo dentro de mim não sossegava.
Encontrei Jenna dobrando o corredor do jardim, provavelmente voltando da ala dos empregados. Seu rosto ainda carregava a tensão da manhã, mas ela tentou sorrir quando me viu.
"Você está me procurando?" ela perguntou, limpando as mãos no avental.
"Na verdade, sim. Preciso que vá comigo até o meu quarto."
Ela franziu o cenho. "Aconteceu alguma coisa?"
"Não exatamente. É só que..." soltei um suspiro, meio sem graça. "São ordens do Alfa. Ele quer que fiquemos juntas. Por segurança. Alerta total, caso algo aconteça."
Jenna arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços, mas o sorriso debochado não demorou a surgir.
"Ah, então é pra isso que eu sirvo agora? Guarda-costas da Luna?"
"Exatamente," rebati com um sorriso cansado. "Mas pensa pelo lado bom: Rylan vai dormir mais tranquilo sabendo que você está comigo."
Ela riu e balançou a cabeça. "Tá bom, vai. Vamos logo, antes que ele ache que eu tô desobedecendo ordens do Alfa também."
Seguimos lado a lado, e assim que entramos no quarto, algo me atingiu.
O ar ficou pesado.
Uma tontura leve, mas incômoda, me fez perder o foco por um segundo. Apoiei a mão na parede, tentando disfarçar.
"Nuria?" Jenna correu até mim e segurou meu braço. "O que foi? O que está sentindo?"
"Eu...eu...," murmurei, afastando os cabelos do rosto. "Acho que é só o estresse... tudo o que aconteceu com a Teodora. Eu também não comi direito no café da manhã. Provavelmente meu corpo está começando a cobrar a conta."
"Quer que eu vá buscar alguma coisa pra você comer?"
"Não. Não precisa," neguei rápido demais, me sentando na beira da cama antes que minhas pernas desistissem completamente. "Só preciso respirar um pouco."
Mas a verdade?
O estômago estava revirando.
A cabeça… latejando.
Jenna me observava em silêncio, os olhos analisando cada mínima reação minha. Eu a conhecia bem demais pra não saber que ela estava prestes a dizer o que eu não queria ouvir.
"Você contou ao Stefanos o que aconteceu no posto médico?"
Levantei os olhos, surpresa.
Ela não falava da Teodora.
Falava de antes.
Daquele dia.
Da perca de visão momentânea.
"Não," respondi, seca. "E não vou. Ele já tem problemas demais."
"Nuria, pode ser importante. E se aquilo tiver alguma ligação com isso agora? Você tá passando mal de novo, e..."
"Eu não vou preocupá-lo com algo que nunca mais aconteceu," cortei, com mais firmeza do que pretendia. "Foi um episódio isolado. E não faz sentido trazer isso à tona agora."
"Mas e se não for isolado?"
"Não é nada," insisti, me levantando, mas o enjoo veio como uma onda violenta.
Corri para o banheiro sem pensar.
Ouvi os passos de Jenna vindo atrás, a voz dela subindo em desespero.
"Não, Jenna! Fica aí!" gritei. A porta bateu com força atrás de mim.
Me ajoelhei diante do vaso, tentando controlar o impulso de vomitar. Respiração entrecortada. Gosto amargo na boca. Um tremor subindo pelas mãos.
Por que agora?


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Capturada pelo Alfa Cruel