Stefanos
O quarto mergulhava em silêncio, quebrado apenas pelo som suave da respiração de Nuria contra o meu peito.
Ela dormia profundamente, entregue ao cansaço... e, finalmente, em paz. Meu braço a envolvia com firmeza, como se meu toque pudesse blindá-la do mundo e, no fundo, era exatamente isso que eu desejava.
Dois corações batiam dentro dela. E eu sabia, com uma certeza cortante, que morreria por ambos sem hesitar.
Meu lobo estava rendido de um jeito que nunca imaginei ser possível. Por mais que eu tentasse calar a emoção que me tomava, ela transbordava, em silêncio, mas com uma força avassaladora.
Minha mente, entrelaçada ao instinto e ao sentimento, só conseguia pensar no quanto ela era o centro de tudo. Nossa âncora. Nossa razão. E que nada, absolutamente nada, poderia tocá-la... não enquanto eu respirasse.
Inclinei a cabeça para trás, tentando silenciar os pensamentos. Mas as imagens do ultrassom voltavam como flashes vívidos: o pequeno corpo em formação, o som forte e ritmado do coração do nosso filho.
Um sorriso escapou dos meus lábios.
Eu não sabia que poderia ser tão feliz. Tão completo.
E, acima de tudo, não sabia que seria justamente com ela…
E que seria tão nosso assim.
O celular vibrou em cima do criado-mudo. Peguei com cuidado, mantendo-a junto a mim por mais alguns segundos. Quando li o nome de Rylan e as palavras "seu sobrinho ameaçou a Jenna", senti o sangue ferver.
Prendi a respiração.
Soltei-a devagar, tentando não acordá-la. Desviei o olhar para seu rosto, os cabelos espalhados pelo meu peito. Ela parecia tranquila. Inocente. Intocada por tudo o que havia acontecido, mas eu sabia que era apenas uma ilusão momentânea.
Com movimentos lentos, a deslizei do meu peito e a deitei no colchão com cuidado. Puxei o cobertor até seus ombros e me inclinei, beijando sua testa com delicadeza. "Dorme, Ruína," sussurrei. "Eu resolvo isso."
Saí do quarto sem fazer barulho. Mas assim que a porta se fechou, puxei o celular e liguei para Rylan.
"Onde você está?" minha voz saiu firme, sem espaço para rodeios.
"Na cozinha."
Desliguei sem dizer mais nada.
Desci as escadas com o passo largo de quem sabia que não ia gostar do que ia encontrar. A mansão estava escura, silenciosa, mas a tensão estava no ar afiada como garras prestes a se cravarem no peito de alguém.
Quando entrei na cozinha, lá estavam eles. Jenna sentada no banco, as mãos ainda trêmulas segurando uma xícara. Rylan em pé ao lado dela, o maxilar travado, como um animal prestes a atacar.
"Alguém pode me explicar o que aconteceu?" perguntei, sem me aproximar.
Jenna levantou o olhar, surpresa pela minha chegada tão rápida.
"Eu... eu estava levando um chá com torradas para a Nuria. Ela quase não comeu nada o dia inteiro e eu fiquei preocupada..." — a voz dela falhou por um segundo, mas continuou — "mas o Johan me interceptou no corredor. Ele..."
Ela não terminou.


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