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Capturada pelo Alfa Cruel romance Capítulo 167

Stefanos

O hall da mansão estava em silêncio.

Silêncio demais.

Todos os empregados estavam alinhados, lado a lado, como se estivessem diante de um tribunal invisível. Rylan os havia reunido com eficiência. Alguns tremiam. Outros mantinham a cabeça baixa, tentando parecer calmos. E, no meio deles… Johan.

Braços cruzados, ombros soltos demais, aquele maldito olhar de desprezo entediado. Como se tudo aquilo fosse apenas um teatro. Como se não fosse pessoal.

Mas era.

Observei cada rosto com uma sede de vingança que jamais havia sentido. Eu precisava descobrir quem esteve lá. Quem facilitou a entrada. Quem ousou cruzar a linha.

Precisava de um rosto.

De um nome.

De qualquer coisa que abafasse a fúria do meu lobo ou aquela casa desabaria.

E então, comecei a descer os degraus.

Meus passos ecoavam como marteladas, um por um, afundando no mármore com o peso da fúria que carregava. Cada degrau era um aviso. Cada olhar, um alerta.

O silêncio era total.

Meu lobo arranhava por baixo da pele, feroz, faminto.

Queria rasgar. Destruir.

E a única coisa que o continha…

Era o corpo frágil de Nuria, lá em cima, encolhida sob o lençol, com minha camisa contra o rosto.

Eu parei no centro do salão e encarei o grupo à minha frente.

"Alguém entrou no meu quarto e de minha Luna.

Minha voz não precisou ser alta. Bastou ser dita.

Ela cortou o ar como lâmina afiada.

"Alguém teve a audácia de violar o único espaço que deveria ser intocável."

Meu olhar varreu os rostos, um por um. O medo estava escorrendo pelos poros de alguns, e era exatamente disso que eu precisava.

"Se alguém tem algo a dizer, este é o momento."

Silêncio.

"Porque se eu precisar descobrir sozinho," continuei, dando um passo à frente, "vou interrogar um por um. Vou revistar cada quarto. E se for necessário, vou usar o próprio cheiro da minha companheira como marca e encontrar o desgraçado que tentou camuflar o próprio odor com o dela. E se ainda não perceberam eu estou completamente territorialista com relação a ela."

Alguns engoliram em seco. Outros trocaram olhares rápidos.

Até que, é claro, ele resolveu abrir a boca.

Johan soltou uma risada baixa, debochada.

"Você está mesmo surtando por causa de lençol bagunçado, tio?"

O mundo parou.

Dei um passo adiante.

"E inimigos, nesta casa..." pausei, deixando a tensão amadurecer "...não recebem misericórdia."

Outro passo. Minha presença se impunha.

"Vão sentir minhas garras... e conhecer a Deusa antes do tempo."

O silêncio que se seguiu era quase palpável. O medo escorria em gotas invisíveis. E eu queria isso. Precisava disso.

"Rylan," chamei, ainda sem desviar os olhos da linha de frente. "Comece pelos corredores internos. Quartos. Armários. Cozinhas. Quero rastros. Quero cheiro. Quero qualquer maldito fio de cabelo fora do lugar."

"Sim, Alfa."

Me voltei novamente para o grupo. Minha voz desceu um tom. Mais letal. Mais pessoal.

"Vocês têm até o meio-dia para me trazer os nomes. Todos. Quem viu, quem soube, quem se calou. Porque quem não falar... pode começar a empacotar as próprias roupas e sair por onde entrou."

"Quero lealdade. Verdadeira. A mim. À minha alcateia. Não um bando de covardes que se esconde atrás de aventais e bandejas."

"Sim, Alfa." a resposta veio em uníssono, trêmula, mas rápida.

Fechei os olhos por um segundo.

Respirei fundo.

E então abri um sorriso. Frio. Sem humor.

"Mas se foi mesmo alguém daqui..." Me aproximei de Johan, passando por ele devagar, como uma sombra. "...vai implorar para que eu seja rápido."

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