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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 171

Dois Caminhos.

O apartamento estava silencioso, apenas o tilintar suave do teclado e o som distante da rua entrando pela janela.

Eloise tentava se concentrar no trabalho — o notebook aberto diante dela, os códigos se misturando com planilhas —, mas o coração estava em outro lugar.

Quando a coletiva começou, ela largou a caneta e girou a cadeira devagar, fixando os olhos na televisão.

Augusto apareceu no telão: terno impecável, sem gravata, o olhar frio que cortava como lâmina. As câmeras captavam cada detalhe — o porte imponente, o tom firme da voz.

Eloise sentiu o coração disparar, o peito se apertar. Era impossível desligar o que via daquilo que sentia. Orgulho e medo se misturavam dentro dela como veneno e cura na mesma taça.

— Você sempre sabe se levantar… — murmurou, quase sem perceber. — Mas a que preço, Augusto?

As palavras dele ecoavam pelo cômodo: “Traição não destrói um império. Apenas revela quem nunca mereceu estar nele.”

Eloise fechou os olhos, lutando contra a onda que vinha de dentro. Por um instante, o orgulho ardeu — era o homem que ela amava, defendendo o que construiu, provando ao mundo sua força. Mas logo o medo tomou espaço: era o mesmo homem que também a fizera sofrer, que desconfiou dela, que feriu seu coração.

Uma lágrima ameaçou escorrer, mas ela piscou rápido, como quem não permite fraqueza.

— Não posso… — sussurrou. — Não posso voltar a acreditar tão fácil.

Ainda assim, não conseguiu desligar a televisão. Ficou ali, assistindo cada palavra, cada gesto, cada pausa dele. O corpo curvado em frente à tela como se buscasse nele uma resposta que não ousava admitir.

E, no fundo, mesmo tentando se convencer do contrário, Eloise sabia: por mais que quisesse fugir, aquele homem ainda era capaz de desarmar todas as suas defesas.

___

O quarto de hotel estava mergulhado em meia-luz. Cortinas pesadas bloqueavam parte da cidade lá fora, e o abajur amarelado projetava sombras longas contra as paredes.

Lorenzo caminhava de um lado a outro, camisa semiaberta, o olhar ardendo em frustração. Jogou um copo vazio na mesa, o som ecoou áspero no ambiente silencioso.

— Ridículo! — rosnou, a voz carregada de raiva. — Augusto Monteiro acha que me venceu… acha que pode me enterrar junto com aquela coletiva.

Thamires, sentada na beira da cama, observava cada movimento dele. Havia tensão em seus olhos, mas também cálculo.

— Lorenzo… — disse devagar, a mão deslizando sobre o edredom. — A parceria com a Navarro Tech já foi pro ralo. Precisamos pensar no próximo passo.

Ele se virou bruscamente, a mandíbula rígida.

— Pensar? — cuspiu a palavra. — Eu não vou dar esse gosto pro meu pai. Antônio Mello já deve estar rindo, esperando me ver cair. Eu não vou ser o filho que afunda, Thamires. Não vou.

Ela respirou fundo, apoiando os cotovelos nos joelhos, os olhos fixos nele.

— Então a gente precisa agir. Rápido.

O silêncio que se seguiu foi longo. Denso.

Lorenzo parou, encarando-a como quem tentava decifrar o que viria a seguir.

Thamires desviou o olhar, o rosto ficando meio na sombra do abajur.

Mordeu o lábio inferior, pensativa — e quando voltou a encará-lo, havia algo novo em seu semblante.

Pegou a foto com mãos trêmulas. Os olhos percorreram cada linha do rosto deles, buscando um tempo em que a casa tinha risos e não o eco das dívidas. Sorriu, um gesto sem alegria, e encostou a testa no mármore frio.

— Eu não perdi vocês por acaso — murmurou, a voz rouca, feita de poucas sílabas. — Não foi acidente. Não foi destino. Foi escolha dele.

As palavras bateram contra o silêncio do lugar e voltaram, pequenas ondas. O homem com os olhos escuros, deixou o casaco no banco de pedra e tirou do bolso um envelope amassado. Nele, mapas, recortes de jornal, um contrato com carimbos suspeitos. Colocou tudo sobre o túmulo, como quem oferece um altar.

Lembrou-se de quando criança o pai chegara em casa com as mãos trêmulas, da mãe que sorriu e, no fim, não resistiu ao peso de ver o homem que amava virar passado. Lembrou-se do nome da construtora que os tinha engolido; lembrou-se do silêncio pesado da justiça. Tudo aquilo convergiu numa única vontade: reverter a conta que a vida cobrara dele.

Fechou os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos. O ódio já não era apenas uma chama; era um motor.

— Eles vão sentir — disse, quase num aviso. — Cada um, cada contrato, cada pedra que ergueram. Vou tirar tijolo por tijolo.

A promessa saiu como um credo. Não era vanglória: era cálculo. Ele sabia do jogo, das peças que precisavam ser movidas, das alianças que se diriam conveniências. Não era só destruir; era demonstrar, peça por peça, que o alicerce nunca foi tão sólido quanto fingiam.

Por um instante ele ficou calado, ouvindo o ruído distante da cidade — carros, vozes, uma televisão de janela aberta. Sentiu o gosto metálico da raiva na boca. Dobrou a foto ao meio e a guardou no bolso do casaco, junto com o envelope. Retirou do bolso um isqueiro, acendeu-o por um segundo e deixou a chama morrer no vento. Pequenos gestos, rituais de quem marca um início.

— A vingança está mais perto — repetiu, quase para si, quase para os mortos que o olhavam sem julgar. — E quando ela chegar, não vai ser um estrondo. Os Monteiros vão pagar.

Levantou-se devagar. Antes de virar as costas, tocou o nome gravado no mármore, os dedos passando pela letra como quem sela um pacto.

Caminhou pela alameda entre as sepulturas com um passo controlado, sem pressa. Cada curva o levava de volta à cidade, ao plano que fermentava — reuniões silenciosas, papéis colocados em jogo, um rosto amigo em quem confiar e outros tantos que seriam usados como sombras.

Ao chegar ao portão, olhou uma última vez para o alto da colina, onde as luzes da cidade começavam a piscar. Não havia remorso no olhar, apenas uma resolução antiga como cicatriz.

E o vento levou consigo o último resquício de piedade que ainda restava nele. E então, sem olhar para trás, desapareceu na névoa da manhã.

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