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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 170

Feridas Costuradas.

No andar da presidência, Augusto ajeitava o paletó diante da mesa enquanto Nathalia recolhia papéis apressada. Ele passou por ela com passos firmes, a postura de quem já havia tomado uma decisão.

— Avise o Thiago que precisei ir a um lugar importante. — disse, seco. — Ver uma pessoa… e resolver um problema que eu mesmo criei.

Nathalia o olhou, surpresa, mas não ousou questionar. Havia uma aura em torno dele, mais intensa que o normal, quase insuportável.

Augusto saiu imponente, os sapatos ecoando pelo mármore como um juramento silencioso.

Horas mais tarde, o barulho de sapatos firmes ecoou pelo corredor do hospital. Augusto Monteiro entrou, ignorando olhares curiosos, escoltado apenas por sua presença imponente.

Carlos ergueu o rosto ao vê-lo.

— Senhor Carlos. — Augusto inclinou a cabeça, respeitoso. — Eu preciso conversar com o senhor.

Carlos manteve o olhar firme por alguns segundos.

— Sente-se, Augusto. — disse, apontando para a cadeira ao lado da cama.

O silêncio que se seguiu era quase palpável. Carlos ajeitou-se na cama, sem desviar o olhar.

— Então fale, Augusto. Estou ouvindo.

E naquele quarto simples de hospital, longe das câmeras e dos holofotes, dois homens finalmente ficaram frente a frente — o pai que queria proteger a filha e o homem que prometera reconstruir tudo, até o que havia destruído.

Carlos ajeitou-se melhor nos travesseiros, os olhos atentos ao homem que agora estava diante dele.

Augusto Monteiro — o nome que movimentava a cidade inteira — parecia menos imponente ali. O terno escuro permanecia impecável, mas havia algo diferente em sua postura: os ombros pesados, o olhar marcado pela culpa.

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Até que Augusto respirou fundo e quebrou o silêncio.

— Senhor Carlos… eu preciso dizer algo que devia ter dito antes. — a voz dele estava grave, mas carregada de vulnerabilidade. — Eu fui um idiota. Um completo idiota por não confiar na sua filha.

Carlos estreitou os olhos, mas permaneceu em silêncio, ouvindo.

— Eu deixei minhas feridas do passado falarem mais alto. — Augusto continuou, o punho fechado ao lado do corpo. — E por mais que eu tenha sofrido… nada, absolutamente nada, me dava o direito de magoar a Eloise da forma como eu magoei.

O silêncio que se seguiu foi denso. Carlos respirou fundo, os olhos marejados não só pela idade, mas pelo peso do que ouvira.

— Você tem razão. — disse enfim, com calma. — Errou, Augusto. E feio. — fez uma pausa, os olhos firmes, cheios de sabedoria. — Mas quero lhe fazer uma pergunta… direta. O que você realmente sente pela minha filha?

O silêncio que se seguiu foi pesado, quase sufocante. Augusto baixou o rosto por um instante, absorvendo cada palavra como um golpe merecido. O punho se fechou com tanta força ao lado do corpo que os nós dos dedos rangeram.

Quando ergueu os olhos novamente, havia neles algo cru, despido de qualquer máscara.

— Eu a amo, senhor Carlos. — disse, a voz grave, mas firme. — Mais do que tudo que já conquistei, mais do que qualquer império que ergui. — respirou fundo, o peito subindo e descendo em peso. — A Eloise é a mulher que me desarma e me reconstrói ao mesmo tempo. Eu fui um covarde... mas o que sinto por ela não é passageiro, não é orgulho, não é conveniência. É amor.

Os olhos de Carlos permaneceram fixos nele, avaliando cada sílaba como se buscasse a verdade por trás delas. Augusto, no entanto, não desviou — pela primeira vez, estava nu em sua própria confissão.

Carlos com a voz serena, mas firme, como quem trazia a sabedoria de uma vida inteira:

— Filho, quem pode perdoar não sou eu. Só Eloise tem esse direito. O que eu posso dizer é outra coisa, um conselho talvez. Se você a ama de verdade como disse, lute por ela. Lute até o último dia da sua vida.

Ele então se inclinou levemente para frente, e os olhos — cansados pelo tempo, mas ainda duros como lâmina — cravaram-se nos de Augusto:

— Mas, se ousar machucá-la de novo… eu mesmo vou ser a barreira entre vocês.

Augusto ergueu os olhos, a emoção queimando por trás do verde faiscante. Um nó apertou-lhe a garganta, mas ele falou com firmeza:

— Eu vou reconquistar sua filha. E vou provar, todos os dias da minha vida, que esse amor curou minha feridas. Eloise é a mulher da minha vida.

Carlos o encarou por longos segundos. Então, com um leve aceno de cabeça, ofereceu-lhe aquilo que Augusto nunca teve antes: um fio de confiança.

— Então prove, Augusto. — disse, a voz baixa mas cheia de força. — Não com palavras. Mas com cada gesto.

Augusto assentiu, firme, como quem acabava de firmar o maior contrato de sua vida.

Ali, diante do pai de Eloise, fez não apenas uma promessa. Fez um juramento.

Eles ficaram ali conversando, por minutos que se estenderam como horas, ele apenas ouviu. Carlos falava pausadamente, compartilhando fragmentos de sua própria vida, conselhos de um homem que já tinha enfrentado derrotas e recomeços.

E Augusto, o empresário acostumado a dar ordens, ali não falava quase nada. Apenas absorvia. Cada palavra, cada pausa, como se estivesse aprendendo o que nenhum império poderia ensinar: a humildade de ouvir.

Naquele quarto de hospital, longe dos flashes e da pressão da cidade, não estavam o CEO e o pai da secretária. Estavam apenas dois homens — um que ensinava com sabedoria, e outro que, pela primeira vez, aprendeu que amar também era saber ouvir.

— Digamos que… talvez eu precise de alguém… que conheça bem os termos técnicos. Uma baixinha, ruivinha… estudante de direito.

Nathalia arregalou os olhos, quase engasgando de tanto rir.

— Ahhh, entendi. — disse, mal conseguindo controlar o sorriso. — Então não é de livro que você precisa. É de Sofia.

Thiago se recostou na cadeira, divertido.

— Meu amigo… você é durão até na hora de paquerar.

Thomas suspirou, resignado.

— Só não quero assustar ela.

Nathalia deu uma gargalhada curta, balançando a cabeça como quem não acreditava no que estava ouvindo.

— O grande Thomas preocupado em assustar alguém… isso eu nunca pensei que veria.

Thiago ergueu o copo de água, ainda rindo.

— A ruivinha conseguiu desmontar o policial mais durão da Cidade Norte sem nem saber.

Thomas passou a mão pela nuca, desconfortável, mas não negou.

Foi então que Nathalia se inclinou sobre a mesa, os olhos brilhando de malícia.

— Deixa comigo. — disse em tom cúmplice. — Eu dou uma ajudinha. Mas do meu jeito.

Thomas a olhou com desconfiança.

— O que isso significa?

Ela sorriu largo, misteriosa, já voltando ao trabalho como se nada tivesse acontecido.

— Que você vai me agradecer depois.

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