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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 257

CAÇA

O capanga rastejava pelo mato com a dor grudada nas costelas, mas a dor era só detalhe diante do ódio que o queimava por dentro. Cada respiração era raiva. Cada passo, vontade de acertar quem lhe devia algo — mesmo que essa coisa fosse só sangue e ordens.

Ele tirou o celular do bolso, as mãos trêmulas. Discou.

— Chefe, ela fugiu — ofegou. — A garota e a sua mulher, Márcia. Tô no mato atrás delas. Elas tão tentando dar a volta pra pegar a estrada. Não sei dizer exatamente onde.

Do outro lado da linha, a voz de Antônio veio baixa, como um corte:

— Cachorra. Acha essa garota. Agora.

— Chefe, não volte pra fazenda. A polícia invadiu lá. Mas coloca gente na ponte, tem um rio mais a frente, elas vão tentar seguir o rio. Não vão ter coragem de atravessam o rio gelado. Põe homens antes da ponte e espera.

Antônio desligou antes que o capanga pudesse responder. Ficou olhando a tela como se o mundo inteiro coubesse naquele retângulo luminoso.

— Preciso de homens que queiram dinheiro e não tenham dó. — falou para o motorista sem esperar réplica.

— Ok, chefe. — o motorista murmurou.

Na cidade, homens aceitaram a conta: cem mil por quem trouxesse as mulheres vivas. Valor suficiente para corromper qualquer consciência.

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Eloise e Márcia chegaram ao rio exaustas. O sol tímido batia cansado nas águas, o vento trazia cheiro de terra molhada e folhas esmagadas. Pararam, ajoelharam-se na margem, encheram as mãos com a água fria e beberam como quem tenta roubar força de um mundo que insiste em despedaçar tudo.

— Tenho a impressão de que alguém nos segue — sussurrou Eloise, a voz curta, os olhos vasculhando as sombras entre as árvores.

Márcia olhou para a mata e encolheu os ombros:

— Pode ser impressão. Vamos seguir o rio para cima. Talvez encontremos a estrada, uma casa, alguma coisa.

Elas recomeçaram a andar. Os passos tornaram-se lentos, arrastados. O cansaço enrouquecia o corpo e as palavras. O choro estava perto, mas nenhuma queria dá-lo; tinham regras silenciosas de sobrevivência.

Atrás, no mato, o capanga avançou acelerando. A dor nas costelas já nem doía tanto quanto a raiva. Rastros úmidos no chão o levaram direto até a margem do rio.

— As coelhinhas não são espertas — murmurou, rindo baixo.

A quarenta minutos dali na ponte homens armados se puseram em movimento. O comando vinha claro, sem misericórdia: cercar, prender, trazer. Era caça por dinheiro. Era serviço feito para quem não pergunta muito.

O vento mudou de direção. O rio seguiu seu curso. Eloise e Márcia caminhavam sem saber que, poucos quilômetros à frente, uma rede se fechava.

O som das botas no mato se misturava ao sussurro das árvores. A ponte esperava. E por trás dela, o ódio de um homem que não poupava nada nem ninguém.

O sol estava descendo devagar, pintando o céu num laranja que não combinava com a respiração curta de Eloise.

O rio corria abaixo delas, estreito, frio, cortando a mata como uma linha de faca.

Márcia foi a primeira a subir a trilha estreita.

Galhos arranhavam os braços.

Terra solta descia sob os pés.

— Cuidado — Eloise disse, ofegante.

— Não para. — Márcia respondeu, sem olhar para trás.

Atrás delas, na mata, o capanga avançava.

Não correndo. Não berrando. Não tropeçando.

Andando.

Como quem já sabe que a presa vai cansar primeiro.

A trilha subia mais. Mais íngreme. Mais estreita.

O vento começou a bater de lado, trazendo cheiro de pedra, musgo… e altura.

Estavam chegando ao alto.

Às pedras.

Ao penhasco.

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O capanga parou no início da subida.

Apoiado em uma árvore, arfando, sangue escorrendo do ombro.

Mas ele sorriu.

Não era cansaço.

Era fome.

Ele pegou o celular, dedos sujos de terra apertando as teclas.

— Chefe… encontrei o rastro. Elas tão subindo uma trilha. — disse, com um riso curto, sujo de ódio. — Não tem pra onde correr lá.

Silêncio do outro lado.

Então a voz.

Aquela voz.

Antônio.

— Não encosta nelas.

O capanga franziu o rosto.

— Senhor?

— Eu estou indo pessoalmente.

A respiração do capanga parou por meio segundo.

Porque quando Antônio ia pessoalmente…

Era porque ele queria olhar nos olhos quando acabasse.

— Entendido, chefe.

Antônio desligou.

___

Eloise parou de caminhar.

— Márcia… — ela sussurrou — eu ouvi algo.

Márcia congelou também.

Folhas. Passos. Pesados. Compassados.

Não era animal.

Era gente.

— Tem alguém vindo — Márcia disse, a voz baixa, sem tremor… mas com medo.

Eloise segurou o braço dela.

— Não podemos acompanhar o rio. Eles vão nos cercar na ponte. Precisamos mudar de estratégia, vamos pela aquela trilha.

Márcia olhou. A trilha era fina, subia. Cheia de espinhos e raízes.

Mas era o único caminho que não levava direto para a emboscada.

— Vamos. — disse Márcia.

Elas subiram.

O vento empurrava seu cabelo para trás.

A mata balançou.

Folhas se abriram.

Passos surgiram.

Primeiro o capanga.

Arma em punho.

Sorriso cortado no rosto.

— Aí estão meu ponte de ouro.

Eloise puxou Márcia para trás, instinto puro.

— Nem mais um passo. — Eloise disse, voz rouca, mas firme.

O capanga riu.

— Você acha mesmo que tem alguma escolha aqui?

Ele deu um passo.

E então…

Outro som.

Mais passos.

Mais pesados.

Capítulo 257 1

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