A Dúvida que Respira
O elevador se abriu e Eloise e José Monteiro caminhavam lado a lado até a recepção da presidência.
José assentiu e seguiu em direção à sala de Augusto.
Eloise ficou ali por um momento, observando até que a silhueta dele sumisse na curva do corredor.
Ela respirou fundo, ajeitando o cabelo atrás da orelha.
Quando se virou, encontrou Nathalia e Sofia tentando — claramente sem sucesso — fingir naturalidade.
— Então… o que vocês estão fofocando? — Eloise perguntou, arqueando uma sobrancelha.
Nathalia, que estava de braços cruzados e um sorriso travesso, rapidamente pôs as mãos atrás das costas, disfarçando.
— Nós? Esperando você, né! — respondeu, empolgada demais pra soar inocente.
Sofia assentiu, mas o brilho nos olhos a entregava.
Eloise estreitou o olhar.
— O que vocês estão aprontando…?
Nathalia deu um passo à frente, o sorriso crescendo devagar, quase teatral.
— Ah, eu estou ansiosa desde cedo. — comentou Sofia, já mordendo o lábio para não rir.
— Ansiosa com o quê, meu Deus? — Eloise perguntou, já sentindo o estômago apertar.
E foi então que Nathalia finalmente trouxe as mãos para frente.
Na palma:
Uma pequena caixa.
Eloise piscou.
— Um teste de gravidez?
O silêncio de um segundo foi quebrado quando Sofia soltou um risinho nervoso.
— Para que isso?! — Eloise exclamou, arregalando os olhos.
Nathalia cruzou os braços, segura de si:
— Para tirarmos. A. Dúvida.
— Eu já falei que não estou grávida! — Eloise rebateu.
Sofia inclinou a cabeça, doce e calma — mas firme:
— Elô, a gente sabe que você acha isso. Mas… você tem passado mal. Tem dormido demais. Tem bebido café sem parar pra se manter de pé.
Se for estresse, ok. Mas se não for… você precisa saber.
Nathalia completou:
— E se for um baby Monteiro a caminho, eu recuso que ele esteja nadando em cafeína desde o útero. — disse, apontando o dedo como se repreendesse uma criança.
Sofia riu. Eloise não conseguiu evitar um sorriso — pequeno, vencido.
— Vocês são impossíveis. — murmurou ela. — Ok, ok, vocês conseguiram.
Vou provar que não estou grávida.
Nathalia vibrou com um gritinho contido.
— YES! Vem, mulher!
Sofia ajeitou o crachá, assumindo o balcão como se estivesse entrando numa missão militar.
— Eu fico aqui. — disse ela, assumindo postura profissional. — Se alguém aparecer, eu seguro as pontas.
Mas voltem rápido.
— Por quê? — perguntou Eloise, já caminhando.
Sofia mordeu o lábio, segurando o riso:
— Porque eu estou morrendo de curiosidade.
Nathalia puxou Eloise pelo braço.
— Anda. Antes que eu faça eu mesma esse teste em você.
— Você não sabe nem usar um teste! — Eloise riu, sendo arrastada.
— Quer apostar?
As duas desapareceram pelo corredor em direção ao banheiro.
Sofia as observou ir.
Ficou sozinha no balcão, o telefone parado, o prédio correndo ao redor.
Ela respirou fundo — e um sorriso pequeno surgiu em seu rosto.
Algo grande estava prestes a acontecer.
E nenhuma delas estava preparada.
___
O corredor branco do hospital cheirava a antisséptico e silêncio. Thomas saiu do quarto com passos firmes, um leve sorriso atravessando o rosto enquanto apoiava o celular na orelha.
— Boas notícias, Cláudia. — disse, a voz carregada de triunfo contido. — Ele abriu o jogo. Informação limpa. Vamos conseguir pegar ela. E tem mais… ele mencionou um pen drive. Algo importante.
Do outro lado da linha, Cláudia comemorou baixinho, mas Thomas já estava chegando à saída do hospital, descendo a rampa automática para o saguão.
— Quando Carla menos esperar, pegamos ela — completou ele, ainda caminhando.
Quando alcançou a porta automática, uma voz feminina chamou seu nome:
— Investigador Thomas Alves?
Ele parou imediatamente, fechando os olhos por um segundo, como se precisasse voltar ao modo profissional.
— Cláudia, depois falamos. — disse rápido, encerrando a ligação e guardando o celular no bolso.
Virou-se.
Uma mulher estava ali — magra, olhar cansado, olhos que pareciam ter esquecido como era dormir. As mãos tremiam enquanto seguravam uma bolsa simples junto ao corpo.
— Sou eu. — respondeu Thomas, sério, mas não hostil. — Em que posso ajudar?
A mulher respirou fundo antes de falar:
— Meu nome é Paula Nunes Silva. Meu marido é Wesley Silva… ele está na Penitenciária Estadual.
Thomas não a interrompeu. Apenas observou — o modo como ela segurava as próprias mãos, como se impedisse que se desmanchassem.
— Desde que o companheiro de cela dele morreu — continuou ela, engolindo seco — ele tem tentado contato com o senhor. E com um homem chamado Augusto… mas… — ela suspirou — não sabemos sobrenome. Só que é importante. Muito importante.
Thomas sentiu o foco mudar imediatamente.
Silêncio.
Mas um silêncio cheio de significado.
— Você está dizendo que ele pode estar ligado ao nome que estamos procurando. — disse Augusto, devagar.
Thomas assentiu, mesmo sabendo que Augusto não o via.
— Eu estou dizendo… que a resposta que procuramos talvez esteja lá. — afirmou. — Se esse cara estiver falando a verdade, vamos descobrir quem está por trás de tudo isso. Vamos descobrir a verdadeira identidade do… Louvre.
O ar pareceu deixar os dois ao mesmo tempo.
Então Augusto apenas disse:
— Dez minutos. — disse Augusto, a voz baixa, quase sem respirar. — Me manda a localização.
A ligação caiu.
Thomas guardou o celular no bolso.
---
No alto da MonteiroCorp, a cidade se estendia pela janela da sala da presidência — luzes, sombras e silêncio.
Augusto ficou por um instante olhando para o reflexo no vidro.
Ele já sabia que esse dia chegaria.
Virou-se.
José Monteiro estava sentado à frente dele, ainda abalado pela conversa que haviam acabado de ter.
— Filho? — chamou José, ao perceber a mudança no semblante do Augusto. — O que aconteceu?
Augusto pegou o paletó, a voz baixa, firme, pronta para a guerra:
— Eu preciso ir ao presídio. Agora.
José se levantou também, preocupado.
— Presídio? Augusto, isso tem a ver com o que conversamos?
Augusto parou diante da porta.
Não olhou para trás.
— Tudo está ligado, pai. — respondeu, a voz carregada de algo que José reconheceu: fúria contida. — Eu só não posso explicar ainda.
José deu um passo à frente.
— Augusto…
Augusto abriu a porta.
— Quando eu voltar, talvez eu tenha um nome. — disse, gelado. — E quando eu tiver esse nome… essa guerra acaba.
José ficou em silêncio.
O homem que atravessou aquela porta já não era apenas Augusto Monteiro.
Era o CEO implacável.
O inimigo declarado.
E o fim de alguém estava mais próximo do que imaginavam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...