A noite tinha sido boa.
Boa de verdade.
Sofia chegou em casa exausta, o corpo cansado de dançar, a cabeça leve pelo vinho. Dormiu rápido, sem sonhos, sem pesadelos — um descanso raro.
Quando acordou, o sol já entrava pela janela da sala.
O corpo cansado, mas a mente estranhamente clara.
A festa tinha sido melhor do que ela esperava.
Tomou um banho rápido, amarrou o cabelo de qualquer jeito e saiu do quarto em direção à cozinha.
Foi quando ouviu vozes.
Ela diminuiu o passo.
Parado no corredor.
A conversa vinha baixa… mas nítida.
Nathalia e Laís estavam encostadas na bancada, café servido, falando baixo demais para ser conversa boba.
— Você acredita que o Thomas teve coragem de intimidar o Enzo? — Nathalia disse, incrédula.
Sofia sentiu o estômago afundar.
O coração deu um tranco seco.
— Como assim intimidar? — Laís perguntou, confusa.
— Ontem. Na choperia. — Nathalia bufou. — Ele foi atrás do Enzo na cozinha e mandou ele ficar longe da Sofia.
O mundo pareceu inclinar.
— Olha… — Laís suspirou — por um lado eu até entendo. Mas ele não tem direito nenhum . Não depois de tudo.
— Pois é. — Nathalia cruzou os braços. — E ainda deu a entender que eles vão voltar. Como se a Sofia fosse território marcado.
Laís arregalou os olhos.
— Sério isso?
— Sério. — Nathalia confirmou. — O Enzo contou pra mim e pra Emma. E o Enzo, né… não leva desaforo pra casa.
— O que ele respondeu?
Nathalia respirou fundo antes de dizer:
— Disse que só se afasta se a Sofia quiser.
Silêncio.
Um silêncio pesado, desconfortável.
Sofia sentiu algo estranho se formar no peito.
Não era só dor.
Era… clareza.
Ela ficou parada por um instante, ainda no corredor.
Não entrou na cozinha.
Ninguém vai decidir mais por mim.
Thomas ainda tentava controlá-la, mesmo depois de ter ido embora.
Mesmo depois de ter escolhido sair.
— Chega. — murmurou para si mesma, baixa… mas firme. — Isso termina aqui.
Ela respirou fundo e então entrou na cozinha.
Nathalia e Laís estavam ali. As duas tentaram disfarçar, sentiram o clima no mesmo segundo.
— Bom dia… — Nathalia disse com cuidado.
Sofia manteve o queixo erguido.
O maxilar travado.
O olhar decidido — como há muito tempo não se via.
— Ninguém decide mais por mim. — disse, firme, sem elevar a voz. — E eu vou deixar isso muito claro para o Thomas.
Nathalia franziu o cenho.
— Sofia… o que você vai fazer?
Lais tentou chamou.
— Sofia.
Sofia não respondeu.
Virou de costas. Caminhou até a sala. Pegou o buquê de rosas vermelhas que estava em cima da mesa — o mesmo buquê enviado por Thomas, bonito demais para carregar tanta confusão.
Sem dizer mais nada, saiu.
Elas ficaram ali, sentindo um arrepio estranho.
O silêncio voltou a ocupar o ambiente.
Mas, dessa vez, não era vazio.
Era o som de alguém retomando o próprio controle.
___
O porteiro do prédio de Thomas reconheceu Sofia imediatamente.
— Boa tarde, dona Sofia.
Ela assentiu, sem sorrir.
— Eu não vim discutir moral. — respondeu.
Ela jogou o buquê no chão, as rosas espalhando-se pelo mármore.
— Só vim devolver isso… e pedir uma coisa simples: me deixa em paz.
Thomas franziu a testa.
— Sofia—
— Não. — ela interrompeu. — Escuta agora.
Ela respirava rápido.
— Você escolheu terminar. Você escolheu. Então para de aparecer na minha vida. Para de mandar almoço, sobremesa, flores. Para de se fazer presente se você terminou.
As lágrimas começaram a descer, apesar da voz firme.
— Se eu quiser seguir minha vida com o Enzo… ou com qualquer outra pessoa… isso é problema meu.
Thomas deu um passo à frente.
— Eu me preocupo com você.
Sofia riu, chorando.
— Eu não aceito a sua preocupação. — disse, a voz quebrando. — Você não tem direito de mandar ninguém se afastar de mim. Eu sou solteira porque você quis assim.
O ar entre eles ficou pesado.
Thomas chegou mais perto. Perto demais.
Eles podiam sentir a respiração um do outro. O cheiro. A memória.
Ele olhou nos olhos dela. Depois na boca.
Ela sabia que aquele passo custaria caro depois. Mesmo assim, não recuou.
Não houve decisão. Só urgência. Saudade. Dor misturada com desejo.
O beijo veio bruto. Desesperado. Como quem tenta recuperar algo que já caiu do penhasco.
Thomas a agarrou pela cintura e a ergueu. Sofia entrelaçou as pernas ao redor dele, ofegante.
Eles não falaram mais nada.
Ele a levou direto para o quarto escuro.
E ali, naquele espaço onde sempre esconderam verdades…
eles deixaram o corpo falar aquilo que o coração já não conseguia organizar.
Mas Sofia sabia.
Aquilo não era reconciliação.
Era despedida em forma de incêndio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...