O telefone vibrou em cima da mesa.
Sofia estava de pijama, já na cama, o notebook apoiado nas pernas, os olhos atentos a mais um relatório que insistia em não esperar o dia seguinte.
Ela respirou fundo antes de atender.
— Alô. — disse firme, automática.
Do outro lado da linha, a voz que ela reconheceria em qualquer lugar.
— Preciso de você aqui com urgência. — Dante foi direto. — Temos um caso importante. E você é a mais indicada para assumir isso.
Sofia franziu levemente a testa, mas não hesitou.
— Amanhã estarei na Cidade Norte. — respondeu, já se reorganizando por dentro.
Houve uma breve pausa do outro lado.
Então Dante foi ainda mais decisivo:
— Sofia, está na hora de você voltar definitivamente para a Cidade Norte. Esse caso é grande. Vai te dar visibilidade, destaque… e, dependendo do desfecho, abrir caminho para algo maior.
Ela fechou o notebook devagar.
O coração acelerou.
— Talvez — ele continuou — depois disso, possamos conversar sobre sociedade no escritório.
Dante não precisava dizer mais nada.
Aquele sempre tinha sido o sonho dela.
A meta.
O ponto mais alto que ela vinha construindo passo a passo.
— Me dê apenas um dia. — Sofia respondeu, segura. — Organizo tudo aqui e sigo.
Do outro lado, ela percebeu o leve sorriso na voz dele.
— Eu não sou tão ruim quanto pareço. — disse Dante. — Tire o final de semana para organizar sua vida. Segunda-feira teremos uma reunião com o cliente.
— Obrigada. — Sofia respirou fundo. — Nos vemos segunda.
Quando ela já ia desligar, a voz dele voltou, mais séria:
— Conto com você. Não me decepcione.
A ligação foi encerrada.
Sofia ficou alguns segundos olhando para o teto, sentindo o peso — e a promessa — daquele convite.
Ali, sem alarde, sem plateia…
Um novo capítulo começava.
E dessa vez,
não havia volta.
___
Na mansão Monteiro.
Sofia entrou no jardim usando um vestido verde, leve, solto no corpo — costas nuas, tecido dançando com o vento a cada passo.
Thomas a viu.
E o coração dele disparou.
Dois anos.
Dois longos anos tentando vê-la.
Tentando cruzar com ela.
Tentando qualquer migalha de presença.
E nunca conseguia.
Os desencontros do destino pareciam quase cruéis.
E justo no dia em que ele não planejou, não esperou, não imaginou…
Ela estava ali.
Sofia caminhava com confiança.
Os cabelos, agora na altura dos ombros, ondulados, soltos, se movendo com o vento.
Salto nos pés.
Postura de quem sabia exatamente quem era.
Eloise foi a primeira a vê-la.
— RUIVINHA! — gritou, largando tudo e correndo para abraçá-la. — Que saudade!
Sofia riu ao ser envolvida naquele abraço apertado.
— Também senti sua falta.
Logo Nathalia se aproximou, já reclamando:
— Você não me avisou que vinha, doutora?!
— Os últimos dias foram uma loucura. — Sofia explicou. — Mudança, trabalho… tudo junto.
Laís arregalou os olhos.
— Pera. Vai mudar? Vai voltar para cidade Norte de vez?
Emma completou, animada:
— Nosso sonho!
Sofia riu, daquele jeito tranquilo que vinha usando ultimamente.
— Virou realidade.
Eloise parou no meio do jardim.
— MENTIRA.
Sofia apenas balançou a cabeça, confirmando.
Do outro lado, perto da churrasqueira, Augusto, Thiago, Ricardo, Heitor… e Thomas observavam.
— Que notícia foi essa pra elas ficarem tão eufóricas? — Heitor perguntou, curioso.
Ricardo virou o rosto lentamente para Thomas.
— E aí… como tá o coração, Thomas?
Todos olharam para ele ao mesmo tempo.
— O que foi? — Thomas rebateu. — Tá normal.
Augusto arqueou a sobrancelha.
— Duvido.
Thiago riu.
— Primeira vez que ele vê a Sofia depois que ela praticamente passou a morar na Cidade Sul. Claro que tá nervoso.
Thomas cruzou os braços.
— Dá pra parar? Elas estão vindo. Sem gracinha.
Sofia então levantou o olhar.
Viu Thomas.
Depois daquela última vez… nunca mais tinham se encontrado.
Ela sabia coisas sobre ele.
Mas fingia não se importar.
tinham conseguido apagar.
E talvez… irreversível.
O corredor que levava ao banheiro estava mais silencioso, distante do burburinho do jardim.
Sofia entrou primeiro, fechando a porta atrás de si. Encostou as mãos na pia e respirou fundo, encarando o próprio reflexo no espelho.
Dois anos.
E, ainda assim, o coração parecia reconhecer aquele espaço de confronto.
A porta se abriu de novo.
Ela não precisou virar para saber quem era.
— Sofia… — a voz de Thomas veio baixa, contida. — Você tá bem?
Ela ergueu o olhar devagar, encontrando o reflexo dele no espelho.
— Estou. — respondeu simples. — Estou bem.
Thomas assentiu, como se aquilo aliviasse… e ao mesmo tempo doesse.
Houve um silêncio curto.
— Você… — ele hesitou. — Você tá namorando?
Sofia virou-se de frente para ele agora.
Não havia surpresa no rosto. Nem raiva. Apenas calma.
— Não. — respondeu. — Por escolha, tenho focado no meu trabalho.
Ele engoliu seco.
— Eu pensei muito em você nesses anos.
Ela sorriu de leve. Não por deboche. Por compreensão.
— Eu sei.
Thomas deu um passo à frente, mas parou antes de invadir o espaço dela.
— Eu só queria saber se você… — ele respirou fundo. — Se você foi feliz longe de mim.
Sofia sustentou o olhar.
— Eu cresci. — disse. — Aprendi a ficar bem comigo. Isso mudou tudo.
A resposta caiu como um peso silencioso entre eles.
Ela caminhou em direção a porta.
— As meninas estão me esperando. — disse, já caminhando em direção à porta.
Antes de sair, parou por um segundo.
Virou o rosto apenas o suficiente para olhar para ele mais uma vez.
— Cuida de você, Thomas.
E saiu.
A porta fechou.
Thomas ficou ali, sozinho, olhando para o próprio reflexo no espelho.
Pela primeira vez, entendeu algo que nunca quis aceitar:
Sofia não tinha ido embora para puni-lo.
Ela tinha ido embora para se encontrar.
E agora…
talvez ele fosse apenas parte do passado que ela já tinha aprendido a carregar sem dor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Paguei e mesmo assim o capitulo não abre... :(...
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...