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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 103

O Japão não os recebeu com pressa. O desembarque em Tóquio aconteceu com a precisão silenciosa que só o Japão parecia dominar. Nada de empurra-empurra, nada de vozes elevadas. Pessoas se moviam como se cada passo tivesse sido previamente calculado — e, de certa forma, tinha.

Valentina percebeu isso antes mesmo de colocar os pés no solo.

— É diferente… — murmurou, instintivamente, enquanto caminhava ao lado de Rafael pelo finger.

— Aqui tudo é — respondeu ele, baixo. — Inclusive o poder.

Ela não comentou, mas sentiu.

O ar parecia mais limpo. Não no sentido literal, mas no simbólico. Como se ali o excesso fosse indelicado e o silêncio, uma forma de autoridade.

Moreira caminhava alguns passos atrás, atento, já com o telefone na mão. Assim que atravessaram o portão de desembarque internacional, ele se aproximou.

— Senhor — disse, contido —, fomos informados de uma mudança.

Rafael inclinou levemente a cabeça, sinal para continuar.

— O senhor Yamamoto não poderá vir recepcioná-los. Houve uma reunião de emergência envolvendo a divisão de tecnologia quântica.

Fez uma pausa curta.

— As senhoras Yamamoto, Akemi e Hana, estarão aqui. E também fomos informados de que ficaremos hospedados… na residência da família.

Valentina soltou o ar devagar.

— Melhor assim… — comentou, sem perceber que falava em voz alta.

Rafael virou o rosto para ela.

— Melhor?

— Aquele homem me dá medo. — disse, com franqueza quase inocente.

Por um segundo, algo muito próximo de um sorriso cruzou o rosto de Rafael.

Moreira pigarreou, contido.

— Senhor Yamamoto carrega meio nordeste asiático nas costas, senhora. — disse, com respeito absoluto. — Um homem com esse nível de poder… precisa dar medo.

Valentina pensou por alguns segundos antes de responder.

— Talvez. — disse, por fim. — Mas homens assim também perdem muita coisa no caminho.

Olhou à frente, onde funcionários aguardavam alinhados.

— Liberdade. Amor. Leveza. Eu admiro homens que gostam de dinheiro… mas também sinto pena. Ter tanto e, no fim da vida, contar apenas com o vazio.

Rafael diminuiu o passo por um segundo.

Mas não parou.

Seguiram por um corredor reservado, longe do fluxo principal. Uma sala privativa os aguardava — ampla, minimalista, com paredes claras e mobiliário discreto. Tudo ali parecia caro sem precisar provar nada.

Akemi estava impecável como sempre — postura serena, elegância contida, o tipo de presença que não precisava se impor. Hana, ao lado dela, tinha o sorriso mais aberto, os olhos atentos demais para passar despercebida.

Rafael foi o primeiro a se aproximar.

— Senhora Yamamoto. — cumprimentou, com respeito absoluto. — Senhorita Hana. É um prazer revê-las.

Akemi inclinou levemente a cabeça.

— Senhor Montenegro. — respondeu. — A satisfação é nossa.

Hana sorriu, observando os dois, antes de voltar a atenção para Valentina.

— Valentina… — disse, aproximando-se. — Que bom vê-la novamente.

— Senhora Yamamoto, o prazer é meu. — Valentina respondeu, com naturalidade. — Fico feliz em revê-las.

Hana não resistiu à informalidade e a envolveu num abraço breve, espontâneo, quebrando a rigidez do ambiente.

— Você está ainda mais bela desde a última vez que nos vimos. — comentou, avaliando-a com humor. — Preciso saber o nome desse creme milagroso.

Valentina riu, leve.

— Segredo de Estado. — respondeu. — Mas posso abrir exceção se você me contar como vocês conseguem ter essa pele perfeita.

Hana abriu um sorriso cúmplice.

Akemi observava a troca em silêncio, atenta.

— É muito bom revê-las. — Valentina acrescentou. — Os últimos meses passaram rápido demais.

— Passaram mesmo. — Akemi concordou. —

Akemi fez um gesto discreto com a mão.

— Os carros estão prontos. — informou. — A residência não fica longe.

Hana se aproximou de Valentina, com um sorriso leve.

— Espero que não estejam exaustos. — disse. — O fuso costuma cobrar seu preço.

Valentina inclinou levemente a cabeça.

— Ainda estou tentando convencer meu corpo de que é dia. — respondeu, com humor contido.

Hana riu, satisfeita.

Rafael observava em silêncio, atento à dinâmica, ao espaço, às sutilezas que não apareciam em contratos.

— Então vamos. — disse, por fim.

Não foi pressa.

Foi comando calmo.

A comitiva se reorganizou com naturalidade, como se cada movimento já estivesse previsto. Em poucos minutos, seguiram pelo corredor reservado em direção à saída privativa.

Os portões se abriram sem ruído.

Não foi um ranger metálico, nem o aviso de sensores. Foi um deslizamento suave, preciso, quase cerimonial — como se a casa tivesse decidido aceitá-los.

O carro avançou lentamente pela alameda extensa, ladeada por árvores perfeitamente podadas, lanternas de pedra e caminhos que pareciam levar a lugares que Valentina não conseguiria memorizar nem em um mês inteiro.

Ela encostou o rosto no vidro por instinto.

Não era apenas grande.

— Onde o poder mora. — ela completou.

Ele a olhou de lado, avaliando.

— Você percebe rápido.

— Eu aprendi vendo dorama. — disse, rindo de si mesma. — Isso aqui parece A Rainha das Lágrimas. Só que versão intimidadora. Ai... Que fascinante. Disse rindo sozinha.

A ala destinada a eles era, sozinha, maior do que muitos apartamentos de luxo que Valentina já tinha visto.

Sala ampla.

Cozinha completa.

Tecnologia integrada sem ostentação.

Quartos separados, mas conectados por uma antessala comum.

— Eu juro… — Valentina disse, girando lentamente no próprio eixo — …nunca vi nada assim.

O cheiro era uma mistura estranha e fascinante: madeira antiga, tatames preservados, tecnologia nova demais para fazer barulho. Velho e novo Japão convivendo sem pedir licença.

Moreira deixou as malas no lugar indicado e se afastou alguns passos, profissional como sempre.

— Estarei disponível caso precisem de algo. — informou. — O jantar foi marcado para às dezenove horas.

— Obrigado, Moreira. — Rafael respondeu.

Assim que ficaram sozinhos, o silêncio voltou a se instalar.

Valentina caminhou até uma das janelas amplas. Do lado de fora, um jardim interno se estendia com pedras, água corrente e uma cerejeira ainda sem flores — promessa contida.

— É bonito. — disse. — E assustador ao mesmo tempo.

Rafael aproximou-se, ficando ao lado dela, sem tocar.

— Lugares de poder sempre são.

Ela respirou fundo.

— Acho que agora entendo por que essa fusão é tão importante pra você. — comentou. — Aqui… vocês não são iguais.

— Não. — ele concordou.

Valentina o olhou com atenção.

— Irei representar o papel de esposa perfeitamente Rafael.

Rafael sustentou o olhar dela por alguns segundos.

O silêncio que se seguiu foi um pouco desconfortável.

— Melhor descansarmos. — Rafael disse por fim.

Valentina assentiu.

Ele a observou caminhar até o quarto designado.

Quando a porta se fechou, Rafael permaneceu alguns segundos parado no meio da sala, sentindo o peso do lugar e da responsabilidade.

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