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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 104

Valentina fechou a porta atrás de si com cuidado, como se qualquer som mais alto pudesse acordar a própria casa. O ambiente era amplo, elegante, com uma mistura quase hipnótica de tradição e modernidade: paredes de madeira escura, iluminação indireta embutida no teto, painéis deslizantes que davam acesso a um jardim interno e, ao centro, uma cama.

Uma cama enorme.

Grande demais para ser ignorada.

Impossível demais para fingir que não existia.

Valentina deu dois passos para dentro e parou.

Piscou uma vez.

Piscou duas.

Abriu a boca.

Fechou.

— Não… — murmurou para si mesma.

Olhou ao redor em busca de qualquer coisa que contradissesse aquilo. Um sofá-cama. Uma segunda porta. Um erro de interpretação. Mas não havia. O quarto era claramente um quarto de casal. Elegante, sofisticado… e inegavelmente pensado para duas pessoas que dividiam mais do que espaço.

— Droga… — sussurrou.

Até ali, tudo bem. Viagem. Casa gigantesca. Poder japonês em estado puro.

Mas aquilo?

Aquilo significava dias.

Semanas.

Dormindo juntos.

Ela passou a mão pelos cabelos, o coração acelerando um pouco mais do que gostaria de admitir.

— Claro… — murmurou, irônica. — Porque por que não?

A porta se abriu novamente.

Valentina se virou no mesmo instante.

Rafael entrou com a mesma postura controlada de sempre, o paletó já pendurado no braço, a expressão neutra demais para alguém que claramente também tinha notado a configuração do quarto.

Os olhos dele passaram pelo espaço uma única vez.

Foi o suficiente.

— Eu… — Valentina começou, mas parou. Respirou fundo e foi direto ao ponto:

— Eu esqueci que teríamos que dormir juntos.

Rafael fechou a porta com calma. Cruzou os braços, encostando-se levemente à parede.

— E isso é ruim? — perguntou.

A pergunta veio simples demais.

Direta demais.

Valentina o encarou por um segundo. E, contra a própria vontade, a lembrança veio.

O clube.

O álcool.

O peso do corpo dele.

A respiração pesada.

Aquela noite confusa em que ele dormiu rápido demais para qualquer coisa — mas perto o suficiente para bagunçar tudo dentro dela.

— Não é isso… — respondeu, desviando o olhar. — Mas… eu fico com o sofá. Você com a cama.

Rafael franziu o cenho.

Não soube dizer exatamente por quê, mas algo naquela frase o irritou.

— Não. — respondeu, seco.

Ela voltou o olhar para ele.

— Como assim, não?

— Não há sofá. — disse. — E mesmo que houvesse, isso seria imprudente.

— Imprudente é dividir uma cama. — rebateu.

Rafael descruzou os braços, dando dois passos à frente.

— Imprudente é sermos vistos dormindo separados. — respondeu, firme. — Estamos na casa de um homem que observa tudo. Aparências aqui não são opcionais.

Valentina engoliu em seco.

— A cama é grande. — ele continuou. — Não vamos ultrapassar nenhum limite.

Fez uma pausa curta. Precisa.

— E, francamente, senhora Montenegro… você não faz o meu estilo. E eu não faço o seu.

A frase veio limpa. Controlada.

E, ainda assim, doeu mais do que ela esperava.

— Então não há motivo para preocupação. — concluiu.

Antes que Valentina pudesse responder, Rafael pegou uma muda de roupa e seguiu em direção ao banheiro.

A porta se fechou.

Valentina ficou parada no meio do quarto.

Piscando.

Abrindo e fechando a boca como um peixe fora d’água.

— Você não faz o meu tipo… — murmurou, incrédula.

Repetiu, mais baixo:

— Você não faz o meu tipo…

Bufou.

— Como se um homem como Rafael Montenegro tivesse tipo. — resmungou. — Deve gostar daquelas mulheres chatas, geladas, que combinam com o terno e não fazem perguntas.

A porta do banheiro se abriu.

Valentina deu um pulo tão rápido que quase tropeçou no próprio pé.

Rafael saiu vestindo um pijama confortável, simples, mas absurdamente bem cortado. O cabelo estava um pouco bagunçado pela água. Relaxado demais para alguém que acabara de declarar desinteresse.

Ela desviou o olhar.

E só então percebeu.

As malas.

Todas abertas.

Todas organizadas.

Roupas já dobradas. Sapatos alinhados. Até os produtos de higiene estavam dispostos com precisão cirúrgica.

— As empregadas daqui são mais eficiente que às da mansão — murmurou.

Rafael não disse nada. Apenas se sentou à beira da cama, mexendo no celular com tranquilidade excessiva.

Valentina entrou no banheiro.

O vapor do banho ajudou a acalmar os pensamentos — um pouco. Quando saiu, sua roupa já estava separada sobre a bancada.

Uma camisola preta. Fina. Elegante.

Escolhida por Bianca.

Valentina fechou os olhos por um segundo.

— Droga… — sussurrou. — Eu devia ter pensado nessa possibilidade.

Vestiu a camisola, encarando o próprio reflexo.

— Bianca… — murmurou. — Por que eu deixei você comprar minhas roupas?

Pegou o roupão e praticamente se enrolou inteira, como se pudesse desaparecer ali dentro. Saiu do banheiro com passos cuidadosos.

Rafael levantou o olhar por um segundo.

Nada disse.

Mas viu.

Valentina atravessou o quarto em linha reta e deitou-se na cama do lado oposto, rígida como uma tábua. Braços colados ao corpo. Olhar fixo no teto.

Rafael apagou a luz principal. Fechou as cortinas.

Deitou-se do outro lado.

O silêncio se instalou.

O fuso horário pesava. O corpo pedia descanso. A mente ainda resistia, mas não por muito tempo.

Aos poucos, a respiração dela ficou mais lenta.

A dele também.

Rafael acordou antes.

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