Valentina e Rafael caminharam a passos calmos em direção à sala de jantar.
A casa Yamamoto era imponente sem ser excessiva. Cada corredor parecia carregar uma história própria, e nenhum detalhe estava ali por acaso. Valentina observava em silêncio, o coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria, com um único pensamento martelando a mente:
Não estragar nada.
Inconscientemente, os dedos dela apertaram o braço de Rafael a cada passo que os aproximava da porta principal da sala. Ele percebeu.
Sem chamar atenção, levou a mão até a dela, envolvendo-a com firmeza tranquila, e inclinou-se o suficiente para que só ela ouvisse.
— Fica calma. — murmurou. — Aja naturalmente. Esse jantar não é tão difícil quanto parece.
Valentina olhou para as mãos entrelaçadas. O contraste era imediato: a dela fria, tensa; a dele quente, estável. Aquilo ajudou mais do que ela admitiria em voz alta.
Seguiram em silêncio até que a funcionária que os acompanhava parou e, com um gesto formal, abriu as portas deslizantes.
Valentina percebeu no mesmo instante.
Aquilo não era como a mansão Montenegro, onde o luxo gritava em cada superfície polida. Ali, a riqueza não precisava provar nada. Cada canto carregava valores inestimáveis — não pelo brilho, mas pela história.
O aroma suave tomou o ar com delicadeza: caldo quente, peixe fresco, arroz recém-preparado. Nada invadia. Nada competia. Tudo se apresentava com respeito, como quem sabe que será notado sem esforço.
A sala de jantar era ampla, mas não grandiosa no sentido ocidental. Uma mesa baixa de madeira nobre ocupava o centro, cercada por almofadas perfeitamente alinhadas. Lanternas de papel filtravam a luz em tons quentes, íntimos. Ao fundo, um jardim interno surgia através de painéis de vidro — pedras, água correndo lentamente, silêncio vivo.
O senhor Yamamoto já estava à mesa.
Cabelos grisalhos alinhados com precisão, postura reta, olhar atento demais para ser casual. Não havia sorriso. Não havia hostilidade. Apenas controle absoluto.
À sua direita, Akemi — impecável, contida, o tipo de mulher que governa sem jamais levantar a voz.
À esquerda, Hana — elegante, viva, um sorriso discreto demais para ser inocente. Importante demais para ser ignorada.
A hierarquia era clara.
A mensagem, entregue.
Rafael foi o primeiro a se aproximar, fazendo uma leve inclinação de cabeça. Valentina o acompanhou no mesmo ritmo, sem exageros, sem rigidez.
— Senhor Yamamoto. — Rafael cumprimentou.
— Senhor Montenegro. — Yamamoto respondeu, a voz baixa, firme. — Senhora Montenegro.
Valentina sustentou o olhar apenas o tempo necessário.
— É uma honra revê-lo. — disse, clara, sem excessos e com uma leve reverência.
Ele a observou por um segundo mais longo do que o socialmente necessário.
Depois, assentiu.
Os pratos começaram a ser servidos em sequência, cada um respeitando um tempo próprio — não havia pressa, nem espetáculo.
Primeiro, zōsui: um caldo claro, quente, reconfortante, servido como abertura e acolhimento.
Depois, o sashimi, disposto como uma obra de arte silenciosa — atum, salmão, peixe branco. Cortes precisos demais para serem casuais. Nada ali existia por acaso.
O arroz veio separado, simples, respeitado.
Pequenos acompanhamentos completavam a mesa — legumes marinados, tofu delicado, algas — ocupando o espaço com uma humildade elegante.
Valentina observava tudo com atenção genuína.
O jantar seguiu sem discursos, sem brindes, sem necessidade de marcar importância. Durante alguns minutos, só se ouviu o som discreto dos talheres, o deslizar suave das peças, a casa respirando ao redor deles.
— Espero que seja do seu agrado, senhora Montenegro. — Hana comentou, com um sorriso leve.
Valentina retribuiu o sorriso.
— Está impecável. E delicioso.
O silêncio voltou, confortável.
— A viagem foi tranquila? — o senhor Yamamoto perguntou algum tempo depois.
Rafael respondeu sem rodeios:
— Foi tranquila.
Akemi inclinou levemente a cabeça.
— O fuso horário costuma cobrar seu preço. Não hesitem em descansar.
Valentina acompanhou o gesto com naturalidade.
— Agradecemos a hospitalidade e o cuidado, senhora Yamamoto. — disse. — Confesso que ainda não tinha sentido um jet lag tão intenso. Costumava viajar bastante entre o Brasil, Boston, Nova York… mas esse fuso é outra experiência.
Falou com leveza, quase rindo de si mesma.
O senhor Yamamoto levou o hashi à boca e balançou a cabeça em concordância discreta.
O jantar seguiu assim: comentários leves, pausas longas, nenhum esforço para preencher o silêncio. Yamamoto comentou brevemente sobre o clima, sobre como Tóquio mudava de humor conforme as estações. Nada de negócios. Nada de números.
Quando o último prato foi retirado, ele pousou o guardanapo com calma.
— Amanhã falamos de trabalho. — disse. — Hoje foi apenas um jantar.
— Um bom jantar. — Hana acrescentou, satisfeita.
Akemi assentiu.
— A casa estará silenciosa esta noite. — disse, olhando para Valentina. — Aproveite.
— Obrigada. — Valentina respondeu, sem excessos.
Ao se levantarem, não houve despedidas teatrais. Apenas o entendimento tácito de que aquele encontro tinha cumprido exatamente o papel que deveria.
No corredor, já longe da sala, Valentina soltou o ar devagar.
— Foi melhor do que eu esperava.

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