Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 105

Valentina e Rafael caminharam a passos calmos em direção à sala de jantar.

A casa Yamamoto era imponente sem ser excessiva. Cada corredor parecia carregar uma história própria, e nenhum detalhe estava ali por acaso. Valentina observava em silêncio, o coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria, com um único pensamento martelando a mente:

Não estragar nada.

Inconscientemente, os dedos dela apertaram o braço de Rafael a cada passo que os aproximava da porta principal da sala. Ele percebeu.

Sem chamar atenção, levou a mão até a dela, envolvendo-a com firmeza tranquila, e inclinou-se o suficiente para que só ela ouvisse.

— Fica calma. — murmurou. — Aja naturalmente. Esse jantar não é tão difícil quanto parece.

Valentina olhou para as mãos entrelaçadas. O contraste era imediato: a dela fria, tensa; a dele quente, estável. Aquilo ajudou mais do que ela admitiria em voz alta.

Seguiram em silêncio até que a funcionária que os acompanhava parou e, com um gesto formal, abriu as portas deslizantes.

Valentina percebeu no mesmo instante.

Aquilo não era como a mansão Montenegro, onde o luxo gritava em cada superfície polida. Ali, a riqueza não precisava provar nada. Cada canto carregava valores inestimáveis — não pelo brilho, mas pela história.

O aroma suave tomou o ar com delicadeza: caldo quente, peixe fresco, arroz recém-preparado. Nada invadia. Nada competia. Tudo se apresentava com respeito, como quem sabe que será notado sem esforço.

A sala de jantar era ampla, mas não grandiosa no sentido ocidental. Uma mesa baixa de madeira nobre ocupava o centro, cercada por almofadas perfeitamente alinhadas. Lanternas de papel filtravam a luz em tons quentes, íntimos. Ao fundo, um jardim interno surgia através de painéis de vidro — pedras, água correndo lentamente, silêncio vivo.

O senhor Yamamoto já estava à mesa.

Cabelos grisalhos alinhados com precisão, postura reta, olhar atento demais para ser casual. Não havia sorriso. Não havia hostilidade. Apenas controle absoluto.

À sua direita, Akemi — impecável, contida, o tipo de mulher que governa sem jamais levantar a voz.

À esquerda, Hana — elegante, viva, um sorriso discreto demais para ser inocente. Importante demais para ser ignorada.

A hierarquia era clara.

A mensagem, entregue.

Rafael foi o primeiro a se aproximar, fazendo uma leve inclinação de cabeça. Valentina o acompanhou no mesmo ritmo, sem exageros, sem rigidez.

— Senhor Yamamoto. — Rafael cumprimentou.

— Senhor Montenegro. — Yamamoto respondeu, a voz baixa, firme. — Senhora Montenegro.

Valentina sustentou o olhar apenas o tempo necessário.

— É uma honra revê-lo. — disse, clara, sem excessos e com uma leve reverência.

Ele a observou por um segundo mais longo do que o socialmente necessário.

Depois, assentiu.

Os pratos começaram a ser servidos em sequência, cada um respeitando um tempo próprio — não havia pressa, nem espetáculo.

Primeiro, zōsui: um caldo claro, quente, reconfortante, servido como abertura e acolhimento.

Depois, o sashimi, disposto como uma obra de arte silenciosa — atum, salmão, peixe branco. Cortes precisos demais para serem casuais. Nada ali existia por acaso.

O arroz veio separado, simples, respeitado.

Pequenos acompanhamentos completavam a mesa — legumes marinados, tofu delicado, algas — ocupando o espaço com uma humildade elegante.

Valentina observava tudo com atenção genuína.

O jantar seguiu sem discursos, sem brindes, sem necessidade de marcar importância. Durante alguns minutos, só se ouviu o som discreto dos talheres, o deslizar suave das peças, a casa respirando ao redor deles.

— Espero que seja do seu agrado, senhora Montenegro. — Hana comentou, com um sorriso leve.

Valentina retribuiu o sorriso.

— Está impecável. E delicioso.

O silêncio voltou, confortável.

— A viagem foi tranquila? — o senhor Yamamoto perguntou algum tempo depois.

Rafael respondeu sem rodeios:

— Foi tranquila.

Akemi inclinou levemente a cabeça.

— O fuso horário costuma cobrar seu preço. Não hesitem em descansar.

Valentina acompanhou o gesto com naturalidade.

— Agradecemos a hospitalidade e o cuidado, senhora Yamamoto. — disse. — Confesso que ainda não tinha sentido um jet lag tão intenso. Costumava viajar bastante entre o Brasil, Boston, Nova York… mas esse fuso é outra experiência.

Falou com leveza, quase rindo de si mesma.

O senhor Yamamoto levou o hashi à boca e balançou a cabeça em concordância discreta.

O jantar seguiu assim: comentários leves, pausas longas, nenhum esforço para preencher o silêncio. Yamamoto comentou brevemente sobre o clima, sobre como Tóquio mudava de humor conforme as estações. Nada de negócios. Nada de números.

Quando o último prato foi retirado, ele pousou o guardanapo com calma.

— Amanhã falamos de trabalho. — disse. — Hoje foi apenas um jantar.

— Um bom jantar. — Hana acrescentou, satisfeita.

Akemi assentiu.

— A casa estará silenciosa esta noite. — disse, olhando para Valentina. — Aproveite.

— Obrigada. — Valentina respondeu, sem excessos.

Ao se levantarem, não houve despedidas teatrais. Apenas o entendimento tácito de que aquele encontro tinha cumprido exatamente o papel que deveria.

No corredor, já longe da sala, Valentina soltou o ar devagar.

— Foi melhor do que eu esperava.

Então teve uma ideia.

Pegou algumas almofadas grandes, depois mais duas menores, e começou a empilhá-las no meio da cama com uma concentração quase solene. Ajustou, empurrou, alinhou.

Um muro.

— Pronto. — declarou, satisfeita. — Deste lado é meu. Do outro, dele. Quero ver quem atravessa.

Deu um passo para trás, avaliando a obra com orgulho.

— Arquitetura defensiva. Funcional.

Foi até o banheiro, tomou um banho rápido, mais para acalmar a mente do que o corpo. Quando voltou, vestiu uma camisola simples e confortável — nada estratégica, decidiu.

Apagou a luz principal, deixando apenas a iluminação suave da lateral.

Deitou-se do seu lado da cama, longe do “território inimigo”, puxou a coberta e pegou o celular.

Mensagens acumuladas.

Bianca, claro.

Ela abriu a conversa, rindo sozinha enquanto lia.

“E ENTÃO??? Já virou esposa de dorama? Já se perdeu na casa? Já tropeçou num samurai ancestral?”

Valentina digitou uma resposta curta.

“Casa gigante. Jantar impecável. Nenhum samurai até agora.”

A próxima mensagem veio quase instantânea.

“E O QUARTO?”

Valentina suspirou, encarando o teto.

“Não pergunte.”

Bloqueou o celular antes que viesse a próxima avalanche de emojis e teorias absurdas.

Colocou-o sobre a mesa lateral.

O corpo, finalmente, cobrou o preço do dia longo, do fuso horário, da tensão acumulada.

Ela se virou de lado, de frente para o muro improvisado.

— Aqui ninguém ultrapassa. — murmurou, já com a voz mais lenta.

O pensamento se dissolveu antes de terminar.

Valentina adormeceu sem perceber.

Na sala ao lado, Rafael falava baixo ao telefone enquanto Moreira digitava algo no notebook.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário