O som dos teclados tomou a sala.
Não era barulho — era urgência.
Moreira digitava com rapidez cirúrgica, alternando entre mapas, relatórios internos, câmeras públicas e sistemas privados da Montenegro Corp. O notebook principal projetava no monitor maior uma malha digital de Tóquio, pontos pulsando em vermelho e amarelo conforme o sinal do celular de Valentina surgia e desaparecia.
Rafael estava de pé agora.
— Sinal reapareceu. — Moreira disse, a voz firme, mas tensa. — Fraco. Intermitente. Bairro de Katsushika.
Hana levou a mão à boca.
— Isso é… longe. — murmurou.
Yamamoto fechou os olhos por um segundo.
— Fora do eixo turístico. — completou Akemi. — Próximo a áreas residenciais e vilas industriais antigas.
Rafael não reagiu de imediato.
Katsushika.
A mente dele trabalhava rápido demais. Rotas. Tempo. Motivações. Não era um sequestro impulsivo. Aquilo exigia deslocamento, planejamento, cobertura.
— Isso não foi oportunidade. — disse, por fim. — Foi preparo.
Virou-se para Yamamoto.
— Quantos homens o senhor consegue mobilizar sem levantar suspeitas?
— Quantos forem necessários. — Yamamoto respondeu, sem hesitar. — Silenciosos. Leais. Alguns já estão a caminho.
Rafael assentiu uma única vez.
— Quero perímetro fechado. — disse. — Nada de alarde. Quem pegou Valentina não quer atenção. Ainda.
Hana respirava rápido agora, tentando se manter firme.
— Ela estava tão feliz… — murmurou, mais para si do que para os outros.
Rafael ouviu.
E sentiu.
O erro antigo abriu espaço no peito como uma ferida mal cicatrizada.
Foi então que o telefone dele vibrou.
Uma vez.
Duas.
Ele olhou para a tela.
Bianca.
Rafael não atendeu de imediato.
Moreira ergueu o olhar.
— Senhor…
— Atenda. — Rafael disse. — Coloque no viva-voz.
O toque cessou.
E voltou imediatamente.
Moreira tocou na tela.
— Alô? — Bianca disparou, sem respirar. — Pelo amor de Deus, onde ela está?! A ligação caiu, a câmera virou, eu vi pessoas, eu vi LUZES—
— Bianca. — Rafael interrompeu, a voz firme. — Respira.
Houve um segundo de silêncio do outro lado.
Depois um soluço contido.
— Ela sumiu, Rafael. — Bianca disse, a voz quebrada. — Um segundo ela tava rindo, mostrando uma rua… no outro, o celular caiu. Eu gritei. Eu GRITEI. Ela não respondeu.
Rafael fechou os olhos por um instante.
— Você fez certo em ligar. — disse. — Agora eu preciso que você me diga exatamente o que viu.
Bianca engoliu em seco.
— Eu achei incrível. Sempre achei. Já tinha ido lá outras vezes, não era um lugar estranho. — Bianca começou, a voz baixa demais para quem sempre falava alto. — Os prédios são conectados por dentro. Corredores que davam em outras ruas. A gente estava rindo…
Ela respirou fundo, como se organizar as palavras fosse fisicamente difícil.
— Eu disse pra ela entrar. — continuou, a culpa escapando agora. — Falei que era legal, diferente… que parecia um labirinto vivo. A gente estava brincando com isso.
O estômago de Rafael se contraiu.
— E então? — perguntou, controlando a própria voz.
— Ela entrou achando que sairia do outro lado. Como tinha feito antes. — Bianca engoliu em seco. — Mas dessa vez… não era.
O silêncio do outro lado da linha pesou.
— Bianca… — Rafael chamou, firme.
— Foi minha culpa. — ela interrompeu, a voz falhando de vez. — Eu não devia ter indicado aquele lugar. Eu não devia ter incentivado.
Um soluço escapou.
— A gente estava rindo, Rafael. Rindo. Ela estava feliz. Segura. — a respiração ficou irregular. — E de repente… ela não respondeu mais. A imagem começou a tremer. Eu achei que era sinal.

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