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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 122

O som dos teclados tomou a sala.

Não era barulho — era urgência.

Moreira digitava com rapidez cirúrgica, alternando entre mapas, relatórios internos, câmeras públicas e sistemas privados da Montenegro Corp. O notebook principal projetava no monitor maior uma malha digital de Tóquio, pontos pulsando em vermelho e amarelo conforme o sinal do celular de Valentina surgia e desaparecia.

Rafael estava de pé agora.

— Sinal reapareceu. — Moreira disse, a voz firme, mas tensa. — Fraco. Intermitente. Bairro de Katsushika.

Hana levou a mão à boca.

— Isso é… longe. — murmurou.

Yamamoto fechou os olhos por um segundo.

— Fora do eixo turístico. — completou Akemi. — Próximo a áreas residenciais e vilas industriais antigas.

Rafael não reagiu de imediato.

Katsushika.

A mente dele trabalhava rápido demais. Rotas. Tempo. Motivações. Não era um sequestro impulsivo. Aquilo exigia deslocamento, planejamento, cobertura.

— Isso não foi oportunidade. — disse, por fim. — Foi preparo.

Virou-se para Yamamoto.

— Quantos homens o senhor consegue mobilizar sem levantar suspeitas?

— Quantos forem necessários. — Yamamoto respondeu, sem hesitar. — Silenciosos. Leais. Alguns já estão a caminho.

Rafael assentiu uma única vez.

— Quero perímetro fechado. — disse. — Nada de alarde. Quem pegou Valentina não quer atenção. Ainda.

Hana respirava rápido agora, tentando se manter firme.

— Ela estava tão feliz… — murmurou, mais para si do que para os outros.

Rafael ouviu.

E sentiu.

O erro antigo abriu espaço no peito como uma ferida mal cicatrizada.

Foi então que o telefone dele vibrou.

Uma vez.

Duas.

Ele olhou para a tela.

Bianca.

Rafael não atendeu de imediato.

Moreira ergueu o olhar.

— Senhor…

— Atenda. — Rafael disse. — Coloque no viva-voz.

O toque cessou.

E voltou imediatamente.

Moreira tocou na tela.

— Alô? — Bianca disparou, sem respirar. — Pelo amor de Deus, onde ela está?! A ligação caiu, a câmera virou, eu vi pessoas, eu vi LUZES—

— Bianca. — Rafael interrompeu, a voz firme. — Respira.

Houve um segundo de silêncio do outro lado.

Depois um soluço contido.

— Ela sumiu, Rafael. — Bianca disse, a voz quebrada. — Um segundo ela tava rindo, mostrando uma rua… no outro, o celular caiu. Eu gritei. Eu GRITEI. Ela não respondeu.

Rafael fechou os olhos por um instante.

— Você fez certo em ligar. — disse. — Agora eu preciso que você me diga exatamente o que viu.

Bianca engoliu em seco.

— Eu achei incrível. Sempre achei. Já tinha ido lá outras vezes, não era um lugar estranho. — Bianca começou, a voz baixa demais para quem sempre falava alto. — Os prédios são conectados por dentro. Corredores que davam em outras ruas. A gente estava rindo…

Ela respirou fundo, como se organizar as palavras fosse fisicamente difícil.

— Eu disse pra ela entrar. — continuou, a culpa escapando agora. — Falei que era legal, diferente… que parecia um labirinto vivo. A gente estava brincando com isso.

O estômago de Rafael se contraiu.

— E então? — perguntou, controlando a própria voz.

— Ela entrou achando que sairia do outro lado. Como tinha feito antes. — Bianca engoliu em seco. — Mas dessa vez… não era.

O silêncio do outro lado da linha pesou.

— Bianca… — Rafael chamou, firme.

— Foi minha culpa. — ela interrompeu, a voz falhando de vez. — Eu não devia ter indicado aquele lugar. Eu não devia ter incentivado.

Um soluço escapou.

— A gente estava rindo, Rafael. Rindo. Ela estava feliz. Segura. — a respiração ficou irregular. — E de repente… ela não respondeu mais. A imagem começou a tremer. Eu achei que era sinal.

Rafael sentiu o sangue gelar.

— Siga.

— O sinal do celular reaparece… — Moreira ampliou o mapa — …aqui.

Um ponto vermelho piscou.

Fixo.

— Local fechado. — completou. — Antigo galpão industrial. Pouca circulação. Sem câmeras públicas no quarteirão imediato.

Yamamoto deu um passo à frente.

— Eu conheço essa área. — disse. — É esquecida até pelos próprios moradores.

Rafael já estava pegando o paletó.

— Preparem os carros. — ordenou.

Yamamoto, que até então permanecera em silêncio, deu um passo à frente. O rosto sério, o tom definitivo de quem não pede permissão.

— A polícia metropolitana já foi acionada. — disse. — Não oficialmente.

Rafael ergueu o olhar para ele.

— Rotas fechadas. Câmeras liberadas. Registros que normalmente não estariam disponíveis… estarão. — Yamamoto continuou. — Este é o tipo de situação em que favores antigos são cobrados. Nossos homens já estão em campo.

Akemi também falou:

— A senhora Montenegro será encontrada.

Rafael observou os três por um segundo longo. Não havia ali promessa vazia. Havia estrutura. Alcance. Poder real.

— Eu cuido do resto. — disse, por fim.

Yamamoto sustentou o olhar dele.

— Quem fez isso com ela… — começou.

— …não terá onde se esconder. — Rafael concluiu, a voz baixa, perigosa.

— Os carros estão prontos. — Moreira disse.

Antes de sair, Rafael parou por um segundo.

Olhou para a sacola de papel sobre a mesa

Fechou a mão em punho.

— Eu estou indo.

E saiu.

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