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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 124

O tiro ainda ecoava pelo galpão. Valentina fechou os olhos no reflexo puro do instinto, o corpo inteiro se preparando para a dor que viria. O impacto. O fim. O momento exato em que tudo apagaria.

Mas a dor nunca chegou.

O segundo seguinte foi estranho demais para ser real.

Silêncio dentro dela. Um vazio desconcertante. O corpo inteiro esperando algo que não vinha.

Quando abriu os olhos, o homem à sua frente já não estava de pé.

Ele se curvava de forma errada, como se o próprio corpo tivesse esquecido como se sustentar. A expressão de controle tinha desaparecido, substituída por um espanto quase infantil. O terno caro começava a se manchar, o vermelho se espalhando de forma lenta demais para algo que havia acontecido tão rápido.

Ele caiu.

O som do corpo atingindo o concreto atravessou Valentina como um choque tardio.

O mundo pareceu girar.

Ela respirou fundo — um soluço involuntário — ainda sem entender por que continuava respirando. O coração batia rápido demais, como se estivesse tentando alcançar o tempo perdido.

Ela virou o rosto.

E então viu.

Arma erguida.

Postura firme.

O semblante fechado, concentrado, frio de um jeito que ela conhecia — mas nunca tinha visto assim.

Rafael estava ali.

De pé, alguns metros atrás dela. As pernas firmes, o braço estendido, a arma ainda apontada na direção do corpo que acabara de cair.

Por um segundo infinito, Valentina achou que estava alucinando.

Mas não estava.

O choque foi tão grande que ela nem conseguiu chamar o nome dele.

E então o caos explodiu.

— Merda! — alguém gritou em japonês.

O som de passos apressados rasgou o galpão. Vozes se sobrepondo. Ordens gritadas. O clima mudou de execução tranquila para guerra aberta em menos de um piscar de olhos.

Valentina não conseguiu acompanhar.

O cérebro ainda estava preso ao primeiro tiro. Ao corpo caído. Ao fato impossível de que aquele tiro não tinha sido nela.

Disparos ecoaram.

Não um.

Vários.

O som seco das armas explodindo atrás dela, ricocheteando no concreto, fazendo o ar vibrar. Ela se encolheu instintivamente na cadeira, o corpo reagindo antes da mente.

Rafael se moveu.

Ela viu apenas fragmentos — ele avançando, mudando de posição, gritando ordens em um idioma que ela não reconheceu no meio do caos. Outros homens surgindo pelas laterais do galpão. Sombras se movendo rápido demais.

O mundo virou ruído.

Ela sentiu algo atingir a cadeira. Um impacto seco. Depois outro. O metal vibrou. As mãos presas atrás do encosto começaram a formigar.

— Abaixa! — a voz dele surgiu, firme, atravessando tudo.

Ela obedeceu sem pensar.

Mais tiros. Um grito interrompido abruptamente. O som de alguém caindo mais longe.

Valentina fechou os olhos de novo, não por medo apenas — mas porque a realidade tinha ficado grande demais para caber dentro dela.

De repente, tudo desacelerou.

O som diminuiu.

Os passos cessaram.

Valentina abriu os olhos devagar.

Rafael estava à sua frente agora.

Próximo demais. Real demais.

Ele guardava a arma com um movimento rápido, preciso, como se aquilo fosse apenas parte de um protocolo maior. O olhar percorreu o rosto dela com urgência contida, avaliando, checando, confirmando.

Ela tentou falar.

Nada saiu.

As mãos tremiam. O corpo inteiro parecia preso entre o antes e o depois.

— Valentina. — ele disse, baixo. Firme. — Olha pra mim.

Ela conseguiu.

Os olhos dele estavam ali. Intensos. Vivos. Presentes.

— Você está segura. — afirmou, como se dissesse uma verdade que precisava existir. — Eu cheguei.

Foi aí que o corpo dela desistiu.

O alívio veio como uma onda violenta demais para ser suportada. As pernas cederam antes que ela pudesse processar qualquer coisa. A cabeça girou. O mundo perdeu foco.

Rafael a segurou antes que o corpo dela cedesse por completo.

Valentina não chegou a cair. O desmaio foi silencioso, como se o próprio corpo tivesse decidido desligar depois de suportar mais do que podia. A cabeça tombou contra o peito dele, o peso leve demais para tudo o que carregava.

— Temos ela. — alguém disse atrás.

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