O telefone de Valentina vibrou pela terceira vez.
Ela estava sentada na cama, de pernas cruzadas, ainda com a mesma camisola clara, tentando focar no livro… tentando se fingir de tranquila… tentando não lembrar que vivia atrás de uma porta trancada.
Mas aquele número piscando na tela…
Tio Rogério.
Valentina sentiu o estômago gelar.
Ela rejeitou a chamada.
Dois segundos depois…
Vibra de novo.
Ela apertou o maxilar.
— Droga…
Atendeu.
— Alô? — a voz saiu cautelosa, baixa.
Do outro lado, o som não era de um tio carinhoso.
Era de um empresário ressentido, saliva misturada com veneno.
— Valentina. — Rogério disse, seco, sem nenhum calor. — Enfim atendeu. Que bom.
— Desculpa… eu estava ocupada. — ela mentiu.
— Ocupada? — ele riu, aquele riso que sempre fez o chão desaparecer sob os pés dela. —Esse seu marido é esperto. Esperto demais.
Valentina ficou rígida.
— O senhor… falou com Rafael?
— Claro que falei. — Rogério respondeu, relaxado demais. — E sabe o que descobri? Que ele não vale nem metade do que o mundo acha. Impressionante como o glamour engana, não é?
Valentina apertou o celular com mais força.
— Tio… eu não quero ouvir esse tipo de—
— Você vai ouvir. — ele cortou, a voz repentina, agressiva. — Porque isso é sobre você. Sobre seu pai. Sobre o que me deve.
Valentina fechou os olhos.
Sempre voltava para isso.
Sempre.
— O dinheiro que você me deu não foi suficiente. — Rogério continuou. — A dívida aumentou.
Ela abriu os olhos na hora.
— Como assim aumentou?! O senhor disse que—
— Eu disse que precisava do valor inicial. Mas as coisas mudaram.
E agora… — ele fez uma pausa teatral, cruel — …eu preciso de mais cinco milhões.
Valentina ficou sem ar.
— Cinco… milhões? — ela repetiu, a voz arranhando a garganta. — Isso é absurdo! Isso é impossível! Tio, eu— eu não tenho como—
— Tem, sim. — ele interrompeu. — Você está casada com um Montenegro, por Deus! Peça a ele. Diga que precisa. Diga que é para salvar sua família.
Ele vai pagar.
Valentina sentiu o chão se abrir embaixo dela.
— Eu… não posso fazer isso. — sussurrou. — Não tem nada no contrato que me permita pedir dinheiro assim. Isso seria—
— Seria o MÍNIMO que você pode fazer! — Rogério explodiu do outro lado. — Seu pai destruiu minha vida, destruiu minhas finanças, destruiu tudo que eu construí!
Valentina levou a mão à boca.
O coração batendo rápido, desesperado, sufocado.
— Tio… eu só quero entender… — ela murmurou. — Antes de—
— Antes de quê? Antes de correr pra ele e pedir ajuda? Antes de virar mais um peso morto nessa família? — ele cuspiu. — Eu quero meu dinheiro, Valentina. Cinco milhões.
E não vou esperar muito.
— Eu não… eu não tenho como…
— Acha que eu estou pedindo? — Rogério disse, frio como faca. — Não estou pedindo. Estou avisando. Ou você arruma esse dinheiro… ou o legado Diniz acaba de vez.
E o nome da sua família vira lixo.
Silêncio.
Pesado.
Cruel.
E antes que ela pudesse responder…
— TUTUTUTU…
Ele desligou.
Valentina ficou ali.
Com o celular na mão.
O quarto enorme ao redor.
O silêncio gritando.
O coração batendo no pescoço.
Cinco milhões.
Uma dívida que ela nem sabia que existia.
Um tio que parecia mais um inimigo.
E um marido que não permitiria que ela saísse nem da porta.
Devagar, ela largou o celular na cama.
A respiração ficou curta, rápida.
Ela apertou os olhos com força.
— Meu Deus… o que eu faço? — sussurrou, sem saber se perguntava ao teto, ao destino ou a si mesma.


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