Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 22

Dois dias depois do jantar em que Rafael enfrentou Vittoria, a rotina de Valentina podia ser resumida em quatro verbos:

Comer.

Ler.

Pensar.

Resistir.

O quarto tinha virado mundo.

Ela acordava, tomava banho, prendia o cabelo num coque simples, escolhia qualquer camisola confortável, comia o que chegava na bandeja e mergulhava em livros, notícias jurídicas, decisões internacionais, qualquer coisa que mantivesse o cérebro funcionando.

Era uma prisioneira. Mas uma prisioneira com disciplina.

Na escrivaninha, o calendário já tinha mais um X marcado.

Mais um dia a menos. Mais perto do fim do contrato. Mais longe de qualquer tipo de paz.

“Cinco milhões.”

O número ainda batia no fundo da cabeça, silencioso, constante.

Ela fechou a aba do site financeiro no celular, jogou o aparelho de lado e recostou na cabeceira.

Não adiantava fazer contas. Tudo levava ao mesmo lugar:

Se pedisse dinheiro a Rafael…

perdia o pouco de liberdade que ainda podia sonhar em ter.

Estava perdida nesses pensamentos quando ouviu as três batidas secas na porta.

TOC. TOC. TOC.

Valentina não se mexeu.

— Entre. — disse, sem tirar os olhos do teto.

A porta se abriu.

Clara entrou.

O coque impecável de sempre, a expressão de quem tinha engolido vidro, a postura de funcionária perfeita que na verdade queria esganar a patroa.

Trazia um vestido pendurado no braço e uma caixa retangular nas mãos.

— Boa tarde, senhora Montenegro. — disse, formal demais. — A senhora Vittoria pediu que eu trouxesse isso.

Valentina ergueu o olhar, sem pressa.

— O que é?

Clara pendurou o vestido no puxador do closet, com um cuidado teatral.

O tecido era caro, mas… errado. Brilho demais.

Decote calculado demais.

Um “olhem pra mim” que não tinha nada a ver com Valentina.

— A senhora está convidada para um jantar esta noite. — Clara informou, com a voz neutra. — Em homenagem à chegada da senhorita Moretti.

Foi só então que os olhos de Valentina estreitaram.

— Senhorita… Moretti?

— Sim. — Clara quase sorriu. Quase. — A senhorita Isabella Moretti. Uma velha amiga da família. Muito… querida.

Velha amiga.

Querida.

Valentina não era burra.

Sabia o que aquilo significava.

Sabia desde o dia em que ouvira o nome dessa italiana pela primeira vez — sempre sussurrado com o tom de “noiva ideal para Rafael Montenegro”.

— A senhora deverá estar pronta às dezenove e trinta. — Clara continuou. — A senhora Vittoria pediu que use este vestido…

Abriu a caixa.

Sapatos de salto altíssimo, desconfortáveis só de olhar.

Jóias grandes demais, chamativas demais, vulgares demais pra uma Montenegro.

Clara pousou tudo sobre a cama, como se arrumasse uma oferenda.

— …e estes acessórios.

Valentina olhou para o conjunto.

Olhou para Clara.

E apenas disse:

— Pode deixar. Eu me arrumo.

Clara esperou alguma pergunta.

Uma reação.

Um “quem é ela?”.

Nada.

Só um “eu me arrumo”.

Aquilo a irritou mais do que qualquer grito.

— A senhorita Moretti tem uma relação longa com esta casa. — Clara arriscou, envenenando em gotas. — Talvez seja… interessante a senhora observar como a família realmente funciona.

Valentina sorriu de leve.

Um sorriso curto. Polido. Ácido.

— Ah, eu já tenho observado bastante. — respondeu. — Mas obrigada pela preocupação.

Clara cerrou a mandíbula.

— Estarei no corredor em meia hora. — avisou, seca. — Se a senhora precisar de ajuda…

— Não vou precisar. — Valentina cortou, suave.

Clara girou nos próprios saltos e saiu, batendo a porta um pouco mais forte do que deveria.

Valentina ficou sozinha.

Capítulo 22 — A Senhorita Moretti 1

Capítulo 22 — A Senhorita Moretti 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário