Álvaro respirou fundo antes de tentar outro caminho.
— Os fundos internacionais já começaram a sondar. Querem saber se vamos responder com aquisição, contenção ou aliança.
— Nenhuma das três.
— Nenhuma? — a surpresa saiu mais nítida do que deveria.
Rafael sequer mudou o tom.
— Aliança com desconhecido é submissão. Aquisição impulsiva é fraqueza. Contenção pública é confissão de ameaça. Não vamos dar ao mercado o espetáculo que ele quer.
A conselheira à direita descruzou as pernas.
— E o que vamos dar, então?
— Tempo.
A palavra irritou mais do que acalmou.
Álvaro soltou um ar impaciente.
— Tempo pode custar caro.
— Decisão apressada custa mais.
Renato falou, agora mais direto:
— A tecnologia adquirida por eles é séria demais para ser ignorada.
Rafael virou o rosto para ele.
— Eu não estou ignorando nada.
E ali estava.
Não na frase.
Mas no jeito como foi dita.
Aquela era a diferença.
Ele não parecia um homem tentando reagir a uma ameaça. Parecia um homem que já estava dentro do problema há mais tempo que todos os outros juntos.
Moreira, em silêncio até então, deslizou discretamente uma pasta para o lado de Rafael. Ele abriu, leu apenas a primeira página e tornou a fechá-la.
— Quero um mapeamento completo de todos os contratos fechados pela Fênix desde a abertura global da Montenegro — disse, sem alterar a voz. — Cruzem com movimentação de fundo, expansão territorial, patente registrada e captação externa. Quero sobreposição de mercado e histórico de presença setorial. Não me tragam rumor. Me tragam arquitetura.
Moreira assentiu.
— Sim, senhor.
Álvaro passou a mão pelo rosto.
— Isso leva tempo.
— Então parem de gastar o meu com hipóteses histéricas.
A frase foi tão seca que ninguém ousou reagir de imediato.
Rafael continuou, agora olhando um por um.
— Se a Fênix quer ser vista, ótimo. Deixem aparecer. Deixem crescer. Deixem o mercado se encantar. Toda ascensão rápida demais cobra um preço. Eu quero saber onde esse preço será pago.
Héctor o estudou em silêncio por dois segundos.
— Você parece muito certo de que eles vão errar.
Rafael sustentou o olhar.
— Toda empresa erra.
Uma pausa curta.
— A diferença é quem sobrevive ao primeiro erro.
O diretor mais velho da mesa, Otávio Barcellos, finalmente falou. A voz dele tinha o peso de quem estava ali muito antes de quase todos os outros.
— O problema, Rafael, é que nós não sabemos sequer quem é o rosto por trás deles. Isso fere a lógica do mercado. E tudo o que fere a lógica… assusta.
Rafael apoiou o braço na mesa.
— Então usem isso a nosso favor.
Otávio franziu o cenho.
— Como?
— Se o mercado não consegue ler uma empresa, primeiro ele se encanta. Depois ele teme. Depois ele testa. E, quando testa, rompe alguma coisa.
Renato soltou um ar curto.
— Desde que a empresa rompa primeiro.
Rafael ergueu levemente o queixo.
— A Montenegro não rompe por pressão externa. Rompe por decisão própria.
Era uma frase para ficar.
E ficou.
A conselheira à direita foi quem quebrou o silêncio de novo.
— E a imprensa? O que responde?
— Nada.
— Nada?
— Nada até que valha a pena responder.
Álvaro fechou o tablet com mais força do que pretendia.
— O silêncio pode parecer hesitação.
— Só para quem não entende poder.
O rosto dele não endureceu.
Não precisou.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário