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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 283

O tribunal já estava cheio quando Valentina entrou.

O ambiente carregava aquele ruído típico de audiências importantes — vozes baixas, papéis sendo organizados, olhares atentos demais para parecerem casuais. Ainda assim, nada daquilo a afetava. Para muitos, aquele espaço representava pressão. Para ela, era território.

Valentina Montenegro caminhou até a mesa da defesa com firmeza, a postura impecável, o olhar atento, cada detalhe sob controle. Não havia pressa. Não havia hesitação. Apenas domínio.

Enzo já a esperava.

Estava de pé, ajustando discretamente a gravata, mas quando a viu, relaxou quase imperceptivelmente. O olhar dele mudou o suficiente para revelar confiança — e algo a mais, que ele não disfarçava tão bem quanto acreditava.

— Pensei que fosse se atrasar — disse em tom baixo.

— Eu não me atraso — respondeu ela, abrindo a pasta com calma. — Ainda mais quando sei que vamos ganhar.

Um leve sorriso surgiu no rosto dele.

— Eu gosto dessa sua segurança.

— Não é segurança — ela corrigiu, passando os olhos pelos documentos. — É preparo.

Antes que ele respondesse, o juiz entrou, e o ambiente mudou instantaneamente.

— Todos de pé.

O movimento foi automático. O silêncio se instalou de forma quase solene, como se o próprio ar tivesse sido reorganizado.

A audiência começou sem rodeios.

A parte contrária assumiu a palavra primeiro, tentando conduzir o ritmo com um discurso carregado de termos técnicos e uma tentativa clara de apelar para o emocional — uma estratégia comum, previsível até.

Valentina não interrompeu. Não reagiu. Não demonstrou pressa.

Ela ouviu.

Cada argumento.

Cada tentativa.

Cada deslize.

Porque havia deslizes. Sempre havia.

Quando o advogado terminou, lançou um olhar breve na direção dela — quase um desafio.

Valentina apenas fechou a caneta com calma e se levantou.

— Excelência — começou, com a voz firme e limpa — a defesa apresentou um argumento extenso. Mas extensão não substitui consistência.

O leve incômodo do outro lado da sala foi imediato.

— Se analisarmos os documentos apresentados, há divergências claras entre os relatórios financeiros e os registros operacionais da própria empresa que tenta sustentar essa narrativa.

Ela levantou um dos documentos com precisão.

— Aqui. Datas inconsistentes, valores que não se sustentam e, principalmente, ausência de justificativa plausível para a movimentação apresentada.

O juiz inclinou levemente o corpo à frente.

Interessado.

Valentina avançou um passo, mantendo o controle absoluto do espaço e da atenção.

— O que temos não é um erro técnico. É uma construção.

— Objeção, Excelência — o advogado adversário tentou interromper.

— Indeferida — respondeu o juiz, sem tirar os olhos dela. — Continue.

Valentina assentiu com leveza, como se já esperasse por aquilo.

— A tentativa da parte contrária é clara: diluir responsabilidade em um cenário que não se sustenta quando confrontado com prova concreta.

Ela não elevava a voz. Não dramatizava. Não precisava.

Ela desmontava.

Com lógica.

Com ritmo.

Com precisão.

Enzo a observava em silêncio, completamente concentrado. Aquilo não era apenas técnica — era domínio real de situação.

O ponto de virada veio quando ela cruzou duas informações aparentemente simples, mas impossíveis de ignorar quando colocadas lado a lado.

— Se essa movimentação tivesse ocorrido como alegado — disse, apontando para a projeção —, os registros de auditoria refletiriam esse comportamento.

Ela fez uma breve pausa.

— Não refletem.

O silêncio que se seguiu foi definitivo.

Capítulo 283 — O veredito 1

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