O movimento da rua ainda seguia intenso quando Valentina deixou o prédio do escritório, mas para ela o mundo parecia em outro ritmo, mais lento, mais silencioso, como se ainda estivesse absorvendo o eco da vitória no tribunal. Ajustou o blazer nos ombros, respirando fundo antes de dar mais um passo… e então parou.
Rafael estava ali.
Encostado ao lado do carro, como se o tempo não tivesse urgência alguma ao redor dele. Terno impecável, postura relaxada, olhar fixo nela… e entre os dedos, uma única flor vermelha. Na outra mão, uma pequena caixa escura.
Valentina sorriu antes mesmo de perceber.
Aquele tipo de sorriso que não se ensaia.
Caminhou até ele.
— Que surpresa.
Rafael não desviou o olhar.
— Eu tinha que vir. — A voz saiu baixa, firme. — Você foi impecável hoje.
Ela inclinou levemente a cabeça, estudando o tom.
— Mesmo defendendo o Enzo?
A ironia veio sutil, quase elegante demais para ser ignorada.
— Principalmente por isso.
Valentina estreitou os olhos, mas não se afastou.
— Ele não teve culpa.
Rafael não mudou a expressão.
— Teve. Ele é fraco. E gente fraca sempre acaba nas mãos erradas.
Ela sustentou o olhar por um segundo, consciente do que existia ali por trás — história, disputa, sangue.
— Nesse caso… ele foi manipulado. E reagiu como pôde.
Rafael soltou um suspiro leve, como quem decide não avançar naquela discussão.
Ela sorriu e pegou a flor.
— Linda… como todas as outras.
A mão dele subiu, tocando o rosto dela com naturalidade, os dedos deslizando com uma calma que dizia mais do que qualquer frase.
— Nem perto.
O olhar dela suavizou, ainda que por um instante.
Ele então estendeu a pequena caixa.
Valentina abriu.
O colar repousava ali com discrição — elegante, preciso, sem excesso. Não precisava provar valor. Ele simplesmente tinha.
— É lindo.
— Vai ficar melhor em você.
Ela fechou a caixa, ainda com o sorriso preso nos lábios, e se inclinou, deixando um beijo no canto da boca dele. Um gesto leve… mas cheio de intenção.
Rafael soltou um riso baixo.
— Vamos.
Ele estendeu a mão.
Valentina pegou.
— Você anda muito romântico, senhor Montenegro.
Ele parou por um segundo, olhando diretamente para ela.
— Minha namorada… a senhora Montenegro merece.
O silêncio entre eles não foi vazio.
Foi cheio.
E eles seguiram.
O restaurante não era apenas sofisticado — era o tipo de lugar onde o luxo não precisava ser anunciado. Iluminação baixa, mesas ocupadas por gente que entendia exatamente onde estava, conversas discretas, serviço impecável. Assim que entraram, alguns olhares se levantaram, quase automáticos. Não curiosos… reconhecendo.
Rafael não reagiu.
Valentina percebeu.
E, pela primeira vez, não se sentiu deslocada naquele cenário.
Sentaram-se. O vinho foi servido. O ambiente os envolveu com facilidade, como se já pertencessem àquele espaço.
— E a empresa? — ela perguntou, girando levemente a taça entre os dedos.
Rafael recostou-se com tranquilidade.
— Caos controlado. Os diretores estão quase surtando pelos corredores.
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