O shopping estava cheio, mas não de um jeito desagradável. Havia movimento, vitrines iluminadas, vozes misturadas e aquele barulho constante de passos, sacolas e conversas atravessando o corredor principal como se a cidade inteira tivesse resolvido sair ao mesmo tempo. Valentina caminhava ao lado de Bianca com um café gelado na mão e os óculos escuros apoiados sobre os cabelos, enquanto a amiga falava sem parar sobre uma loja nova de cosméticos como se aquilo fosse a descoberta mais importante do século.
— Eu estou te dizendo, Val, esse sérum promete milagre. Milagre. Se eu passar isso no rosto e continuar com essas olheiras, vou processar a marca por propaganda enganosa.
Valentina soltou um riso baixo, olhando a fileira de frascos organizados na vitrine.
— Você não tem olheiras, Bianca.
— Tenho sim. Só que eu sou bonita demais e elas ficam intimidadas.
Valentina balançou a cabeça, sem conseguir conter o sorriso. Aquele tipo de conversa, simples e quase boba, fazia bem. Depois de Genebra, do leilão, do tribunal e da quantidade de coisas que pareciam se mover o tempo todo ao redor dela, andar sem pressa por um shopping ouvindo Bianca reclamar da vida como se a maior tragédia do mundo fosse um hidratante caro demais era, estranhamente, reconfortante.
Entraram em uma loja, depois em outra, e em algum ponto Valentina já segurava duas sacolas que não pretendia comprar quando saiu de casa.
— Você me manipula — murmurou, olhando o vestido que Bianca tinha convencido ela a levar.
— Não manipulo. Eu cuido da sua imagem pública. É diferente.
— Minha imagem pública está ótima.
Bianca lançou um olhar cheio de deboche.
— Sim, a esposa gostosa do magnata frio, a advogada do momento, a mulher que ganhou no tribunal e ainda saiu em matéria. Você está muito bem, obrigada. Mas isso não significa que eu vou deixar você andar por aí sem renovar o guarda-roupa.
Valentina a olhou de lado.
— Você fala como se eu tivesse setenta anos e usasse tailleur bege.
— Ainda não. Mas se eu relaxar, esse dia chega.
As duas riram juntas. Aquilo era o bom da Bianca. Ela entrava no ambiente e arrancava o peso das coisas com a mesma facilidade com que mexia em uma arara de roupas. Não apagava os problemas. Só empurrava todos eles para o canto por algumas horas, e às vezes era exatamente disso que Valentina precisava.
Depois de passarem por uma joalheria, uma livraria e uma loja de decoração onde Bianca se apaixonou por uma luminária absurda que, segundo ela, “tinha energia de mulher rica e emocionalmente indisponível”, as duas acabaram sentadas em uma mesa perto da praça de alimentação gourmet, longe o bastante do tumulto para conseguirem conversar sem precisar elevar a voz.
Bianca apoiou o queixo na mão, observando Valentina com atenção demais.
— Você está feliz.
Valentina ergueu a sobrancelha.
— Essa análise veio de onde?
— Da minha experiência em ler gente. E de te conhecer. Você está mais leve.
Valentina girou o copo entre os dedos por alguns segundos antes de responder.
— Estou bem.
Bianca estreitou os olhos.
— Bem tipo “estou conseguindo respirar” ou bem tipo “estou apaixonada e tentando parecer controlada”?
Valentina não segurou o riso dessa vez.
— Você é impossível.
— Responde.
Ela desviou o olhar por um instante, encarando o movimento do corredor, as pessoas passando com pressa, crianças correndo, casais discutindo baixinho perto das vitrines, e soltou o ar devagar antes de voltar a olhar para Bianca.
— Eu amo o Rafael.
Bianca não pareceu surpresa. Pareceu satisfeita.
— Finalmente você falou sem rodeio.
— Eu já tinha falado.
— Não assim.

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