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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 314

Voltar não era simples. Não era como abrir uma porta e encontrar tudo no lugar, intacto, esperando por ela como se o mundo tivesse pausado por respeito. Nada havia pausado. Nada havia esperado.

Quando Valentina entrou no prédio do escritório, a sensação foi outra.

O ar parecia mais pesado. Os passos ecoavam de um jeito diferente. Os olhares… esses eram os piores.

Alguns curiosos.Alguns respeitosos.

Alguns carregados de um tipo de admiração que a deixava desconfortável.

E outros… Outros cheios de julgamento silencioso.

Ela atravessou o saguão com a postura impecável, o salto firme marcando o chão como sempre fizera. Por fora, nada havia mudado.

Por dentro, ela ainda estava reconstruindo os pedaços.

— Dra. Valentina… — a recepcionista levantou-se rapidamente, surpresa e aliviada ao mesmo tempo. — Que bom que voltou.

Valentina assentiu com um leve aceno.

— Obrigada.

A voz saiu controlada.

Treinada.

Ela seguiu pelo corredor, ignorando os cochichos discretos, os cumprimentos mais tímidos, os olhares que a seguiam como se tentassem decifrar o que havia restado dela depois de tudo.

Sua sala continuava igual. Como se nunca tivesse sido abandonada por dias.

Valentina fechou a porta atrás de si e, por um instante, apenas ficou ali, parada, olhando o espaço que sempre fora seu território de controle absoluto.

Agora… Parecia distante.

Ela caminhou até a mesa, passou os dedos pela superfície lisa e se sentou lentamente. O corpo reconhecia o lugar. A mente… ainda tentava acompanhar.

Foi então que viu um jornal deixado sobre a mesa dobrado.

Valentina franziu levemente a testa e puxou o papel.

O título veio como um golpe seco.

“Montenegro Corp despenca no ranking global após escândalo e sai do top 10 empresarial.”

Ela não reagiu de imediato.

Os olhos apenas correram pelas linhas.

— “…queda histórica…”

— “…perda de credibilidade internacional…”

— “…investidores recuam…”

— “…posição atual: 20º lugar…”

O número ficou preso na mente dela.

Vinte.

A Montenegro, que sempre dominara. Que sempre estivera no topo. Agora… vinte.

Ela continuou lendo.

E então veio a outra parte.

“Enquanto isso, a Fênix Group assume posição de destaque e expande operações globalmente…”

Valentina ficou em silêncio.

O contraste era brutal.Uma empresa caindo.Outra ascendendo.

Como se o mercado tivesse escolhido um novo rei sem hesitação.

Ela largou o jornal devagar.

Os dedos ficaram imóveis sobre a mesa.

O peito apertou.

Porque, pela primeira vez, ela não estava olhando aquilo como advogada.

Estava olhando como alguém que tinha… causado aquilo.

O celular na mesa parecia pesado demais.

Ainda assim, ela o pegou.

Discou.Chamou uma vez.

Duas.

Na terceira, Enzo atendeu.

— Bom dia, doutora Diniz — a voz dele veio leve, quase provocativa.

Valentina não entrou na brincadeira.

— Eu vi a notícia.

Um segundo de silêncio. Curto. Mas perceptível.

— Ah… isso.

Descontraído demais. Calculado demais.

Valentina fechou os olhos por um instante.

— Enzo… o que está acontecendo?

— O que acontece quando um escândalo daquele tamanho explode — respondeu ele, simples. — O mercado reage.

— A empresa caiu para vigésimo lugar.

— Temporário.

— A Fênix está dominando.

— Eles estavam esperando uma brecha.

A resposta veio rápida demais.

Valentina apertou o celular contra o ouvido.

— E a Montenegro?

— Vai se reerguer.

— Como?

Silêncio.

Dessa vez, um pouco mais longo.

— Eu vou dar um jeito — disse ele, por fim, mais baixo.

Valentina soltou um ar pelo nariz.

— Você está sendo atingido por isso.

— Faz parte.

— Não, não faz — ela respondeu, mais firme agora. — Eu causei isso.

— Valentina—

— Não minimiza.

A frase saiu mais dura do que ela pretendia.

Mas era verdade.

E ela não tinha mais força para fingir que não via.

Do outro lado, Enzo suspirou.

— Você já fez o que precisava fazer.

— E destruí tudo ao redor no processo.

— Você fez justiça.

Ela fechou os olhos novamente.

— E agora?

Ele demorou um segundo antes de responder.

— Agora você não se preocupa com isso.

Valentina abriu os olhos.

— Como assim?

— Eu resolvo.

— Enzo—

— Eu resolvo — repetiu ele, firme. — Você já carregou coisa demais. Não vou colocar mais isso nas suas costas.

Aquilo deveria tranquilizá-la.

Mas não tranquilizou.

— Nós falamos depois — disse ela, mais baixa.

— Falamos.

Ela desligou. E ficou ali.

O jornal ainda aberto na mesa. As palavras ainda ecoando.

E, pela primeira vez, uma pergunta começou a crescer dentro dela: o quanto daquilo ainda estava sob controle?

À noite, quando voltou para a casa de Enzo, o silêncio do lugar parecia diferente.

Ela entrou, tirou os sapatos com calma e seguiu pelo corredor, pronta para subir direto para o quarto… Mas parou.

A voz vinha da sala.

— …não podemos sustentar isso por muito tempo — dizia Helena.

Valentina ficou imóvel.

Instinto.

— Eu sei — respondeu Enzo. — Mas pressionar agora só piora.

— O conselho já está dividido.

— Augusto está manipulando isso.

— Ele quer a presidência de volta.

Valentina sentiu o corpo endurecer.

Respirou fundo. E entrou.

Os dois se viraram imediatamente.

O silêncio que caiu foi instantâneo.

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