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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 315

A manhã começou antes mesmo de o sol parecer real. Valentina desceu as escadas com passos mais firmes do que nos dias anteriores, mas ainda carregando aquele peso silencioso que parecia ter se instalado dentro dela desde o julgamento. Não era mais o colapso. Não era mais o vazio absoluto.

Era outra coisa.

Quando entrou na sala de refeições, encontrou Enzo já de pé, de costas, com o celular no ouvido. Ao lado dele, um homem alto, postura impecável, expressão séria — Dario.

A semelhança com Moreira não passou despercebida.

Outro braço direito. Outro homem que carregava segredos.

Valentina diminuiu o passo.

E então ouviu.

— …não podemos permitir que ele leve a presidência assim — dizia Dario, baixo, mas firme. — O senhor Montenegro não está para brincadeira. Ele vem hoje com advogados. Vai tentar forçar a votação.

Enzo passou a mão pelo rosto, visivelmente tenso.

— Eu sei.

A resposta saiu carregada de cansaço contido.

— Vou usar minhas ações e as da minha mãe para anular qualquer tentativa. Mas meu tio… — ele soltou um suspiro curto — …meu tio é pior que o Rafael. Se eu deixar ele assumir, a Montenegro não cai… ela acaba.

Valentina sentiu o coração apertar.

Rafael.

Mesmo ausente, ainda presente.

Dario continuou:

— As ações da senhora Valentina poderiam resolver isso, senhor. Se estivessem sob o seu controle, não haveria margem para disputa.

E então Enzo respondeu.

— Deixe ela fora disso.

Valentina prendeu a respiração sem perceber.

— Mas senhor—

— Eu disse para deixar ela fora disso — repetiu ele, agora sem margem para contestação. — Valentina já passou por coisa demais. Tudo que eu quero agora é que ela seja feliz.

O silêncio que se seguiu foi diferente.

Dario o observou por um instante.

— O senhor gosta mesmo dela.

Enzo soltou um leve riso sem humor.

— Sempre gostei.

Fez uma pausa.

E completou, mais baixo:

— Só que antes… ela era inalcançável.

Aquelas palavras ficaram no ar.

E atingiram.

Valentina permaneceu parada por um segundo a mais do que deveria.

Então entrou.

— Bom dia.

Os dois se viraram imediatamente.

Enzo desligou o telefone no mesmo instante.

— Valentina… — ele deu um passo à frente, o semblante suavizando. — Dormiu bem?

— Sim — respondeu ela, controlada. — Bom dia.

Dario se endireitou e fez uma leve inclinação respeitosa.

— Bom dia, senhora.

Valentina assentiu.

— Bom dia, Dario. Como tem passado?

— Bem, senhora. À disposição.

Ela se sentou à mesa.

O café já estava servido.

Enzo puxou uma cadeira e começou a falar de coisas triviais. Perguntou do escritório, comentou sobre o clima, fez uma observação qualquer sobre o trânsito da cidade. Ele evitava o assunto anterior com uma habilidade quase perfeita.

Mas Valentina percebia.

Cada desvio. Cada mudança de tom. Cada silêncio disfarçado.

Dario foi o primeiro a quebrar a leve encenação.

— Senhor, precisamos ir. A reunião começa às dez.

Enzo assentiu. Levantou-se.

Deu a volta na mesa.

Parou ao lado de Valentina.

E, com um gesto natural demais para ser pensado, inclinou-se e beijou a testa dela.

— Te vejo à noite.

A voz saiu baixa.

— Come direito. E não se estressa no escritório.

Valentina ergueu os olhos para ele.

Havia algo diferente ali.

— Você também — respondeu, quase num reflexo.

Ele sorriu de leve.

Depois saiu, Dario o seguiu.

A sala ficou em silêncio.

Valentina terminou o café sem pressa.

Mas a mente… Já não estava ali.

O carro já a aguardava do lado de fora.

Ela entrou. Fechou a porta.

O motorista olhou pelo retrovisor.

— Para o escritório, senhora?

Valentina ficou em silêncio por dois segundos.

Três.

E então respondeu:

— Não.

O homem aguardou.

— Vamos para a Montenegro.

Ele não questionou.

— Sim, senhora.

O trajeto pareceu mais longo.

O coração dela batia mais forte do que deveria. Quando o carro parou diante do prédio da Montenegro Corp, a imponência do lugar ainda estava ali.

Valentina desceu.

O vento leve bagunçou alguns fios de cabelo.

Ela ignorou e entrou.

A recepção estava em movimento, mas havia tensão no ar. Funcionários cochichavam. Olhares iam e vinham.

A reunião já tinha começado.

Ela sabia.

O elevador subiu em silêncio. Cada andar parecia um passo mais fundo dentro de algo que ela ainda não tinha nomeado completamente.

Quando as portas se abriram, a voz de Augusto veio antes mesmo de ela se aproximar da sala.

— Isso é um absurdo! Essa empresa precisa de comando, não de sentimentalismo!

Valentina parou.

A porta estava entreaberta.

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