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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 328

Valentina não conseguiu responder de imediato.

O silêncio que se instalou após as palavras de Andrade não era vazio — era pesado, denso, como se o ar ao redor tivesse engrossado a ponto de dificultar a respiração. Seus olhos ainda estavam presos à última pasta aberta, à imagem de Clara morta, à ideia de que tudo o que ela acreditava já tinha começado a ruir… quando ele puxou outra.

Mais uma.

— Essa senhora… — disse Andrade, abrindo a nova pasta com precisão quase cirúrgica — …completa essa parte da história.

Valentina não queria olhar.

Mas olhou.

E o mundo inclinou mais um pouco.

As fotos estavam organizadas em sequência.

Enzo.

Sempre Enzo.

Na porta da universidade. Encostado no carro. Observando de longe. Caminhando na direção exata onde ela apareceria minutos depois. Em outra, ele surgia correndo. Em outra… segurando-a.

O “resgate”.

A cena que, por tanto tempo, ela guardara como prova de que ele tinha surgido no momento certo.

No momento perfeito.

Valentina passou os dedos pela foto.

— Isso eu sei… — murmurou, tentando sustentar algum pedaço de lógica. — Ele me ajudou. Disse que estava indo para uma reunião e viu tudo acontecendo…

Andrade sorriu.

Não com ironia.

Com certeza.

— E se eu disser à senhora que ele sabia exatamente o que acontecia dentro da mansão Montenegro?

Valentina ergueu os olhos, lentamente.

— Como assim?

Sem responder diretamente, Andrade abriu uma pequena caixa sobre a mesa.

E colocou sobre a superfície, um por um…

Dispositivos.

Pequenos. Discretos. Quase invisíveis.

Escutas.

— Toda a casa era monitorada — disse ele, calmo. — Cada conversa. Cada movimento. Cada passo.

Valentina sentiu a boca secar.

— Isso é impossível…

— O único lugar sem escuta… — continuou Andrade, ignorando a negação dela — …era o quarto do senhor Montenegro.

Ele fez uma pausa.

— E o seu, depois que a senhora chegou.

O coração dela falhou uma batida.

Abriu a boca.

Fechou.

Abriu de novo.

Nada saiu.

Andrade então girou o notebook na direção dela.

— Isso foi recuperado de uma conta vinculada ao senhor Enzo.

Ele clicou.

O áudio começou.

Estática leve.

Depois…

A voz.

Nítida.

Calma.

Fria.

— Dario… o sequestro começa às 14. Então dá um jeito de armar um encontro com um cliente no mesmo horário em que ela for levada.

Uma pausa curta.

— Sim, senhor.

— Isso tem que parecer real… — a voz continuou, baixa, controlada — …eu tenho que ser o salvador dela.

O áudio terminou.

Simples assim.

Sem drama.

Sem esforço.

Valentina não respirou.

Não piscou.

Não reagiu.

Por um instante, parecia que o corpo tinha esquecido como funcionar.

— Não… — a voz saiu em um sopro quebrado. — Isso… isso não pode estar acontecendo…

Mas Andrade não deu espaço para a negação crescer.

Ele já puxava outra pasta.

— Essa… é sobre os seus pais.

O nome foi suficiente.

Valentina se enrijeceu inteira.

— A mensagem que a senhora ouviu… não estava completa.

Ele abriu o arquivo no notebook.

— Eu recuperei o restante.

O áudio começou.

A voz da mãe dela.

Frágil.

Cansada.

Real.

— Se alguma coisa acontecer… eu preciso que isso fique registrado.

A voz da mãe dela tremia, mas havia lucidez nela. Desespero… e consciência.

— Estamos sendo intimidados pelo senhor Enzo Montenegro. Ele não está nos dando escolha. Desde que aceitamos o caso do Rafael Montenegro… tudo começou a desmoronar.

Uma pausa. A respiração falhou por um instante.

— Nosso escritório está sendo atacado de todas as formas. Clientes estão sendo pressionados a sair, contratos estão sendo cancelados, documentos desapareceram… isso não é coincidência. É ele. Sempre foi ele.

O som de passos ao fundo. Rápidos. Tensos.

— Ele quer que a gente pare. Quer que a gente abandone o caso… porque sabe que, se continuarmos, vamos expor tudo. Ele não quer que o Rafael seja inocentado. Ele quer que ele caia… e está destruindo qualquer um que tente impedir isso.

A voz vacilou, mas continuou.

— Nossa vida saiu do controle. Estamos sendo vigiados. Seguidos. Não há mais segurança em lugar nenhum. Nem dentro de casa.

Outro som metálico. Como uma porta sendo aberta com força contida.

— O Enzo não vai deixar isso chegar ao fim. Ele deixou isso claro. Disse que ninguém que se coloque no caminho dele permanece de pé.

A respiração dela ficou irregular. Mais baixa. Mais fraca.

— Se algo acontecer com a gente… não foi um acidente. Nunca foi.

Uma pausa longa.

E então, quase como um último suspiro carregado de dor e proteção:

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