Longe dali no salão da Casa de Chá Windsor tudo era feito de luz dourada, madeira escura e silêncio caro.
Era o tipo de lugar onde ninguém discutia.
Ninguém levantava a voz.
Ninguém ousava ser pobre.
E justamente por isso, Vittoria Montenegro estava ali.
Sentada à mesa da janela, luvas finas, joias discretas, xícara de porcelana pousada com precisão cirúrgica.
Ela nem precisava olhar quando a porta abriu.
Reconhecia aquele andar covarde de longe: passos curtos, apressados e ansiosos.
Rogério Diniz.
Ele parecia desconfortável demais naquele ambiente — como um animal selvagem jogado num palácio.
— Vittoria… — ele cumprimentou, forçando um sorriso. — Sempre um prazer.
— Não minta, Rogério. — ela disse, sem levantar os olhos. — Você não sabe se comportar nesse tipo de lugar.
Ele travou a mandíbula, mas sentou.
Vittoria fez um gesto leve para a garçonete.
— Um Darjeeling para ele. Fortíssimo. Ele precisa de caráter. — disse.
A garçonete se retirou, sem sequer piscar.
Rogério limpou a garganta, inquieto.
— Imagino que queira falar sobre… o dinheiro.
— Não. — Vittoria respondeu, por fim levantando os olhos. — Vim falar sobre a minha família.
Rogério arregalou um sorriso sujo.
— Ah, claro. Sobre o casamento do seu filho com a minha sobrinha…
Os olhos de Vittoria estreitaram.
— Não chame Valentina de “minha sobrinha” na minha frente. Fere meus ouvidos.
Rogério deu de ombros.
— Mas é o que ela é.
— Não por muito tempo. — Vittoria rebateu.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Está planejando algo?
— Planejando? — Vittoria riu baixinho, um som frio demais para ser humano. — Rogério, querido… eu nunca planejo. Eu decido. E os outros obedecem.
A garçonete voltou, colocando a xícara de chá diante dele.
Vittoria só tocou a própria com a ponta dos dedos.
— Quero que pressione Valentina. Ameaças, cobranças, o que for necessário. — disse calmamente, como se pedisse açúcar. — Quero que ela peça o divórcio antes do ano terminar.
Rogério empalideceu.
— O divórcio? Mas Rafael nunca—
— Rafael não amarrou assinatura nenhuma ao coração. — Vittoria cortou. — Mas a convivência é perigosa. Gente fraca se apega fácil. E meu filho… meu filho não pode cair nesse tipo de armadilha.
Ela inclinou o queixo, olhos brilhando com crueldade.
— Ele jamais vai amar uma criatura como ela. Jamais.
Rogério sorriu torto.
— Então… quer que eu aumente a pressão?
— Quero que você esmague. — Vittoria disse, com uma suavidade que assustaria até um santo. — A reputação Diniz é frágil. Enterre-a um pouco mais, se preciso. Faça com que Valentina implore para sair do contrato. Antes que ela faça Rafael… sentir qualquer coisa.
Rogério mexeu no chá, inquieto.
— E em troca?
— Em troca, Rogério… — Vittoria inclinou-se, veneno na voz — …eu garantirei que, quando o nome Diniz estiver afundado na lama, você ainda tenha onde se apoiar. E alguém para culpar.
Rogério engoliu seco.
— Você é perigosa, Vittoria.
Ela sorriu.
— Sou uma Montenegro. É diferente.
A xícara tilintou.
O pacto silencioso estava selado.
Mas nem um dos dois imaginava…
…que havia gente observando.
A mansão estava silenciosa.
Silêncio de madrugada rica: nem vento, nem passos, nem respiração.
Só o peso invisível das paredes que escondiam segredos demais.
Vittoria já tinha subido para o quarto, passos duros, satisfeita com o veneno derramado horas antes.
Valentina dormia.
Bianca já tinha ido embora rindo até da alma.

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