O escritório de Rafael era todo vidro, aço e silêncio.
Um lugar que deixava qualquer um desconfortável.
Menos Isabella Moretti.
Ela entrou como se entrasse num camarim.
Bolsa pendurada no ombro, perfume doce demais para um ambiente sério, batom rosado e aquele olhar de quem ensaiou a expressão no espelho antes de sair de casa.
— Rafa… — ela chamou, com voz de algodão doce estragado. — Posso?
Rafael nem levantou os olhos do contrato.
— Não.
Isabella sorriu mesmo assim.
Porque Isabella não sabia perceber limites — apenas ignorar.
Ela entrou, fechou a porta devagar, como quem faz parte da vida do homem ali dentro.
Chegou até a mesa e se inclinou, exibindo a postura de “sou frágil e especial”.
— Eu fiquei tão triste esses dias… — ela começou, suspirando como atriz de novela das seis. — Você não foi me ver no hospital. Eu fiquei tão assustada. Eu achei que tinha te magoado… eu achei que—
— Isabella. — Rafael cortou, voz baixa, precisa, perigosa. — Saia.
Ela travou só por um instante, mas logo reaprendeu a máscara.
— Rafa… eu entendo que você esteja tenso por causa daquela moça… mas eu queria que você soubesse que eu—
Ela aproximou a mão da dele.
Bem devagar.
Rafael puxou a mão antes de ela tocar.
— Não faça isso.
O sorriso dela rachou.
— Rafa… eu só estou preocupada. Eu pensei que… com tudo que vivemos… você ainda tivesse… carinho por mim.
Rafael fechou o contrato.
Devagar.
Com a calma de quem está controlando um incêndio interno.
— Isabella, não existe "nós".
Nem amizade.
Nem confiança.
Nem nada.
Ela piscou várias vezes, como se tentasse processar.
— Mas… depois da piscina… depois de você me salvar… eu pensei que—
— Eu teria salvado QUALQUER pessoa que estivesse dentro da minha casa. — Rafael devolveu, firme. — Não confunda humanidade com afeto.
O rosto dela caiu.
Mas Isabella não desiste fácil.
Ela tentou outra abordagem — voz chorosa, olhos brilhando, lábio tremendo.
— Eu sei que você está… estressado com sua… esposa. Mas você sabe como essas coisas são. Ela é… instável. Eu achei que poderia ajudar você a lidar com—
Rafael respirou fundo, apoiando as duas mãos na mesa.
Um gesto simples.
Mas que fez Isabella recuar meio passo.
— Você veio aqui falar da minha esposa? — ele perguntou, voz gelada.
— Eu só quero o seu bem…
— Então nunca mais fale dela. — Rafael finalizou. — Nem comigo. Nem com ninguém.
Silêncio.
Silêncio pesado.
Isabella tentou mais uma vez:
— Eu… eu sinto que você está diferente comigo. Eu sinto que alguma coisa aconteceu. Se eu fiz algo, me diga. Eu posso melhorar, Rafa. Eu posso—
— Chega. — Rafael levantou o olhar, e era aço puro. — Saia do meu escritório. Agora.
O tremor real veio.
Nos olhos dela.
— Rafael… por favor… não me trata assim…
Ele não respondeu.
Levantou a mão e apontou para a porta.
Como quem expulsa uma sombra.
Isabella respirou fundo, forçou um sorriso quebrado e tentou recuperar um mínimo de dignidade.
— Eu volto quando você estiver mais calmo. — ela sussurrou.
— Não volte. — Rafael disse, seco.
A frase brutal bateu nela como tapa.
Ela piscou, quase perdeu o ar, virou de costas e saiu devagar, tentando não chorar na frente da equipe inteira.

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