As portas do elevador se abriram com um som suave, quase insignificante.
Mas, para Maria, aquele som foi como um alívio.
Ela se levantou tão rápido que quase derrubou a bolsa que estava no colo e, ao ver Valentina, caminhou apressada até ela.
— Senhora… — a voz saiu aflita — eu já estava prestes a ligar para a polícia… e para o senhor Enzo…
Valentina a olhou.
Não havia traço de desespero em seu rosto.
Nenhuma marca do que tinha acontecido minutos antes.
Apenas calma.
Controlada. Elegante. Intocável.
— Minha ordem foi clara, Maria — disse, com a voz baixa e firme. — Não ligar para o senhor Enzo.
Maria imediatamente abaixou o olhar.
— Me desculpe, senhora… eu fiquei preocupada…
Valentina suavizou o tom.
Como sempre fazia.
Como sempre fez.
— Eu sei — respondeu, com um leve aceno de cabeça. — Mas a empresa está passando por um momento delicado. Não podemos criar mais ruído do que já existe.
Maria assentiu rapidamente.
— Claro, senhora…
— Vamos — continuou Valentina, já se dirigindo à saída. — Precisamos passar em um lugar antes. Depois voltamos. Ainda temos um casamento para preparar.
Maria sorriu.
Um sorriso genuíno.
Porque, para ela, tudo estava normal.
E Valentina… permitiu.
O carro seguiu pelas ruas com fluidez.
A cidade seguia viva, indiferente à guerra silenciosa que estava prestes a começar.
Quando pararam em frente ao segundo prédio, Valentina desligou o carro sem pressa. Pegou a caixa no banco ao lado antes de abrir a porta.
— Me espere aqui — disse, olhando para Maria. — Esse assunto é importante.
Maria franziu levemente a testa.
— Senhora… quer que eu vá com você?
— Não.
A resposta veio suave. Definitiva.
— Você não pode subir.
Maria hesitou por um segundo.
— Tudo bem, senhora… eu entendo.
Valentina apenas assentiu e saiu do carro. Sem olhar para trás.
O prédio era discreto. Nem luxuoso. Nem simples. Um daqueles lugares que existem para não chamar atenção. Ela entrou sem hesitar. Já conhecia o caminho. Já tinha estado ali antes. Em outro momento. Em outra vida.
Quando ainda acreditava em verdades que agora estavam em ruínas.
O elevador a levou até o andar correto.
E, quando as portas se abriram, ela caminhou direto.
Sem bater. Sem anunciar.
A porta estava destrancada.
E ele já estava lá.
Sentado à mesa, com uma xícara de café nas mãos, como se estivesse esperando exatamente por aquele momento.
— Senhora Diniz — disse, ao vê-la entrar.
Valentina fechou a porta atrás de si.
— Senhor Salomão.
Ela caminhou até a mesa e colocou a caixa sobre a superfície com firmeza.
Sem cerimônia. Sem rodeios.
— Qual denúncia vamos apurar hoje? — perguntou ele, já mais atento.
Valentina abriu a caixa.
Retirou a primeira pasta.
E começou.
— Sonegação fiscal em larga escala. Lavagem de dinheiro. Associação criminosa.
Ela puxou outra.
— Manipulação de provas. Obstrução de justiça.
Mais uma.
— Envolvimento indireto em assassinatos.
A última veio com mais peso.
— E responsabilidade direta na morte dos meus pais.
O silêncio caiu pesado sobre a sala.
Salomão não a interrompeu.
Apenas ouviu.Analisou. Absorveu.
Valentina apoiou as mãos na mesa.
O olhar fixo.
Frio.
— Eu quero uma denúncia completa — continuou. — Estruturada. Blindada. Sem brechas.
Ele passou os olhos pelos documentos.
— Se isso for comprovado… — disse lentamente — ele pode pegar mais de cinquenta anos.
Valentina não hesitou.
— Ele vai.
A certeza na voz dela não deixou espaço para dúvidas.
Salomão ergueu os olhos.
— Ainda falta algo.
Valentina assentiu.
— Falta.
O olhar dela escureceu levemente.

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