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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 333

Valentina estava imóvel diante do espelho.

O vestido caía perfeitamente sobre o corpo, moldando cada curva com precisão quase cruel, como se tivesse sido feito não para uma noiva… mas para uma rainha prestes a entrar em guerra. O tecido branco refletia a luz suave do quarto, criando uma imagem quase etérea — pura, impecável, intocável.

Mentira.

Ela levou a mão lentamente até a barriga.

O gesto foi instintivo.

Protetor.

— Calma… — murmurou, quase inaudível.

O tempo passava lento, quase arrastando.

E Enzo não vinha.

A tarde foi se desfazendo em silêncio, escorrendo pelas janelas como areia entre os dedos, até que o céu começou a escurecer. As luzes externas da mansão foram acesas, os convidados já murmuravam entre si, a expectativa começava a se transformar em desconforto… e, ainda assim, ele não vinha.

Valentina não se moveu. Não perdeu a postura. Não perdeu o controle.

Mas, quando o relógio marcou mais um minuto que não deveria existir… ela pegou o telefone.

Discou.

Chamou uma vez.

Duas.

— Valentina…

A voz dele veio carregada.

Cansada. Pesada.

Ela inclinou levemente a cabeça, observando o próprio reflexo.

— Enzo… tudo bem?

Do outro lado, ele suspirou.

Longo. Arrastado.

— Eu deveria ter te ligado antes… a empresa está um caos.

Ela ouviu. Sem interromper. Sem reagir.

— Eu vi — respondeu, com suavidade. — Está em todos os sites… televisão… não falam de outra coisa.

Outro suspiro.

— Me desculpa…

Valentina deixou um quase sorriso surgir.

Pequeno. Controlado.

— Você precisa de ajuda?

A pergunta saiu leve.

Quase gentil. Quase preocupada.

Mas havia algo por trás dela. Algo que ele não enxergava.

— Valentina… — ele hesitou — acho que vamos ter que remarcar.

Ela fechou os olhos por um breve segundo.

Não de dor. De satisfação.

Mas quando abriu… A expressão era perfeita. Compreensiva. Suave.

— Eu entendo — disse, com calma. — Não é o melhor momento.

Ela girou levemente o corpo, observando o vestido refletido no espelho.

— Vou pedir para interromper tudo… avisar os convidados… agradecer a presença deles.

Ele soltou o ar, como se um peso tivesse sido retirado das costas.

— Me desculpa…

— Não precisa — respondeu ela, com a mesma doçura. — Vamos focar na empresa agora. Depois… nós fazemos isso do jeito certo.

Uma pausa.

E então, como se estivesse sugerindo algo simples:

— Talvez depois que o bebê nascer… uma cerimônia só nossa. Acho que ficaria lindo… nós três. Silêncio. E então… Ele sorriu. Ela ouviu.

E aquilo foi exatamente o que ela queria.

— Você tem razão… vai ficar perfeito.

Valentina inclinou levemente o rosto.

— Cuide-se.

— Você também…

Ele hesitou.

— Talvez eu tenha que passar a noite aqui.

— Tudo bem — respondeu ela, tranquila. — Vou mandar jantar para você e para todos que estiverem aí.

— Obrigado… eu sabia que você entenderia.

Ela não respondeu.

Desligou.

E ficou olhando para o próprio reflexo. Por alguns segundos. Então… Sorriu. Lento. Frio.

— Sim… eu entendo.

Quando saiu do quarto, a casa já estava em outro ritmo.

O burburinho tinha mudado.

A expectativa tinha se transformado em desconforto elegante.

Valentina caminhou pelo corredor com a mesma postura impecável, até que uma voz chamou sua atenção.

Helena.

Ao telefone.

Mas não era a Helena que o mundo conhecia.

— Como vocês deixaram aquele bastardo sair da cadeia? — a voz vinha carregada de ódio. — Não eram quinze anos?

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