Valentina estava imóvel diante do espelho.
O vestido caía perfeitamente sobre o corpo, moldando cada curva com precisão quase cruel, como se tivesse sido feito não para uma noiva… mas para uma rainha prestes a entrar em guerra. O tecido branco refletia a luz suave do quarto, criando uma imagem quase etérea — pura, impecável, intocável.
Mentira.
Ela levou a mão lentamente até a barriga.
O gesto foi instintivo.
Protetor.
— Calma… — murmurou, quase inaudível.
O tempo passava lento, quase arrastando.
E Enzo não vinha.
A tarde foi se desfazendo em silêncio, escorrendo pelas janelas como areia entre os dedos, até que o céu começou a escurecer. As luzes externas da mansão foram acesas, os convidados já murmuravam entre si, a expectativa começava a se transformar em desconforto… e, ainda assim, ele não vinha.
Valentina não se moveu. Não perdeu a postura. Não perdeu o controle.
Mas, quando o relógio marcou mais um minuto que não deveria existir… ela pegou o telefone.
Discou.
Chamou uma vez.
Duas.
— Valentina…
A voz dele veio carregada.
Cansada. Pesada.
Ela inclinou levemente a cabeça, observando o próprio reflexo.
— Enzo… tudo bem?
Do outro lado, ele suspirou.
Longo. Arrastado.
— Eu deveria ter te ligado antes… a empresa está um caos.
Ela ouviu. Sem interromper. Sem reagir.
— Eu vi — respondeu, com suavidade. — Está em todos os sites… televisão… não falam de outra coisa.
Outro suspiro.
— Me desculpa…
Valentina deixou um quase sorriso surgir.
Pequeno. Controlado.
— Você precisa de ajuda?
A pergunta saiu leve.
Quase gentil. Quase preocupada.
Mas havia algo por trás dela. Algo que ele não enxergava.
— Valentina… — ele hesitou — acho que vamos ter que remarcar.
Ela fechou os olhos por um breve segundo.
Não de dor. De satisfação.
Mas quando abriu… A expressão era perfeita. Compreensiva. Suave.
— Eu entendo — disse, com calma. — Não é o melhor momento.
Ela girou levemente o corpo, observando o vestido refletido no espelho.
— Vou pedir para interromper tudo… avisar os convidados… agradecer a presença deles.
Ele soltou o ar, como se um peso tivesse sido retirado das costas.
— Me desculpa…
— Não precisa — respondeu ela, com a mesma doçura. — Vamos focar na empresa agora. Depois… nós fazemos isso do jeito certo.
Uma pausa.
E então, como se estivesse sugerindo algo simples:
— Talvez depois que o bebê nascer… uma cerimônia só nossa. Acho que ficaria lindo… nós três. Silêncio. E então… Ele sorriu. Ela ouviu.
E aquilo foi exatamente o que ela queria.
— Você tem razão… vai ficar perfeito.
Valentina inclinou levemente o rosto.
— Cuide-se.
— Você também…
Ele hesitou.
— Talvez eu tenha que passar a noite aqui.
— Tudo bem — respondeu ela, tranquila. — Vou mandar jantar para você e para todos que estiverem aí.
— Obrigado… eu sabia que você entenderia.
Ela não respondeu.
Desligou.
E ficou olhando para o próprio reflexo. Por alguns segundos. Então… Sorriu. Lento. Frio.
— Sim… eu entendo.
Quando saiu do quarto, a casa já estava em outro ritmo.
O burburinho tinha mudado.
A expectativa tinha se transformado em desconforto elegante.
Valentina caminhou pelo corredor com a mesma postura impecável, até que uma voz chamou sua atenção.
Helena.
Ao telefone.
Mas não era a Helena que o mundo conhecia.
— Como vocês deixaram aquele bastardo sair da cadeia? — a voz vinha carregada de ódio. — Não eram quinze anos?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário