Uma semana tinha passado. E, pela primeira vez desde que tudo começou a ruir… o tempo não tinha sido inimigo de Valentina.
Tinha sido aliado.
Cada dia foi usado com precisão. Cada silêncio, calculado. Cada passo, pensado antes de ser dado. Enquanto o mundo lá fora continuava reagindo ao caos da Montenegro, enquanto os jornais ainda especulavam, enquanto investidores tentavam entender o que estava acontecendo… Valentina fazia o que poucos sabiam fazer.
Ela esperava. E trabalhava nas sombras. Naquela manhã, a mansão estava mais silenciosa. O excesso da semana anterior tinha sido recolhido, as flores substituídas, os móveis reorganizados, como se a casa tivesse decidido apagar qualquer vestígio do casamento que nunca aconteceu. Mas, por baixo daquela aparência de normalidade… tudo continuava instável.
Como um vidro prestes a rachar.
Valentina estava em seu escritório na M&K, sentada atrás da mesa, com a postura impecável, os olhos percorrendo documentos, anotações, relatórios que vinham sendo atualizados constantemente por Andrade. O notebook aberto à sua frente refletia linhas frias de informação, nomes, datas, conexões.
Era ali que a guerra estava sendo desenhada.
O telefone tocou.
Número desconhecido.
Valentina não hesitou.
Atendeu.
— Senhora.
A voz veio direta. Firme. Reconhecível.
— Andrade.
— As informações sobre o réu… o juiz Morris… já estão completas. Estou enviando agora para a senhora.
Valentina encostou-se levemente na cadeira, os olhos estreitando.
— Pode falar.
Do outro lado, houve um breve silêncio antes da resposta vir, mais baixa. Mais carregada.
— Cuidado com esse homem, senhora. Ele não é apenas corrupto… ele é do pior tipo. Aceita qualquer valor alto para entregar o resultado que o contratante quiser.
Valentina fechou os olhos por um segundo.
Claro que era.
— Entendi.
— Há ligações com políticos, empresários, casos arquivados sem justificativa plausível… decisões revertidas sem base jurídica. Tudo comprado.
Ela respirou fundo.
— Obrigada, Andrade.
— Estou à disposição.
Ela desligou.
E, quase no mesmo instante… O telefone apitou.
Uma vez.
Depois outra.
E outra.
Mensagens.Arquivos.Fotos.
Relatórios completos.
Valentina abriu o primeiro.
E, conforme passava as páginas digitais, o nojo veio. Frio. Lento. Crescendo.
— Escória… — murmurou, em voz baixa.
Aquele tipo de homem não apenas corrompia o sistema.
Ele destruía qualquer possibilidade de justiça.
Havia fotos comprometedoras. Transferências suspeitas. Registros de encontros com figuras conhecidas por manipulação política. Casos arquivados que deveriam ter resultado em condenações severas.
Pessoas livres.
Por dinheiro.
Por influência.
Por sujeira.
Valentina apoiou o cotovelo na mesa e passou os dedos pela têmpora, sentindo a pressão crescer.
— Isso vai mais fundo do que eu imaginei…
Os olhos voltaram para a tela.
Ela analisava.
Cruzava.
Ligava pontos.
E então… parou.
Porque algo estava faltando.
Sempre estava.
— As provas do Enzo… — sussurrou.
Nada ali ligava diretamente os dois.
Nada concreto. Nada que destruísse os dois de uma vez.
E isso só significava uma coisa.
— Está no cofre…
Ela se levantou.
Caminhou lentamente pelo escritório, como se organizasse os próprios pensamentos enquanto andava.
Já tinha ido ao apartamento dele no centro.
Já tinha analisado cada detalhe. As câmeras. O padrão. O vazio. Aquilo não era esconderijo.
Era fachada.

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