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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 343

O som no corredor cresceu rápido demais.

Passos firmes. Vozes. Aproximação.

Rafael reagiu antes mesmo de pensar. O corpo inteiro voltou ao estado de alerta, os sentidos afiados como lâminas. Em um movimento preciso, ele soltou Valentina com cuidado — não brusco, nunca brusco com ela — e deu um passo para trás.

— Vai — murmurou baixo, a voz ainda carregando o eco do beijo.

Mas antes de se afastar completamente, ele segurou o rosto dela por um segundo a mais, os olhos cravados nos dela com intensidade absoluta.

— Continue a sua vingança… — disse, quase inaudível. — Eu estou com você em cada passo.

O polegar dele roçou de leve a pele dela, apagando um resquício de lágrima.

— E não esquece… eu te amo.

E então ele se foi. Rápido. Silencioso.

Entrou na última cabine e fechou a porta no exato segundo em que a maçaneta do banheiro principal girou.

Valentina ficou parada por meio segundo.

Só um.

Respirou fundo.

E voltou a ser quem precisava ser.

Virou-se para a pia, abriu a torneira e levou água ao rosto, apagando os rastros do que tinha acabado de acontecer. Não podia sobrar nada. Nenhum sinal. Nenhuma falha.

Quando levantou o olhar para o espelho…

A máscara estava de volta.

Foi nesse instante que Helena entrou.

— Que bando de inúteis naquele corredor… — resmungou, irritada, fechando a porta atrás de si.

O salto dela ecoou no mármore enquanto se aproximava.

Valentina não se virou de imediato. Terminou de secar o rosto com calma, controlando a respiração, o ritmo do corpo, o coração que ainda insistia em bater mais rápido do que deveria.

— Minha querida… — Helena disse, agora mais doce, mais calculada — você demorou. Fiquei preocupada.

Valentina virou-se então.

E sorriu docemente.

— Desculpa… — respondeu com leveza. — Acho que o bebê não quis me deixar em paz hoje.

Helena parou a poucos passos.

Observou.

Rápido demais para parecer suspeita.

Detalhado demais para ser inocente.

Os olhos dela passaram pelo espelho. Pelas cabines. Pelo ambiente.

Buscando.

Sempre buscando.

— O que foi? — perguntou, estreitando levemente o olhar.

Valentina soltou um suspiro leve, controlado.

— Não sei… acho que comi algo que não deveria. — levou a mão à barriga de forma natural — não estou me sentindo muito bem.

Helena se aproximou.

E a abraçou.

Um gesto que, para qualquer outro, pareceria cuidado.

Mas Valentina já sabia. Ali havia cálculo.

— Eu imagino… — murmurou Helena, perto demais do ouvido dela — ver a pessoa que matou seus pais sair livre da prisão… sendo ovacionado pelo mundo… enquanto você segue sem justiça…

Valentina sentiu o gosto amargo subir pela garganta.

Mas não vacilou. Não um segundo.

A mão dela se fechou levemente, quase imperceptível.

— Sim… — respondeu, com a dose exata de dor na voz — você tem razão.

Respirou fundo.

— Ver o Rafael livre… não me desce.

E ali… ela mentiu perfeitamente.

— Mas eu vou recorrer. — completou, agora mais firme. — A impunidade não vai ficar assim.

Helena sorriu satisfeita.

— É assim que se fala. — disse, alisando o braço dela — ele sempre se achou intocável.

Valentina inclinou levemente a cabeça.

— Vamos? O Enzo deve estar preocupado.

— Vamos.

Ela saiu.

Sem olhar para trás. Porque sabia… Se olhasse…Perderia tudo.

O corredor parecia mais estreito do que antes.

O som do salão voltando.

A luz. As vozes. A guerra.

Segundos depois…

A porta da última cabine se abriu.

Rafael saiu.

O nome dela mudou tudo por um segundo.

Só um.

— Já está no meio disso mais do que deveria. — respondeu Rafael, mais baixo. — Agora a gente garante que ela termine viva.

Lucas assentiu.

— E ele?

Rafael sorriu de leve. Frio. Perigoso.

— Ele ainda acha que está no controle.

Do outro lado do salão…

Valentina voltou para perto de Enzo como se nada tivesse acontecido.

O sorriso no rosto. A postura impecável.

A mão pousando com naturalidade no braço dele.

— Está tudo bem? — Enzo perguntou, observando-a com atenção.

Valentina inclinou levemente a cabeça, mantendo a expressão serena.

— Sim… — respondeu, suave. — Mas acho que podemos ir embora.

Levou a mão discretamente à barriga.

— O bebê não gostou muito do ambiente.

Enzo a analisou por um segundo a mais.

Calculando. Medindo.

Mas, ao redor, o salão já não era mais dele.

Os olhares tinham mudado. As conversas também.

E, pela primeira vez naquela noite… ele não tinha o controle completo da situação.

Um sorriso de lado surgiu em seus lábios.

— Vamos. — disse por fim. — Aqui já não tem nada que eu precise.

Valentina apenas assentiu.

Sem pressa. Sem olhar para trás. Mas sentindo. Sentindo cada segundo. Sentindo o peso da presença que continuava ali, mesmo à distância.

Eles caminharam juntos em direção à saída do coquetel.

Luzes. Vozes.

A Fênix brilhando atrás deles.

E, enquanto atravessava aquele salão pela última vez naquela noite… Valentina soube.

Nada mais seria como antes.

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