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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 345

Valentina pegou o telefone e discou para Lurdes.

A ligação foi atendida no segundo toque.

— Senhora?

— Lu, quero que pare com qualquer trabalho que estivermos tocando nesses dias. Nossa prioridade agora é o caso do Enzo.

Do outro lado, silêncio.

Longo demais para ser casual.

Lurdes era boa. Boa o suficiente para perceber que aquela ordem tinha mais de uma camada.

— Sim, senhora — respondeu por fim, num tom neutro, controlado.

— Organize tudo. Quero acesso total ao que surgir sobre o juiz Morrison e qualquer nome vinculado a ele.

— Sim, senhora.

Valentina desligou.

Voltou-se para Helena.

— Vou colocar meu escritório nisso.

As lágrimas de Helena aumentaram na hora. Gratidão forçada, medo real.

— Obrigada… obrigada, minha querida. Obrigada por ajudar o meu filho nessa situação.

Valentina segurou a mão dela com a mesma delicadeza com que se segura uma arma antes de apontá-la.

— Confia em mim. Vocês foram muito bons comigo… eu serei eternamente grata a vocês.

O policial voltou a falar com outro agente. Maria desviou o olhar. Helena assentia com pressa demais. E ninguém, absolutamente ninguém naquela sala, poderia adivinhar que a mulher que acabara de oferecer ajuda era a mesma que tinha colocado a primeira dinamite na base da casa.

O resto do dia se arrastou em tensão.

Enzo não voltou.

Advogados entraram e saíram. Telefones tocaram. Documentos foram levados. A imprensa acampou do lado de fora em número crescente, e a mansão, antes palco de luxo e aparências, passou a parecer um animal ferido cercado por predadores.

Valentina se manteve serena.

Atenta.

Em silêncio.

Ajudou o suficiente para parecer indispensável. Falou pouco. Ouviu muito. E passou o dia inteiro observando Helena envelhecer dez anos na frente dela.

Quando a noite caiu de vez e a casa finalmente mergulhou naquele silêncio tenso que só aparece quando todos estão exaustos demais para fingir normalidade, Valentina subiu para o quarto.

Mas não dormiu.

Não conseguiu.

Havia um peso estranho no ar, como se a casa inteira estivesse esperando a chegada de alguma coisa pior.

Ela ouviu o carro antes de ver.

Portas.

Passos duros.

Um objeto sendo jogado sobre uma superfície com força demais.

Valentina saiu do quarto em silêncio e caminhou até o topo da escada, mantendo-se onde a sombra a cobria.

Lá embaixo, Enzo tinha acabado de entrar.

Parecia outro homem.

A compostura elegante da tarde anterior tinha sido substituída por fúria mal contida. O paletó vinha aberto, a gravata afrouxada, o cabelo levemente desalinhado, o rosto tenso demais até para fingir calma. Ele foi direto até o bar da sala e, sem nem olhar direito, puxou um copo, serviu uísque em quantidade indecente e o bebeu de uma vez.

Quando o copo encontrou a mesa com violência, o cristal trincou.

Helena desceu rápido demais para parecer tranquila.

— Enzo…

Ele virou-se.

Os olhos dele brilhavam de raiva.

— A casa está caindo, mãe.

A frase saiu entre os dentes.

— Tantos anos… e estávamos tão perto.

Helena parou a poucos passos.

— O que disseram?

Enzo serviu mais uísque.

Dessa vez a mão tremia.

— Disseram que eu tenho quarenta e oito horas para apresentar explicações. Quarenta e oito. Todas as provas estão contra mim.

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