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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 66

O carro avançava pelas ruas com a mesma discrição do restaurante que haviam deixado para trás.

Nenhuma música.

Nenhuma ligação.

Apenas o som contido do motor e o vidro isolando o mundo externo.

Valentina observava a cidade pela janela, mas sua mente ainda estava à mesa do almoço.

Rafael, ao lado dela, mantinha a postura habitual: corpo relaxado, olhar atento, pensamentos organizados.

Não falava por impulso.

Esperava.

Ele sabia reconhecer quando algo ainda estava sendo digerido.

Foi ele quem quebrou o silêncio.

— Quero entender o que disse antes.

Valentina virou o rosto na direção dele.

— Porque o senhor Yamamoto não levou duas mulheres à mesa por acaso.

Rafael manteve a expressão neutra.

— Muitas vezes, acompanhantes fazem parte do protocolo.

Ela sorriu de canto.

— Protocolos não levam mulheres jovens para mesas estratégicas sem função definida. — disse. — Muito menos quando não são parentes.

Ele a observou com mais atenção.

— Continue. — pediu.

Valentina respirou fundo, organizando o raciocínio como fazia em uma audiência.

— Primeiro ponto. — começou. — Ele apresentou Akemi e Hana antes de qualquer assessor. Antes de qualquer executivo.

Rafael não respondeu.

— Se Hana fosse apenas uma parente, — ela continuou — ele teria dito quem ela era. “Minha sobrinha”, “uma parente próxima”, qualquer definição objetiva.

Ela fez um pequeno gesto com a mão.

— Ele não fez isso.

Rafael cruzou os braços, atento.

— Segundo ponto?

— A pulseira. — Valentina respondeu prontamente. — Hana e Akemi usavam peças praticamente idênticas. Mesmo designer. Mesmo padrão. Só muda o tamanho das pedras.

Rafael franziu levemente a testa.

— Detalhe demais para coincidência.

— Exato. — Valentina concordou. — Aquilo não é adorno. É símbolo.

Ela voltou o olhar para a janela por um segundo, depois retomou:

— Terceiro ponto: o discurso.

Rafael inclinou levemente o corpo em direção a ela.

— Explique.

— Yamamoto fala de tradição. — Valentina disse. — De harmonia. De estrutura familiar. Mas a prática dele é outra.

Ela virou-se novamente para Rafael.

— Ele tem uma esposa legítima… e uma mulher mais jovem, claramente integrada à rotina social dele.

— Akemi não disputa. Não reage. Não corrige.

— Isso não é tolerância ocasional. É um acordo antigo.

Rafael permaneceu em silêncio.

Mas não era desinteresse.

Era cálculo.

— Você está dizendo que Hana é mais do que uma acompanhante. — ele concluiu.

Valentina assentiu.

— É a joia rara. — disse. — Não a que brilha para todos. A que brilha só para ele.

No banco da frente, Moreira ajustou discretamente o retrovisor.

O olhar dele encontrou o de Rafael por um segundo.

Sem palavras.

Sem perguntas.

Um código silencioso.

Moreira abaixou o olhar e começou a digitar no celular.

Rafael percebeu.

Não comentou.

— Se focarmos apenas em Hana… — Rafael disse, após alguns segundos — Akemi pode reagir.

— Pode. — Valentina concordou. — Mas não da forma que parece.

Ele virou o rosto para ela novamente.

— Explique.

Valentina sorriu levemente.

— Akemi não disputa o afeto. — disse. — Ela administra o equilíbrio.

— Se Hana ganhar protagonismo demais sem contexto, Akemi se fecha.

— Se Hana continuar invisível… ela se torna ressentida.

Ela fez uma pausa.

— Precisamos dar a Hana espaço. Mas sem tirá-la da sombra correta.

Rafael analisou a frase com atenção.

— E como você sugere fazer isso?

Valentina pensou por um instante.

— Algo cultural. — respondeu. — Um evento neutro. Onde Hana possa existir sem parecer ameaça.

— Ou… — ela inclinou a cabeça, pensativa — …posso me aproximar dela.

Rafael ergueu uma sobrancelha.

— Como?

Valentina deu de ombros.

— Conversas simples. Interesses comuns. Nada político.

— Hana não quer poder direto. Quer validação.

Rafael ficou em silêncio enquanto o carro se aproximava da mansão.

— Você percebeu tudo isso… — ele disse por fim — em um almoço.

Valentina sorriu, sem arrogância.

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