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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 67

Valentina passou a manhã inteira andando pelo quarto.

Não conseguia sentar. Não conseguia se concentrar.

O número martelava na cabeça como um relógio quebrado.

Cinco milhões.

Era sempre o mesmo. Imutável. Cruel.

Ela abriu o aplicativo do banco mais uma vez, mesmo sabendo exatamente o que encontraria.

1.650.000.

Era tudo. Não haveria mais. Não em quinze dias. Não em quinze meses.

— Não é sobre pagar… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — É sobre parar.

Parar a chantagem. Parar o medo. Parar o nome Diniz sendo usado como arma.

Respirou fundo antes de ligar.

Rogério atendeu no terceiro toque.

— Resolveu aparecer agora? — a voz veio carregada de desprezo. — Demorou.

— Quero conversar. — Valentina respondeu, tentando manter o tom firme. — Sem ameaças.

— Ameaça é o que você me deve. — ele riu. — Onde?

Ela marcou o local.

Desligou com o coração acelerado.

O café era discreto demais para alguém como Rogério. Mas ele estava lá.

Bem vestido. Postura relaxada. O ar de quem ainda se acha dono da situação.

— Senta. — ele disse, sem se levantar.

Valentina sentou.

— Vou ser direta. — começou. — Eu não tenho cinco milhões.

— Que pena. — ele respondeu, mexendo o café. — Porque é isso ou—

— Eu tenho um milhão seiscentos e cinquenta mil. — ela interrompeu, com cuidado. — É tudo que existe.

Rogério soltou uma risada curta.

— Você acha que isso compra silêncio?

— Não. — ela respondeu. — Compra encerramento.

Ele ergueu a sobrancelha.

— Você continua achando que manda em alguma coisa.

Valentina respirou fundo.

— Não estou mandando. — disse. — Estou delimitando.

Ele se inclinou para frente.

— Você vai pagar o que deve. Nem que leve a vida inteira.

Ela sustentou o olhar, sentindo o estômago apertar.

— Não. — respondeu, com voz mais baixa. — Eu vou pagar o que posso. E isso acaba.

Rogério levou a mão à mesa.

Foi então que Valentina viu.

O curativo mal feito. A pele marcada. O movimento tenso.

— O que houve com sua mão? — perguntou, sem acusar.

— Nada que te interesse. — ele respondeu rápido demais.

Ela não insistiu.

Mas entendeu.

— Esse dinheiro — ela continuou — é o fim da nossa relação. Você assina. Renuncia a qualquer direito. Some da minha vida.

Rogério riu de novo.

Mas agora… havia algo diferente no riso.

— Você está confiante demais para quem não tem poder.

Valentina sentiu o medo subir. Mas não recuou.

— Estou cansada demais para continuar refém. — respondeu. — Isso é o que eu posso oferecer. Nada além disso.

Silêncio.

Rogério girou a xícara. Evitou o olhar dela por um segundo.

— Você sempre foi orgulhosa. — murmurou. — Igual ao seu pai.

Valentina engoliu em seco.

— E você sempre confundiu orgulho com chantagem. — respondeu, com cuidado. — Hoje isso acaba.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois recostou-se na cadeira.

— Um milhão seiscentos e cinquenta. — repetiu. — À vista.

Ela assentiu.

— É isso.

Rogério sorriu. Um sorriso torto.

— Depois disso, você nunca mais vai me ver.

Valentina se levantou.

— Você não faz ideia.

As duas ficaram em silêncio por um momento, apenas existindo naquele espaço simples, longe de mansões, contratos e sobrenomes pesados.

— Sabe o que mais me incomoda? — Valentina disse de repente.

— O quê?

— Eu deveria estar comemorando. — ela respondeu. — Mas só consigo pensar que… foi fácil demais.

Bianca franziu a testa.

— Fácil não foi. — corrigiu. — Só foi rápido.

Valentina assentiu, mas algo ainda parecia fora do lugar.

— Talvez eu só esteja cansada. — concluiu.

Bianca estendeu a mão por cima da mesa e apertou a dela.

— Você fez o que podia. — disse. — O resto não é mais seu fardo.

Valentina apertou de volta.

Quando se levantaram para sair, Valentina estava mais leve. O passo menos rígido. O olhar menos defensivo.

Ela não percebeu.

Mas alguém percebeu.

Do outro lado da rua, dois homens estavam encostados perto de um carro escuro demais para chamar atenção.

Nenhum deles olhava diretamente para elas.

Observavam reflexos. Movimentos. Saídas.

— É ela? — um deles perguntou, baixo.

— É. — o outro respondeu. — E não está sozinha.

O primeiro sorriu de canto.

— Não importa. Já sabemos o suficiente.

Valentina e Bianca se despediram com um abraço rápido antes de seguirem caminhos diferentes.

Valentina entrou no carro acreditando em algo raro:

Que uma parte da sua história tinha, finalmente, sido encerrada.

Ela não sabia…

…que certos capítulos não terminam quando a gente paga o preço.

Terminam quando alguém decide cobrar de novo.

E, desta vez,

o credor não usava o nome Diniz.

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