Valentina passou a manhã inteira andando pelo quarto.
Não conseguia sentar. Não conseguia se concentrar.
O número martelava na cabeça como um relógio quebrado.
Cinco milhões.
Era sempre o mesmo. Imutável. Cruel.
Ela abriu o aplicativo do banco mais uma vez, mesmo sabendo exatamente o que encontraria.
1.650.000.
Era tudo. Não haveria mais. Não em quinze dias. Não em quinze meses.
— Não é sobre pagar… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — É sobre parar.
Parar a chantagem. Parar o medo. Parar o nome Diniz sendo usado como arma.
Respirou fundo antes de ligar.
Rogério atendeu no terceiro toque.
— Resolveu aparecer agora? — a voz veio carregada de desprezo. — Demorou.
— Quero conversar. — Valentina respondeu, tentando manter o tom firme. — Sem ameaças.
— Ameaça é o que você me deve. — ele riu. — Onde?
Ela marcou o local.
Desligou com o coração acelerado.
O café era discreto demais para alguém como Rogério. Mas ele estava lá.
Bem vestido. Postura relaxada. O ar de quem ainda se acha dono da situação.
— Senta. — ele disse, sem se levantar.
Valentina sentou.
— Vou ser direta. — começou. — Eu não tenho cinco milhões.
— Que pena. — ele respondeu, mexendo o café. — Porque é isso ou—
— Eu tenho um milhão seiscentos e cinquenta mil. — ela interrompeu, com cuidado. — É tudo que existe.
Rogério soltou uma risada curta.
— Você acha que isso compra silêncio?
— Não. — ela respondeu. — Compra encerramento.
Ele ergueu a sobrancelha.
— Você continua achando que manda em alguma coisa.
Valentina respirou fundo.
— Não estou mandando. — disse. — Estou delimitando.
Ele se inclinou para frente.
— Você vai pagar o que deve. Nem que leve a vida inteira.
Ela sustentou o olhar, sentindo o estômago apertar.
— Não. — respondeu, com voz mais baixa. — Eu vou pagar o que posso. E isso acaba.
Rogério levou a mão à mesa.
Foi então que Valentina viu.
O curativo mal feito. A pele marcada. O movimento tenso.
— O que houve com sua mão? — perguntou, sem acusar.
— Nada que te interesse. — ele respondeu rápido demais.
Ela não insistiu.
Mas entendeu.
— Esse dinheiro — ela continuou — é o fim da nossa relação. Você assina. Renuncia a qualquer direito. Some da minha vida.
Rogério riu de novo.
Mas agora… havia algo diferente no riso.
— Você está confiante demais para quem não tem poder.
Valentina sentiu o medo subir. Mas não recuou.
— Estou cansada demais para continuar refém. — respondeu. — Isso é o que eu posso oferecer. Nada além disso.
Silêncio.
Rogério girou a xícara. Evitou o olhar dela por um segundo.
— Você sempre foi orgulhosa. — murmurou. — Igual ao seu pai.
Valentina engoliu em seco.
— E você sempre confundiu orgulho com chantagem. — respondeu, com cuidado. — Hoje isso acaba.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois recostou-se na cadeira.
— Um milhão seiscentos e cinquenta. — repetiu. — À vista.
Ela assentiu.
— É isso.
Rogério sorriu. Um sorriso torto.
— Depois disso, você nunca mais vai me ver.
Valentina se levantou.

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