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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 69

Rafael voltou para casa mais tarde do que o habitual.

Não porque o trabalho exigira mais — exigira menos do que deveria, inclusive —, mas porque a mente dele se recusava a desacelerar. O dia tinha deixado resíduos. Pequenos detalhes fora do lugar. Variáveis não controladas. Silêncios que não fechavam conta.

Subiu as escadas sem pressa.

O corredor estava quieto demais para o horário. A mansão respirava aquele silêncio profundo que só existe quando Vittória já havia se recolhido e os funcionários circulavam apenas pelo essencial.

Rafael empurrou a porta do quarto de Valentina.

Vazio.

A cama intacta. A luz apagada. Nenhum sinal de presença recente.

Ele franziu levemente a testa.

Não era preocupação.

Era estranhamento.

Saiu do quarto e chamou uma das funcionárias que atravessava o corredor com passos discretos.

— A senhora Montenegro? — perguntou, direto.

— Está na ala sul, senhor. — respondeu a mulher, sem hesitar. — Na sala antiga.

Ala sul.

Rafael ficou imóvel por um segundo.

Aquela parte da casa era pouco usada. Distante. Isolada. Quase esquecida. Um espaço que Vittória desprezava exatamente por não permitir plateia.

Rafael seguiu naquela direção sem anunciar a própria presença.

Conforme se aproximava, percebeu algo que não esperava.

Música.

Baixa. Instrumental. Clássica.

Não vinha de um sistema moderno. Vinha de uma caixa simples, posicionada num canto da sala ampla, de piso claro e janelas altas.

Ele parou à porta.

E então viu.

Valentina estava descalça.

O vestido leve se movia junto ao corpo, acompanhando cada giro, cada deslocamento preciso. Os braços desenhavam o ar com uma memória antiga, quase esquecida pelo mundo, mas nunca pelo corpo.

Ela dançava como quem respira depois de muito tempo submersa.

Os movimentos eram limpos. Controlados. Havia disciplina ali — aquela que não se aprende rápido —, mas também havia algo mais cru, mais íntimo. Uma entrega silenciosa, como se o corpo estivesse finalmente dizendo o que a boca calava há dias.

Rafael sentiu o impacto sem aviso. A leveza dela contrastava violentamente com tudo o que ele conhecia sobre poder, controle e sobrevivência. Valentina ali não era a mulher que enfrentara o baile, nem a esposa que sustentava olhares, nem a negociadora silenciosa do almoço.

Era outra coisa. Ela girou. O tecido acompanhou o movimento, o corpo desenhou um arco perfeito no espaço — e então, no reflexo da janela, Valentina o viu.

O susto a fez parar.

O silêncio caiu abrupto, como se a música tivesse sido arrancada do ar.

Ela ficou imóvel por um segundo. O peito subindo e descendo rápido demais. Uma gota de suor escorrendo pelo pescoço, desenhando um caminho que Rafael seguiu sem querer.

Ele entrou na sala devagar.

Não como dono da casa.

Como alguém que acabara de invadir um território sagrado.

— Oi… — ela disse, a voz ainda fora de ritmo.

— Oi. — Rafael respondeu.

Nenhum dos dois se moveu por alguns segundos.

O ar entre eles estava diferente. Carregado. Não tenso — denso.

— O que faz aqui? — Valentina perguntou, tentando recuperar a postura.

Ela puxou o vestido levemente, num gesto automático de recomposição, mas não havia constrangimento ali. Apenas surpresa.

Rafael percorreu o espaço com o olhar antes de voltar para ela.

— Procurei você no quarto. — disse. — Não estava.

— Eu… — ela hesitou por um instante, algo raro nela. — Estava precisando de silêncio.

Ele a observou mais uma vez.

A respiração ainda acelerada. O corpo quente do esforço. A concentração que não havia sido totalmente desligada.

— Não sabia que dançava. — comentou.

Valentina sorriu.

Um sorriso pequeno. Verdadeiro.

— Dançava. — corrigiu. — Quando era criança. Minha mãe me colocou no balé aos cinco anos. Saí aos dez.

Ela deu de ombros, como se aquilo não fosse nada.

— Não sou fanática. Só… — fez um gesto vago com a mão — …volto a isso quando minha mente está rápida demais.

Rafael deu um passo à frente.

Depois outro.

Parou perto o suficiente para perceber o perfume natural dela misturado ao esforço. Nada artificial. Nada ensaiado.

Valentina sentiu a presença dele com clareza desconfortável.

CAPÍTULO 69 — O QUE O CORPO LEMBRA 1

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