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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 70

A manhã nasceu clara demais para um dia que ainda carregava resquícios da noite anterior.

Valentina acordou cedo.

Não por obrigação. Nem por hábito.

Acordou porque o corpo já estava desperto antes da mente permitir descanso completo.

Ficou alguns segundos deitada, encarando o teto, tentando entender por que aquela sala da ala sul insistia em voltar em fragmentos — o espaço amplo, o silêncio, o toque breve demais para ser esquecido.

Não pensou no beijo. Porque ele não existiu.

Pensou no gesto. No cuidado inesperado. Na mão de Rafael afastando uma mecha de cabelo com uma precisão que não combinava com ordens nem contratos.

— Foi só isso… — murmurou para si mesma, sentando na cama.

Mas o corpo discordava.

Vestiu-se com calma. Nada estratégico. Nada calculado. Um vestido simples, discreto, como se quisesse neutralizar qualquer resquício de intensidade que ainda a acompanhava.

Quando desceu para o café da manhã, a mesa já estava posta.

Vittória estava sentada à cabeceira, impecável como sempre. A postura ereta, a expressão controlada, o olhar atento demais para alguém que fingia neutralidade.

Rafael ainda não havia chegado.

Valentina respirou fundo antes de se aproximar.

— Bom dia. — disse, educada.

Vittória ergueu o olhar lentamente, analisando-a como quem mede um território recém-ocupado.

— Bom dia. — respondeu. — Vejo que a casa já não lhe é estranha.

O comentário veio leve. Mas não era inocente.

Valentina sentou-se.

— Estou começando a entender os espaços. — respondeu, sem provocar.

Vittória levou a xícara aos lábios, observando-a por cima da porcelana fina.

— Entender espaços é importante. — disse. — Evita mal-entendidos.

Valentina percebeu. Não respondeu de imediato.

— A ala sul, por exemplo… — Vittória continuou, como quem comenta o clima. — Pouco frequentada. Silenciosa demais para certas atividades.

Valentina manteve o rosto neutro.

— Eu precisava de um lugar tranquilo. — respondeu. — A casa é grande. Imaginei que não haveria problema.

Vittória pousou a xícara com delicadeza calculada.

— Não há problema. — disse. — Desde que se saiba… onde se está pisando.

O silêncio que se seguiu não foi hostil. Foi avaliativo.

Antes que Valentina respondesse, passos se aproximaram.

Rafael entrou na sala.

O terno escuro. O olhar atento. A presença que alterava a dinâmica do ambiente sem esforço algum.

— Bom dia. — disse.

— Bom dia. — Vittória respondeu, imediata.

— Bom dia. — Valentina completou, erguendo o olhar para ele por um breve segundo.

Houve algo ali. Nada visível. Mas suficiente para Vittória notar que não era mais apenas convivência protocolar.

Rafael sentou-se, serviu café e não comentou a noite anterior.

Mas, ao passar por Valentina, inclinou-se levemente.

— Hoje, Moreira ficará atento à sua agenda. — disse, em tom baixo. — Se for sair, me avise.

Não era ordem. Era aviso.

Valentina assentiu.

— Certo.

Vittória observou em silêncio.

O café seguiu sem conflitos explícitos. Mas algo havia mudado de lugar.

Valentina sentiu.

E não foi a única.

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Do outro lado da casa, longe da mesa, longe das formalidades, alguém observava.

Clara estava parada próxima à porta de vidro que dava para o jardim lateral.

Não participara do café. Não fizera questão.

Ela tinha visto o suficiente na noite anterior.

Não o toque em si. Mas o contexto.

O silêncio compartilhado. A proximidade. A ausência de espectadores.

Clara não pensou em romance. Pensou em invasão.

Aquela mulher estava ocupando espaços que não lhe pertenciam. Espaços que Clara sempre considerara… seus.

— Interessante… — murmurou, quase para si.

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